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Bastidores: desgaste no vestiário e queda de rendimento causaram saída de Elio do Guarani

Bastidores: desgaste no vestiário e queda de rendimento causaram saída de Elio do Guarani

Guarani optou pela saída do técnico Elio Sizenando
Elio Sizenando viveu seus últimos momentos como técnico do Guarani no último sábado, no Almeidão, em João Pessoa. O treinador foi comunicado sobre a saída horas depois da derrota de virada por 3 a 1 para o Botafogo-PB, pela penúltima rodada da primeira fase da Série C.
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Até então, a expectativa de Elio era permanecer no comando para a última rodada. Depois da partida, o treinador concedeu um rápido pronunciamento e já projetava o confronto com o Brusque, no próximo sábado, no Brinco de Ouro. A decisão, porém, partiu da diretoria e mudou o planejamento para a partida que pode definir a classificação ao quadrangular final.
Elio Sizenando com jogadores do Guarani
Raphael Silvestre/Guarani FC
A queda de rendimento foi o principal fator. O Guarani venceu apenas uma das últimas oito partidas e perdeu a vantagem que havia construído no G-8. O Bugre chegou a liderar a Série C, mas entrou na rodada final com 27 pontos e ainda ameaçado de ficar fora da próxima fase.
Além dos resultados, porém, havia um desgaste crescente entre Elio e parte do elenco. A relação já era acompanhada internamente pelo departamento de futebol, principalmente pela maneira como alguns jogadores passaram a ser utilizados – ou deixaram de ser utilizados – durante a sequência ruim.
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O assunto, inclusive, foi abordado publicamente na semana passada. Na quinta-feira, o zagueiro Jonathan Costa foi questionado sobre um possível distanciamento entre comissão técnica e elenco e afirmou que o vestiário estava fechado com Elio.
A declaração, naquele momento, representava a posição do grupo. Internamente, porém, havia diferentes percepções sobre o treinador. Parte dos jogadores tinha relação positiva com Elio, especialmente atletas que chegaram ao clube ou ganharam espaço durante o trabalho do técnico.
É o caso de Carlos Eduardo, Neto Costa e Matheus Guilherme, que trabalharam com Elio no Capivariano antes de reencontrá-lo no Guarani.
Elio vive momento de pressão após sequência ruim na Série C
Por outro lado, jogadores com menos participação passaram a demonstrar incômodo com a falta de oportunidades. O caso mais evidente foi o do argentino Diego Torres, que recebeu férias depois de não chegar a um acordo para uma rescisão amigável. O meia não entra em campo há três meses.
Outros atletas que perderam espaço ao longo do trabalho também geraram questionamentos internos sobre os critérios utilizados pela comissão técnica.
A relação com o elenco não foi, portanto, o único motivo para a saída, mas passou a ser considerada um ponto de atenção pela diretoria. A avaliação era de que o desgaste poderia dificultar ainda mais a missão de recuperar o time para a última rodada.
Pressão e pendências financeiras
O resultado em João Pessoa acabou sendo determinante. O Guarani abriu o placar com João Paulo, mas sofreu três gols no segundo tempo e perdeu por 3 a 1. Foi a quinta partida consecutiva em que o Bugre saiu na frente, e a quarta neste período que não conseguiu sustentar a vantagem.
A atuação também aumentou a avaliação interna de que as escolhas de Elio para o jogo não surtiram o efeito esperado. O treinador, inclusive, reconheceu depois da partida a necessidade de corrigir aspectos emocionais para o confronto com o Brusque.
Elio Sizenando, ex-técnico do Guarani
Raphael Silvestre/Guarani FC
A derrota, somada à pressão que já havia aumentado depois do empate com o Ypiranga-RS, fez a diretoria entender que era necessário mudar o ambiente antes da rodada decisiva.
A mudança no comando acontece em um momento de dificuldades financeiras para o Guarani.
O clube ainda convive com atrasos nos pagamentos ao elenco e à comissão técnica. Mais um prazo referente aos direitos de imagem venceu no dia 20, e o Conselho de Administração trabalha para conseguir recursos e reduzir as pendências.
Rômulo Amaro, presidente do Guarani, conversa com o executivo Carlos Frontini
Raphael Silvestre/Guarani FC
O cenário financeiro também fazia parte do ambiente enfrentado por Elio. A dificuldade para manter os jogadores motivados e concentrados em meio aos atrasos era considerada mais um obstáculo durante a sequência de resultados ruins.
A prioridade da diretoria agora é tentar regularizar ao menos parte dos valores pendentes e, ao mesmo tempo, definir o substituto de Elio.
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A tendência inicial é de que Marcelo Marelli, auxiliar fixo do Guarani desde março, comande a equipe de forma interina contra o Brusque. A diretoria, porém, já começou a avaliar nomes no mercado para assumir o time ainda nesta semana.
Entre as alternativas consideradas estão profissionais que já conhecem o clube, como Umberto Louzer e Alberto Valentim. A ideia é encontrar rapidamente um treinador capaz de criar uma nova atmosfera no vestiário para a decisão de sábado.
Louzer
Raphael Silvestre/Guarani FC
Caso não haja acordo em tempo hábil, Marcelo Marelli tem a aprovação do elenco para assumir a equipe. Outra possibilidade seria a participação de Jairo Blumer, técnico do sub-20, em uma comissão interina.
O Guarani chega à última rodada com 27 pontos e ainda depende apenas de si para avançar ao quadrangular final. Uma vitória sobre o Brusque, no sábado, às 17h, no Brinco de Ouro, garante a classificação.
O desafio agora é conseguir, em poucos dias, transformar a troca no comando em uma reação dentro de campo.
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