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Advogado dos jogadores da Ponte relata desespero: “Muitos pagando para trabalhar”

Advogado dos jogadores da Ponte relata desespero: “Muitos pagando para trabalhar”

Sem receber, elenco da Ponte Preta paralisa atividades
A crise financeira da Ponte Preta chegou a um ponto considerado insustentável pelos jogadores. Com meses de atrasos salariais, o elenco decidiu paralisar as atividades a partir desta quarta-feira. Segundo o advogado Felipe Rino, representantes dos atletas no caso, a situação é de desespero diante da crise financeira.
— A situação deles é de desespero. Há ainda atletas que pagam pensões alimentícias, que estão com essas pensões em atraso, podem inclusive sofrer ali sanções da própria Justiça. Não vem ao caso falar o nome de quem, mas há situações gravíssimas causadas por essa situação de abandono da diretoria da Ponte Preta — afirmou Rino em entrevista à reportagem da EPTV, afiliada da TV Globo.
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Elenco da Ponte deixa o CT sem treinar por causa dos salários atrasados
Oscar Herculano/ EPTV
De acordo com o advogado, os atrasos atingem atletas com diferentes faixas salariais e comprometem despesas básicas. Ele cita casos de jogadores que recebem cerca de R$ 3 mil ou R$ 4 mil por mês e, diante da falta de salário, estão pagando para trabalhar.
— Você imagina ficar seis meses sem receber, sem poder sustentar a sua família. E mesmo assim, tendo despesas correntes do mês ali, com aluguel, com transporte. Tem muitos atletas pagando para trabalhar, porque eles precisam custear o transporte até o centro de treinamento para trabalhar ali por todos os dias, sem receber, sem ter uma satisfação, sem ter o cumprimento dos prazos.
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Um ultimato já tinha sido dado na semana passada, quando os jogadores publicaram que alguns estão sem receber há cerca de seis meses e iam parar o futebol do clube se as pendências não fossem regularizadas até o dia 25 de agosto (última terça-feira).
Sem o pagamento realizado dentro do prazo estipulado, os atletas foram ao CT do Jardim Eulina na manhã desta quarta, mas deixaram o local sem treinar.
Elenco da Ponte paralisa as atividades por causa dos salários atrasados
O advogado também citou que os jogadores optaram por adiar a paralisação durante meses em respeito à torcida e à instituição em meio a promessas não cumpridas.
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— Essa paralisação já poderia ter ocorrido ainda no Campeonato Paulista, quando nós já tínhamos ali alguns meses de salários em atraso. Isso, os próprios atletas, acreditando nas propostas que a diretoria apresentava, nos prazos que eram solicitados, acabaram protelando essa situação.
Além das dívidas, Rino coloca a falta de diálogo entre diretoria e jogadores como um agravante:
— Também falta uma transparência e falta o diálogo. O presidente não está no dia a dia do clube, não dialoga com os atletas. E isso houve um distanciamento muito grande do elenco com a diretoria. Então não é apenas a questão dos salários.
Um comunicado assinado pelos jogadores foi divulgado com fortes críticas à diretoria alvinegra, dizendo que foram abandonados pelo comando do clube, atualmente presidido por Luiz Torrano, com Marco Antonio Eberlin de vice e também diretor de futebol.
Felipe Rino, advogado que representa os jogadores da Ponte Preta
Reprodução/EPTV
A decisão de suspender as atividades vale para treinos e também para jogos. A próxima partida da Ponte na Série B está marcada para domingo, contra o América-MG, em Belo Horizonte, mas a diretoria espera evitar o W.O com o uso das categorias de base.
Sem vencer há 18 rodadas, a Ponte amarga a lanterna, com apenas 10 pontos em 24 jogos, e caminha para um rebaixamento que parece inevitável diante do cenário caótico fora de campo.
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