Análise: jovens da Ponte são jogados aos leões, mas mostram o que falta à diretoria
Não há outra maneira de começar essa análise que não seja enaltecendo os 18 jogadores da Ponte Preta que foram a Belo Horizonte para enfrentar o América-MG.
Os pratas da casa, que deveriam estar em processo de formação e sendo preparados para o futuro, foram jogados aos leões pelos dirigentes do clube.
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Diante da pior crise da história da Ponte em 126 anos, os responsáveis pela condução da instituição ainda conseguiram aumentar a vergonha em um cenário nacional.
Há quem defenda que o W.O. seria ainda pior para a imagem da Ponte. Talvez fosse. Mas a discussão deveria ser outra: como deixaram chegar a este ponto?
Ponte usou só jogadores da base contra o América-MG
Panda Mourão
A Ponte ultrapassou a barreira da crise esportiva. É uma crise trabalhista, financeira e humanitária. Os jogadores não têm condições adequadas de trabalho, a começar pelos meses de salários atrasados. E o problema chegou também às categorias de base.
Os garotos que deveriam estar sendo preparados para o futebol profissional acabaram colocados em uma situação que nenhum deles deveria enfrentar neste momento da carreira. E, ainda assim, sobrou coragem aos jogadores para encarar o problema. Bem diferente dos dirigentes.
América-MG x Ponte Preta; Vinicius
Panda Mourão
Em uma das semanas mais turbulentas da história recente do clube, o presidente Luiz Torrano sequer apareceu para assumir a responsabilidade em público que a situação exigia. Enquanto isso, os jogadores precisaram assumir uma missão que deveria ser da diretoria: colocar a Ponte em campo.
Os jogadores da base saíram do Independência extenuados. Honraram a camisa e entregaram o máximo que tinham, mesmo com as limitações normais de quem ainda está em formação e foi colocado na fogueira diante de um adversário de Série B.
A derrota para o América-MG já era previsível. Não havia como exigir desses garotos o resultado que a Ponte precisava. O constrangimento do W.O. foi evitado por eles. Mas isso não torna a situação justa. Muito pelo contrário.
América-MG x Ponte Preta; Série B 2026
Panda Mourão
Se os dirigentes tivessem demonstrado a mesma determinação desses garotos, talvez a situação da Ponte fosse diferente.
Esses jogadores fizeram o que estava ao alcance deles. Não criaram a crise, não atrasaram salários, não administraram o clube, não causaram a paralisação dos profissionais e tampouco foram responsáveis pela montagem de um elenco que afunda na lanterna da Série B.
Mesmo assim, foram eles que precisaram entrar em campo para impedir que a Ponte deixasse de disputar uma partida oficial.
E existe uma discussão que ultrapassa a Ponte Preta: a CBF precisa olhar para esse tipo de situação com atenção. A crise de um clube não pode comprometer a integridade de uma competição inteira. O campeonato precisa ter mecanismos capazes de evitar que situações extremas como essa se repitam.
Luiz Torrano, presidente da Ponte, ao lado do vice Eberlin
Marcos Ribolli
Contar a história da Ponte Preta em 2026 no futuro será muito difícil. São muitos capítulos negativos em uma temporada que parece ter sido construída para testar os limites do torcedor.
Mas há uma certeza: nos poucos parágrafos positivos sobre a situação do clube, esses jovens jogadores serão lembrados.
Serão lembrados porque, quando a Ponte mais precisou, eles foram. Foram para Belo Horizonte. Entraram em campo. Correram até o limite. E evitaram que a história terminasse ainda pior. É uma diferença brutal em relação a quem deveria estar protegendo esses garotos.
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Luiz Torrano, Marco Antônio Eberlin, João Brigatti, Ricardo Koyama e tantos outros dirigentes que participaram da condução da Ponte em 2026 terão muito a explicar quando essa temporada finalmente terminar.
Porque a Ponte já ultrapassou todos os limites possíveis de uma crise.
E, para o torcedor pontepretano, fica uma sensação cada vez mais difícil de ignorar: na Ponte de 2026, a maior vergonha do clube parece ser sempre a próxima.
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