Cavaleiro critica confederação e decide não competir mais com equipe do Brasil; CBH rebate
Guilherme Costa traz as novidades do esporte no giro olímpico do Redação sportv
Ao ficar fora da equipe brasileira de saltos que compete nos Jogos Mundiais Equestres, em Aachen, na Alemanha, o cavaleiro Yuri Mansur anunciou que não pretende mais representar o Brasil. Ele soltou um comunicado em suas redes em que cita disputa de poder entre os próprios atletas, critica dirigentes e questiona a falta de critérios para a definição do titulares do time brasileiro. Disse receber “o tratamento mais deplorável” da atual gestão da Confederação Brasileira de Hipismo (CBH). “Fui chantageado, desprezado e maltratado”, escreveu Yuri. O ge procurou o atleta e a CBH, que divulgou uma nota sobre o caso frisando que adota regras exclusivamente técnicas (veja no fim da reportagem).
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Brasileiro Yuri Mansur na disputa do hipismo por equipes nas Olimpíadas de Tóquio
REUTERS/Alkis Konstantinidis
Segundo informações da “Revista Horse”, a definição sobre o quarteto titular do Brasil nos saltos e suas montarias foi divulgada em cima do Mundial e gerou divergências internas. Inicialmente, Yuri tinha sido convocado para a preparação com QH Alfons Santo Antonio. A lista oficial divulgada pela CBH para a disputa de saltos no Mundial, sem Yuri, tem o campeão olímpico Rodrigo Pessoa (com Major Tom), Stephan Barcha (Chevaux Primavera Império Egípcio), Marlon Zanotelli (Dorette OLD), Luciana Diniz (Vertigo du Desert) e Pedro Muylaert Gemme Villers). Nesta quarta-feira, primeiro dia das disputas de saltos, a equipe brasileira terminou em 15º lugar entre 31 participantes. A competição segue até domingo.
Ao ge, Yuri disse ter vivido com a equipe uma falta de gestão, com critérios sem definição para formação do time.
– A gente começou os treinamentos, o treinamento desse conjunto não foi bom. A gente já ouvia que ele já seria colocado na reserva. Cria-se também esse ambiente entre colegas que não é legal, vai criando um ambiente horrível. E enfim chega a tal da reunião, né? Que é o treinador, o chefe de equipe, o veterinário e todos os integrantes da equipe, uma amazona e quatro cavaleiros. A reunião já começa de uma forma crítica, porque o treinador abre olhando para o Rodrigo Pessoa e falando assim: “Quem que define a equipe?”. O Rodrigo fica até sem jeito, lógico, né? Porque ficou até parecendo irônico. Aí ele olha para o lado, pergunta para o chefe de equipe: “Quem que define a equipe?”. Aí o chefe de equipe não fala nada.
Yuri revela como soube que não seria titular no Mundial de Aachen.
– Sábado à noite tinha um churrasco de despedida. Não era obrigatório ir, pedi a minha ausência, foi concedida. No dia seguinte, quando dá duas e meia da tarde, eu resolvo ligar para o veterinário da equipe para perguntar algumas coisas sobre o controle veterinário na segunda-feira em Aachen. Ele entende que eu não sei de nada e fala: “Pô, vou ser eu que vou ter que falar isso? Marlon vai no seu lugar” – conta Yuri. – O que eles tentaram fazer foi ainda pior, que eu não soubesse e levasse meu cavalo segunda-feira pra Aachen, para ser o reserva de luxo. Caso acontecesse, porque nossa equipe é feita de cavalos velhos, a chance de um falhar no controle veterinário existia. Isso aí foi inaceitável, não tem nem palavra para uma coisa dessa, né?
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Yuri Mansur não competirá mais com equipe do Brasil
Friso Gentsch/picture alliance via Getty Images
Diante disso, Yuri diz ter tomado a decisão de deixar a equipe e não competir mais em grupo pelo Brasil.
– Agora, até então, eu nunca senti que a minha dignidade estava em jogo. Eu tive que fazer coisas que eu não gostava, tive que aceitar coisas com as quais não concordava, tive que ver coisas que eu não gostei, mas a minha dignidade final, ela não foi atingida. Aí não, desse jeito foi uma traição. Foi uma situação desrespeitosa. E o pior de tudo é que até agora, da comissão inteira, metade não me deu nem um telefonema.
Ele frisa que segue torcendo pelos companheiros da equipe.
– Eu quero que eles brilhem lá. Eu estou, juro que eu estou, torcendo por eles, cara, pelo meu país. Só que esse sistema tem que acabar. Ah, se eu vou conseguir mudar isso ou não, eu não sei, mas que vão saber como que funciona e que rumo cada um vai poder tomar. É uma decisão a respeito disso. Isso é meu compromisso com o esporte que eu amo.
Possível troca de nacionalidade no hipismo
O futuro de Yuri pode incluir a Holanda como destino para competir.
– Eu moro na Holanda, tenho passaporte holandês, e meu filho (Pedro) representa a Holanda, é campeão europeu. Meu filho é o melhor mirim do mundo. Eu tenho a possibilidade da Holanda certa para competir. Inclusive eu tive o convite de outros países também durante esses dois dias. Sem uma revolução enorme e um fechamento do grupo dos cavaleiros, onde todas as mágoas entre nós estejam realmente no passado, eu não tenho vontade nenhuma (de voltar a competir em grupo pelo Brasil). Eu não consigo ver isso acontecer. Adoraria. No momento eu vou representar o Brasil individualmente. Não faço mais equipe.
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A nota de Yuri Mansur
Após mais de uma década da minha chegada à Europa, após um longo período da minha vida dedicado a evoluir, honrar e representar meus pais, deparei-me hoje com o pior episódio dessa jornada. Não que todos esses anos tenham sido fáceis, bem longe disso: conviver com tanta incompetência, falta de dirigentes aptos, tanta disputa de poder entre os próprios atletas, total falta de compromisso com o que realmente importa e ausência de uma unidade com mentalidade vencedora. Todo ano é o mesmo processo e resultado: brigas, ofensas, falta de comunicação deliberada, falta de regras e processos honestos, protecionismo e nenhum resultado…Evidentemente, alguns de nós conseguimos, durante esses anos, resultados expressivos e incríveis, mas como time… sempre o mesmo: o “perto do quase”. Dessa gestão, a pior que já testemunhei, recebi o tratamento mais deplorável. Fui chantageado, desprezado e maltratado. E, mesmo assim, segui em frente e me doei ao máximo a este país.
Mas os acontecimentos deste domingo, 16/08/2026, ultrapassaram todos os limites de ética, respeito e esportividade. É por isso, e com grande tristeza, que anuncio uma decisão difícil. A partir de hoje, não representarei as cores do Brasil em campeonatos e/ou Copas das Nações.
Para todos os atletas que vão ao Mundial representar o Brasil, desejo, de coração, toda a sorte do mundo. Estarei torcendo por vocês!
Para essa gestão, fica meu sentimento de pena.
A nota da CBH
A Confederação Brasileira de Hipismo (CBH), diante das recentes publicações sobre a composição da equipe brasileira de Salto para o FEI World Championships Aachen 2026, esclarece os fatos relacionados à definição do time.
Em junho, a CBH convocou sete atletas para representar o Brasil: Luciana Diniz, Marlon Zanotelli, Rodrigo Pessoa, Stephan Barcha e Yuri Mansur, Eduardo Pereira de Menezes e Pedro Muylaert.
Desde a convocação, estava estabelecido que, entre os sete atletas nominados, cinco fariam parte do time em Aachen, quatro integrariam a equipe titular e um permaneceria como reserva. Essa estrutura é habitual nas equipes de alto rendimento e era de conhecimento de todos os envolvidos desde o início do processo.
A definição da composição final ficou condicionada ao período de concentração realizado em Aachen, entre os dias 11 e 16 de agosto, durante o qual os conjuntos foram acompanhados e avaliados pela comissão técnica. Até o momento da definição final, qualquer um dos cinco atletas convocados poderia ser nomeado para entrar em pista. Não havia, portanto, confirmação prévia de titularidade nem definição antecipada sobre quem ocuparia a posição de reserva.
A escolha foi conduzida pelo técnico internacional Franke Sloothaak e por sua equipe, com base em critérios exclusivamente técnicos e buscando a formação considerada mais adequada para representar o Brasil no Campeonato Mundial. A decisão foi especialmente difícil diante do elevado e equilibrado nível técnico dos atletas convocados.
Após a comunicação da provável composição da equipe, o atleta decidiu deixar o centro de treinamento. A CBH respeita a decisão do atleta. Em razão de sua saída, tornou-se necessária a convocação de um dos nomes previamente indicados na lista de espera, e Pedro Muylaert passou a integrar o time brasileiro.
A CBH ressalta que a manifestação do atleta ocorreu antes da nomeação definitiva dos cavaleiros, etapa formalizada somente após o treino oficial e a ambientação da equipe em Aachen. Caso Yuri Mansur tivesse optado por permanecer, seguiria integrando a delegação brasileira.
Decisões técnicas fazem parte da rotina de qualquer temporada esportiva, assim como é legítima a decisão de um atleta de seguir outro caminho. A CBH agradece a Yuri Mansur por sua trajetória de sucesso junto à equipe brasileira e deseja muito sucesso nesta nova etapa de sua carreira, lamentamos o ocorrido.
Neste momento, o foco da CBH, da comissão técnica e de toda a delegação está integralmente voltado para Aachen e para o trabalho que vem sendo desenvolvido. Com atletas confiantes, uma equipe comprometida e uma torcida brasileira presente e engajada, a expectativa é de excelentes resultados para o Brasil nos próximos dias de competição. geRead More


