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Brasileira mais cara da história, Kerolin quase amputou a perna na infância e superou doping

Brasileira mais cara da história, Kerolin quase amputou a perna na infância e superou doping

Vendida ao Barcelona, Kerolin se torna a jogadora brasileira mais cara de todos os tempos
Anunciada nesta terça-feira pelo Barcelona, em uma negociação junto ao Manchester City no valor de 1,2 milhão de euros (cerca de R$ 7 milhões), com bônus previstos em contrato, a atacante Kerolin tem uma trajetória marcada pela superação.
Aos 26 anos, ela vive a melhor fase da carreira, sendo um dos pilares da seleção brasileira para a Copa do Mundo de 2027, no Brasil, e agora protagonizou a maior transferência envolvendo uma jogadora do Brasil.
Antes de chegar ao Barcelona, com contrato até 2030, a atacante enfrentou obstáculos ao longo da vida. O primeiro foi logo aos 12 anos, quando uma infecção quase a fez perder uma perna.
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Kerolin durante a Copa América de 2025 pelo Brasil
Lívia Villas Boas/CBF
À época, Kerolin começou a sentir muita dor na perna direita quando ainda jogava futebol com os meninos pelas ruas de Campinas.
O diagnóstico assustou: estava com osteomielite, uma infecção no osso, correndo o risco de precisar amputar a perna direita.
– Para mim, naquela idade, foi assustador. Passei três meses em um hospital com a minha mãe. Eu não sabia o que poderia acontecer comigo, só queria estar com minha família. Minha mãe ia trabalhar e voltava para o hospital. Essa era a rotina dela todos os dias. Ela que me deu força para continuar acreditando que iria sair daquela situação. Me disseram também que eu poderia ter perdido minha perna e que tive muita sorte. Isso me fez acreditar que eu poderia voltar a jogar. Nunca pensei em desistir, pois tinha que superar o medo e voltar a fazer o que mais gostava – disse em entrevista ao ge em 2022.
Kerolin nasceu em Bauru e se mudou para Campinas ainda muito nova. Recuperada da doença na infância, ela defendeu o Guarani em 2016 e ganhou destaque na Ponte Preta em 2017 (veja no vídeo abaixo), sendo convidada pelo Corinthians/Audax para disputar a Libertadores Feminina, levantando a taça com apenas 17 anos.
Futebol feminino da Ponte Preta chega às semifinais do Campeonato Paulista
Dois anos fora por doping
As boas atuações chamaram a atenção de clubes brasileiros e estrangeiros, fazendo com que a atleta fosse para o Palmeiras em 2019.
Mas um mês após a transferência, a jogadora testou positivo em exame antidoping do ano anterior na disputada da Libertadores, ainda pelo Audax, indicando a substância GW1516, que aumenta os músculos de resistência e também auxilia na queima da gordura do corpo.
A jogadora recebeu uma suspensão e teve de ficar fora dos gramados durante dois anos. Kerolin estava na pré-lista para Copa do Mundo Feminina de 2019, na França, e viu o futuro da carreira ficar em xeque mais uma vez.
‘Se Não Fosse Você’: Kerolin fala sobre importância da Pia Sundhage
Em 2021, quando ficou liberada a atuar depois de sua punição, Kerolin foi convocada diretamente para seleção brasileira, na disputa de dois amistosos contra a Argentina. A jogadora descobriu que estava sendo olhada por Marta, que teria conversado com Pia Sundhage para sua convocação.
Decolando para o sucesso
Kerolin, então, seguiu para o Madrid CFF, dando início à carreira no futebol internacional.
A atacante também passou pela liga dos Estados Unidos, onde defendeu North Carolina Courage, em 2022. No ano seguinte, Kerolin sofreu uma ruptura no ligamento cruzado anterior (LCA) do joelho direito e ficou novamente mais de oito meses fora dos gramados.
Foi mais um processo na trajetória do atacante. Ela precisou correr contra o tempo para ter a mínima possibilidade de chegar bem na disputa dos Jogos Olímpicos com a seleção brasileira.
Kerolin conseguiu e disputou os Jogos Olímpicos de Paris com a seleção brasileira, conquistando a medalha de prata na ocasião. A jogadora marcou um dos gols na vitória do Brasil contra a Espanha pela semifinal.
Kerolin relata experiência de ser primeira brasileira a jogar no Manchester City feminino
A brasileira ficou na NWSL, com o North Carolina, até janeiro de 2025, quando se transferiu para o Manchester City, na Inglaterra, com contrato até 2028.
No City, Kerolin se tornou na temporada passada a primeira brasileira a conquistar o Campeonato Inglês Feminino, além de ganhar a Copa da Inglaterra, também em 2025/26.
Números recordes
As negociações entre espanholas e inglesas estavam em andamento nas últimas semanas, com pelo menos duas propostas iniciais recusadas até o acerto.
No futebol brasileiro, a contratação de Kerolin supera a venda de Amanda Gutierres do Palmeiras para o Boston Legacy, em outubro do ano passado, por 1,1 milhão de dólares (cerca de R$ 5,89 milhões na cotação da época).
Antes de Kerolin, o maior valor de uma compra do Barcelona era da inglesa Keira Walsh, que também trocou o Manchester City pelo clube espanhol, em 2022, por 460 mil euros (cerca de R$ 2,56 na cotação da época). geRead More