Análise: Guarani tem outro apagão e precisa se reinventar para manter sonho do acesso na Série C
Melhores momentos de Guarani 2 x 2 Ypiranga, pela 17ª rodada da Série C
Parece até filme repetido, com o mesmo enredo e o mesmo final. Mais uma vez, o Guarani saiu na frente, cedeu o empate e desperdiçou a chance de encaminhar a vaga ao quadrangular final da Série C.
Restando dois jogos para o fim da primeira fase, o Bugre deixou o Brinco de Ouro vaiado pelo próprio torcedor e com o emocional novamente colocado em xeque. A solução, agora, é uma só: se reinventar para salvar o ano.
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Assim como na partida contra o Anápolis, o jogo se ofereceu ao Guarani. O time abriu 2 a 0, controlava uma partida que poderia ter sido decisiva para a classificação, mas se recusou a fazer um jogo seguro. Em um apagão de apenas quatro minutos, viu tudo cair por terra.
O Guarani, que tinha uma classificação bem encaminhada, agora vê o G-8 embolar mais do que gostaria. A equipe de Elio Sizenando fecha a rodada na quarta colocação, com 27 pontos – três a menos que o líder e apenas três a mais que o Amazonas, primeiro time fora da zona de classificação.
Guarani x Ypiranga-RS – Série C
Anderson Romão/AGIF
Mesmo depois de Maurício Antônio ampliar a vantagem aos nove minutos do segundo tempo, o Guarani não teve personalidade e humildade para entender o jogo. Repetiu o roteiro da partida contra o Anápolis.
Primeiro, aos 17 minutos, após cruzamento para a área, Jonathan Costa e Maurício Antônio se atrapalharam na comunicação e deixaram Pedro Lucas livre para diminuir. Quatro minutos depois, em chute de fora da área, Lucas Ramos venceu Caíque França e deixou tudo igual.
Foi o segundo apagão consecutivo em um momento decisivo de uma partida que o Guarani tinha condições de controlar.
A partir daí, faltaram ao Bugre alguns elementos importantes.
Guarani x Ypiranga-RS; Série C
Raphael Silvestre
Não teve emocional: os jogadores nitidamente sentiram o apagão. Alguns, como Ynaiã e Carlos Eduardo, não conseguiram se blindar das reações das arquibancadas e passaram a jogar também contra a própria pressão.
Em uma reta final de campeonato, com a classificação ao quadrangular em jogo, esse é um problema que não pode ser ignorado. O Guarani precisa saber sofrer sem transformar cada adversidade em uma crise dentro da própria partida.
Não teve organização: Elio Sizenando também não conseguiu encontrar respostas no banco. Kauã Jesus, Matheus Guilherme, Neto Costa e Ynaiã não deram a dinâmica que o Guarani precisava para recuperar o controle do jogo.
As alterações pouco acrescentaram e, em alguns momentos, até tiraram velocidade da equipe. Maranhão e Everton Brito ficaram no banco em uma partida na qual o Guarani precisava justamente de mais velocidade e presença de área para voltar a incomodar o Ypiranga.
Não teve calma: depois do primeiro gol sofrido, principalmente por se tratar de uma falha de comunicação entre os zagueiros, o Guarani não conseguiu esfriar a partida.
Em vez de controlar o ritmo, administrar a vantagem e obrigar o adversário a correr riscos, trouxe o Ypiranga para perto. Cedeu espaços que são fatais dentro da Série C – exatamente como aconteceu no segundo gol do Anápolis, na rodada anterior.
Guarani x Ypiranga-RS
Raphael Silvestre
O problema não foi apenas sofrer dois gols. Foi a maneira como o Guarani reagiu a eles.
O Bugre deixou o Brinco de Ouro sob vaias. E as vaias não parecem ser apenas porque a torcida deixou de acreditar na classificação. São também consequência da sensação de que o próprio Guarani insiste em tornar mais difícil uma missão que já é complicada por natureza.
O time tem apenas uma vitória nos últimos sete jogos. Nas últimas duas partidas, abriu vantagem, teve o controle do resultado nas mãos e permitiu que os adversários voltassem para o jogo.
Isso não pode se repetir nos dois compromissos que restam.
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Botafogo-PB e Brusque são concorrentes diretos pelo G-8. Não haverá margem para novos apagões, principalmente porque os dois adversários também estarão disputando pontos importantes pela classificação.
Os jogadores transformaram os próximos jogos em finais. Agora, vão precisar mostrar uma personalidade que faltou em boa parte das últimas sete partidas – com exceção da vitória sobre a Inter de Limeira – para cumprir a primeira parte da missão.
O Guarani ainda depende das próprias forças para chegar ao quadrangular final. Mas, se avançar, terá de ser uma versão bem diferente daquela que deixou escapar uma vitória praticamente encaminhada contra o Ypiranga.
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