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Análise: estratégia funciona pela metade, e Remo aposta fichas nos jogos em casa

Análise: estratégia funciona pela metade, e Remo aposta fichas nos jogos em casa

“Temos que pontuar para sair da situação que estamos hoje”, aponta Taliari após derrota
Animado após ter arrancado um empate no último minuto contra o Internacional, o Remo foi ao Maracanã encarar o Fluminense, melhor mandante da Série A, no segundo compromisso seguido longe de Belém. A partida foi disputada na tarde do sábado, dia 22, abrindo a 24ª rodada.
Serna ganhou de Tchamba e Zé Welison para marcar o gol da virada do Fluminense contra o Remo
Marcelo Gonçalves / Fluminense FC
Considerando números pré-jogo, traçando um recorte nos últimos quatro meses, o aproveitamento do Leão Azul como visitante era quase próximo de 50%, com duas vitórias, duas derrotas e um empate. O último triunfo, porém, fazia algum tempo, pois foi em 17 de maio, contra a lanterna Chapecoense.
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Com o objetivo de pelo menos pontuar para seguir respirando na luta contra o rebaixamento, Léo Condé fez duas modificações no time que arrancou o empate contra o Internacional, promovendo a entrada do autor do gol, Vitor Bueno, na vaga de Leonel Picco, e o retorno do capitão Marllon no lugar de Zé Ivaldo.
Veja o time titular do Remo contra o Flu
Rangel; Marcelinho, Marllon, Tchamba e Marlon; Zé Welison, Zé Ricardo e Vitor Bueno; Pikachu, Jajá e Taliari.
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Na defesa, o técnico voltava a contar com a zaga titular em grande parte do primeiro turno. Do meio para frente, Zé Welison seguia firme no time, enquanto que Zé Ricardo recuou para ser um segundo volante, enquanto que Bueno seria o responsável por dar criatividade e organizar as jogadas ofensivas.
Em um duelo do líder de posse de bola (Fluminense, com 57,1%) contra o vice-lanterna no quesito (Remo, 44,1%), segundo dados do Gato Mestre, a tendência de véspera foi confirmada quando o árbitro trilou o apito.
O que se viu no primeiro tempo, foi um Flu propondo o jogo, enquanto que o Leão defendia em um bloco médio/baixo, mas montado para sair em velocidade nas roubadas de bola. A proposta azulina apareceu logo aos três minutos, em uma rápida transição com Pikachu, Vitor Bueno e Jajá, mas o último passe do meia não chegou ao atacante, que foi antecipado por Fábio.
Aos 16, o Remo “ousou” subir a marcação, aproveitando uma rara chegada de Marlon pela lateral esquerda, mas a jogada não resultou em finalização, que só saiu dois minutos depois, com Pikachu, de muito longe, saindo sem perigo.
Hulk e Pikachu em ação durante Fluminense e Remo na Série A
Lucas Merçon / Fluminense FC
Do outro lado, a marcação deixava poucas brechas que, quando eram exploradas, paravam em defesas de Marcelo Rangel. Aos 19, Soteldo chegou a balançar as redes, mas Canobbio, no primeiro lance, estava impedido.
Fato é que o Remo claramente tinha uma estratégia: defender em bloco médio/baixo, com Taliari mais adiantado, tendo Pikachu e Jajá, em tese os pontas, auxiliando os laterais, Marcelinho e Marlon, nos ataques do Fluminense pelos lados do campo. O meio-campista mais isolado, Vitor Bueno, também ajudava nos combates, ao mesmo tempo que era um dos responsáveis por engatar contra-ataques.
O Fluminense teve cerca de 73% de posse de bola, nove finalizações, quatro delas que exigiram defesa de Rangel, mas quem marcou foi o Remo. Aos 31 minutos, o time estava no campo de ataque após uma bola parada, tanto que contou com a participação de Tchamba, que deu uma esperta deixada para Marcelinho chegar ao fundo, cruzar uma bola que passou por todo mundo, menos por Jajá, ligado, finalizar de primeira e vencer Fábio.
Aos 31 min do 1º tempo – gol de dentro da área de Jaja do Remo contra o Fluminense
Metade do caminho estava feito, o Leão sabia o que fazer, como Jajá bem declarou no intervalo da partida: “O time do Fluminense é muito qualificado, tem a característica de ficar com a bola”.
Na coletiva pós jogo, o técnico Léo Condé também avaliou que o trabalho, pelo menos até o intervalo, estava sendo bem feito.
– A gente fechou bem a entrada da área, eles tinham a posse de bola, mas não tinham aquela chance clara. Eles chegaram na nossa baliza através de alguns chutes de fora da área e também algumas jogadas individuais do Soteldo, que tem muita capacidade.
No início do segundo tempo, o Remo voltou sem mexidas, enquanto que o Fluminense retornou com Nonato e Serna. A pressão dos donos da casa seguiu, mas o time visitante já não conseguia assustar nas saídas em velocidade. Para se ter uma ideia, aos 17 minutos, os mandantes registraram seis escanteios apenas na segunda etapa.
Dois minutos antes, Condé decidiu tirar Vitor Bueno, pouco inspirado, para colocar David Braga, alteração justificada como uma opção por “um jogador que segura mais a bola” (explicação dada também contra o Atlético-MG, na 22ª rodada).
Antes da troca surtir efeito ou o Remo reagir naturalmente, o Fluminense chegou ao empate com Hulk aos 20 minutos, em uma cabeçada que bateu no travessão, quicou no gramado e escolheu ir para a direção do gol.
Aos 21 min do 2º tempo – gol de cabeça de Hulk do Fluminense contra o Remo
Depois do gol sofrido, Léo Condé sentiu a necessidade de mexer novamente, decidindo, segundo ele, pelo aspecto físico, ao tirar Jajá e Marcelinho para as entradas de Alef Manga e Galeano.
Em tese, o Remo ficaria ligeiramente mais ofensivo, pois passaria a ter dois pontas propriamente ditos, enquanto que Pikachu, meia-atacante pelo lado direito, passaria a jogar pela lateral daquele lado. Inicialmente, o Remo respirou, a ponto de aparecer no ataque com Alef Manga, que balançou para cima de Thiago Silva, mas foi travado pelo zagueiro, em lance aos 33 minutos.
Mas, aos 37, em uma nova bola aérea, originada em cobrança de escanteio, Serna ganhou de Zé Welison e Tchamba para cabecear e marcar o gol da virada. No fim das contas, a estratégia pensada pelo Remo funcionou pela metade, ou melhor, meio tempo, e o time acumulou mais uma derrota no Brasileirão.
Aos 37 min do 2º tempo – gol de cabeça de Kevin Serna do Fluminense contra o Remo
Há um caminho a seguir, como bem destacado por Gabriel Taliari e Léo Condé ao final do jogo: nas próximas cinco rodadas, o time azulino fará quatro jogos em casa (contra Coritiba, Flamengo, Santos e Grêmio). Nos últimos nove pontos que disputou em Belém, conquistou sete, vencendo São Paulo e Vitória, empatando contra o Atlético-MG. Para essa sequência, as estratégias precisarão funcionar por inteiro para o objetivo de seguir na Série A seguir real.
Gabriel Taliari, atacante do Remo, em ação no jogo contra o Fluminense
Lucas Merçon / Fluminense FC geRead More