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Saiba o que o Coritiba espera com Brian Ocampo e como o uruguaio pode conquistar espaço no ataque

Saiba o que o Coritiba espera com Brian Ocampo e como o uruguaio pode conquistar espaço no ataque

Diretor do Coritiba e Fernando Seabra se pronunciam após permanência do treinador
Contratado nesta janela como reforço para a retomada do Brasileirão, Brian Ocampo chega ao Coritiba com a missão de acrescentar força física, velocidade e repertório pelos lados do campo a um elenco que, embora viva bom momento na Série A, ainda apresenta lacunas no setor ofensivo.
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Com passagem recente pelo Cádiz, da Espanha, e bagagem de seleção uruguaia, o jogador de 27 anos não desembarca exatamente para mudar sozinho o patamar da equipe, mas para ampliar as possibilidades do ataque e aumentar a competitividade por uma posição.
Hoje, Lucas Ronier, Breno Lopes e Joaquín Lavega aparecem à frente na disputa por vaga, mas o uruguaio entra no grupo como uma alternativa de perfil mais físico, de imposição e de enfrentamento individual, algo que o Coritiba buscava no mercado.
Brian Ocampo, atacante do Coritiba
JP Pacheco/Coritiba
O perfil que faltava ao ataque
A principal diferença está justamente no estilo de jogo. Ocampo é visto como um ponta capaz de atuar pelos dois lados, mas que foge do modelo mais leve e agudo de driblador de corredor. Ele é um jogador de contato, de proteger a bola, sustentar a posse, cavar faltas e empurrar o time em duelos físicos.
Na leitura de quem acompanha o mercado do Coxa, esse traço pode ser especialmente valioso em jogos mais amarrados, quando o time precisar controlar o ritmo ou sustentar uma vantagem no placar.
— Ele consegue atuar tanto na direita quanto na esquerda, mas é um estilo muito diferente do que o Coritiba tem. Não dá para comparar com o Keno, por exemplo. O Ocampo é um atleta mais da força física, aquele jogador que recebe a bola do lado do campo para proteger, cavar falta, ganhar no choque e carregar o time. É uma característica que o Coritiba não tinha no elenco — analisou o jornalista Daniel Piva.
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Disputa aberta, mas sem status de protagonista
O contexto ajuda a explicar o movimento do clube. Mesmo em boa campanha e consolidado no pelotão de cima da tabela, o Coritiba ainda não encontrou estabilidade total nas pontas.
Breno Lopes e Ronier são os nomes mais afirmados, enquanto Lavega também ganhou espaço, mas as opções de reposição não se firmaram da maneira esperada. Keno ainda tenta recuperar ritmo após longo período fora, e Fabinho, embora utilizado aberto em alguns momentos, oferece características mais próximas de um atacante de área do que propriamente de um ponta.
Nesse cenário, Ocampo surge como uma peça de composição qualificada, mas com possibilidade real de ganhar minutos importantes.
A tendência inicial é de que ele entre como alternativa de banco, principalmente para jogos em que o Coritiba precise aumentar a intensidade sem bola, explorar transições ou sustentar jogadas no campo ofensivo.
Não está descartado, inclusive, que em determinados contextos ele seja testado mais por dentro, como uma referência de maior imposição física, dependendo da necessidade do time.
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Uma arma para o jogo físico e para o contra-ataque
A leitura sobre o uruguaio, porém, também vem acompanhada de ressalvas. Se por um lado ele oferece entrega física, competitividade e encaixe com o modelo de jogo de Seabra, por outro chega com questionamentos sobre a produção ofensiva em números e a capacidade de transformar volume em jogadas decisivas.
Na passagem pelo Cádiz, o atacante não se destacou por gols, assistências ou lances de grande impacto perto da área, e esse é justamente o ponto que o Coritiba espera desenvolver.
— O ponto que ele vai mais agregar ao Coritiba é em uma circunstância em que o time está vencendo e precisa ganhar tempo, segurar a bola, cavar umas faltas. Nisso ele pode ser uma arma importante, algo que o Fernando Seabra não tem com essa característica exata — disse Piva.
— Só que, por outro lado, no Cádiz foram poucos lances em que ele conseguiu levar perigo real de gol. É muita briga, muita disputa, muita intensidade, mas pouca inspiração em gols, assistências e jogadas realmente perigosas — acrescentou.
Brian Ocampo, atacante do Coritiba
JP Pacheco/Coritiba
Aumentar o poder de fogo
A observação é relevante porque toca em um dos temas mais debatidos no ataque do Coritiba em 2026: a necessidade de aumentar o poder de fogo sem perder competitividade.
Breno Lopes se consolidou como um jogador mais agressivo, de chegada à área e conclusão. Ronier, por sua vez, é visto como um atleta mais técnico, capaz de criar e acelerar jogadas, embora ainda seja cobrado por finalizar mais.
Ocampo aparece num terceiro perfil, mais voltado à condução, à disputa corporal e à sustentação das jogadas, mas ainda precisando ser mais decisivo no último terço.
— O Ronier é mais técnico; o Ocampo, mais brigador. O Ronier precisa arriscar um pouco mais, e o Ocampo precisa ser mais assertivo na reta final da jogada. Ele vai muito bem ao carregar a bola, ao ganhar a disputa corporal, o duelo físico, mas erra bastante na tomada de decisão. Às vezes erra o cruzamento, o passe ou até a escolha do que fazer na jogada — completou o jornalista.
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O que falta para Ocampo ganhar espaço
É justamente nesse ponto que o trabalho de Fernando Seabra pode ser determinante. O treinador construiu um Coritiba competitivo a partir de um time compacto, organizado e perigoso nos contra-ataques. Dentro dessa lógica, Ocampo chega a um ambiente que, em tese, favorece suas melhores virtudes.
A capacidade de atacar espaço, proteger a bola em velocidade e vencer duelos físicos casa com um modelo que valoriza transição rápida e jogo vertical. Se conseguir refinar a tomada de decisão e ser mais agudo perto da área, o uruguaio pode ampliar o próprio espaço na equipe.
A avaliação, neste momento, é de que o reforço chega mais para encorpar o elenco do que para assumir imediatamente o posto de protagonista.
Coritiba anuncia Brian Ocampo
JP Pacheco/Coritiba
Ocampo, portanto, é uma aposta funcional: não necessariamente para mudar o time de cara, mas para oferecer ao ataque alviverde uma alternativa que hoje não existe.
O uruguaio só poderá ser inscrito após a abertura da janela internacional, em 20 de julho. A partir daí, se estiver em boas condições físicas, ficará à disposição de Seabra para a sequência do segundo semestre.
Antes da retomada dos jogos na Série A, dia 22 (quarta-feira) contra o Palmeiras, o Coritiba ainda tem mais um jogo-treino agendado. Na sexta-feira, às 11h (de Brasília), o time paranaense recebe a Chapecoense, no CT da Graciosa.
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