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Camisa 10 do Guarani se profissionalizou aos 21 anos e já foi gerente de feira

Camisa 10 do Guarani se profissionalizou aos 21 anos e já foi gerente de feira

João Paulo, do Guarani, chegou a abrir mão do futebol para trabalhar com a mãe
Vestir a camisa 10 de um clube tradicional é uma responsabilidade e tanto. No Guarani, esse peso ganha contornos ainda mais históricos quando se lembra de nomes como Zenon, Neto e Djalminha. Hoje, quem carrega essa missão no Brinco de Ouro é o meia João Paulo, de 36 anos.
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Um dos jogadores mais experientes do atual elenco bugrino, ele entende bem o que o número representa nas costas.
João Paulo em ação contra o Amazonas
Raphael Silvestre/Guarani FC
– A gente já vem com essas histórias lá do passado, que o camisa 10 é a referência, principalmente por causa do Pelé, que é o nosso rei. Tem o peso, mas a gente tá adaptado a essa pressão pra poder sempre fazer o nosso melhor – conta o jogador, em papo exclusivo com o Globo Esporte.
O respeito pela história do clube passa também por quem João Paulo viu em campo.
– Eu cheguei a jogar contra o Fumagalli, em 2016. Ele é um dos ídolos que usou a camisa 10 e representou a instituição. Fico feliz por também usar uma camisa 10 que é pesada.
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De gerente de feira ao “terrão”
Se hoje João Paulo desfila experiência em gramados profissionais, no passado o futebol precisou sair de cena. Para ajudar em casa, o sonho de ser jogador foi substituído pela rotina pesada do comércio.
João Paulo, meia do Guarani
Raphael Silvestre/Guarani FC
– Quando eu era criança, minha mãe era feirante. Eu acordava cedo pra ir pra feira com ela e com minhas irmãs. Chegou um momento em que eu fui crescendo, arrumei um emprego, comecei a trabalhar viajando e não conseguia mais jogar.
A rotina de João Paulo envolvia viagens longas e muita responsabilidade com a logística dos alimentos.
– Eu saía da Paraíba pro Rio Grande do Norte. A gente ficava uns quatro dias, ia pegar na Ceasa as frutas, as verduras. Eu era meio que o gerente, cuidava de tudo.
Por causa do trabalho, ele não teve a oportunidade de passar pelas tradicionais categorias de base dos clubes. Quando sobrava uma brecha na agenda, o destino era a várzea.
– Eu até brinco com alguns amigos: minha base foi jogando no terrão lá na Paraíba. Geralmente, o campo é ruim. E aí, na adaptação pro profissional, eu tive um pouco de dificuldade. Mas tive pessoas que já jogavam e vieram conversar comigo. Eu estava iniciando um ciclo.
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A virada de chave aconteceu quando João Paulo tinha 21 anos. Ele decidiu largar o emprego para fazer um teste na Desportiva Guarabira, clube de sua cidade natal, na Paraíba. A notícia da aprovação chegou de forma inusitada.
Meia João Paulo é apresentado no Guarani
– Minha irmã estava escutando a rádio em casa e aí falaram o meu nome. Ela não entendeu nada, ligou pra minha mãe, que me perguntou o que estava acontecendo. Eu disse: “Não sei” (risos). Aí me ligaram e disseram que a gente ia pra uma cidade vizinha fazer a pré-temporada e eu faria parte do elenco.
E a estreia não poderia ter sido melhor.
– Deus me presenteou com um gol. A gente empatou e foi meu primeiro gol como profissional, em 2011.
A partir daquele momento, João Paulo nunca mais deixou os gramados profissionais. Acumulou passagens por clubes como Cruzeiro e Ponte Preta, e realizou sonhos de menino. O maior deles? Jogar no principal palco do futebol brasileiro.
– Eu tinha o sonho de jogar no Maracanã. Eu joguei e Deus ainda me coroou com um gol. Foi pelo Avaí, contra o Fluminense, em 2019, na Série A.
João Paulo comemora gol no Maracanã
RUDY TRINDADE/FRAMEPHOTO/ESTADÃO CONTEÚDO
De volta ao time do Guarani após um período no departamento médico, João Paulo vive um bom momento. Na atual edição da Série C, o camisa 10 já marcou três gols e vem de uma assistência importante na recente vitória sobre a Inter de Limeira.
O objetivo agora é usar a bagagem de quem venceu na vida para colocar o nome na história do Bugre.
– Pezinho no chão, humildade. A gente ainda não ganhou nada, mas vamos procurar no dia a dia melhorar, a gente tem margem pra isso. Pra no final da competição a gente coroar com o acesso.
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