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Ceará vai receber primeira fábrica do Brasil de curativos à base de pele de tilápia

Ceará vai receber primeira fábrica do Brasil de curativos à base de pele de tilápia

 Ceará fortalece polo de biotecnologia com primeira fábrica do Brasil de curativos à base de pele de tilápia.
Divulgação
O Ceará vai receber a primeira fábrica do Brasil de curativos à base de pele de tilápia. O equipamento deve ficar sediado na cidade de Jaguaribara, no Vale do Jaguaribe, a cerca de 226 quilômetros de Fortaleza. A previsão é de que, em até 15 meses, os trâmites para a instalação da fábrica estejam prontos, como a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e compra dos equipamentos necessários.
O objetivo é produzir, em escala industrial, curativos biológicos à base de pele de tilápia liofilizada – uma pele desidratada, embalada a vácuo e esterilizada antes de ser usada em pacientes. A iniciativa ocorre em parceria entre o Governo do Ceará e a empresa BIOTEC Medical Xenograft Engineering.
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O tratamento com pele de tilápia começou a ser desenvolvido em 2015 no Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos (NPDM) da Universidade Federal do Ceará (UFC), com participação de pesquisadores do Ceará, Pernambuco e Goiás. O curativo com base em animais aquáticos é inédito no mundo.
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De acordo com o Governo Federal, o principal diferencial da fábrica em Jaguaribara é o uso da tecnologia de liofilização (desidratação) e esterilização por radiação gama, que permite armazenar os curativos em temperatura ambiente, sem necessidade de refrigeração. No momento da utilização, basta reidratar o material com soro fisiológico.
“A inovação facilita o transporte para regiões remotas, áreas de conflito e locais atingidos por desastres, ampliando o potencial de uso humanitário e hospitalar. A expectativa é que cerca de 50% da produção seja destinada ao mercado internacional, abastecendo hospitais e centros médicos da Europa, das Américas e da Ásia”, informou o Governo Federal.
Ao g1, o Secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado (SDE), Fábio Feijó, disse que a pasta estima gerar mais de 200 empregos no primeiro ano de funcionamento da fábrica e cerca de 300, no segundo. A escolha pela cidade de Jaguaribara não é à toa, já que, segundo o secretário, ela é a cidade do Ceará com maior produção de tilápia.
“É a número um do Ceará e a 14° do Brasil. E geograficamente ela também é interessante porque está a 130 quilômetros do segundo colocado, que é a cidade de Orós. Isso já aguçou o interesse do investidor. Outro aspecto foi o impacto social e econômico que esse empreendimento poderia dar para a cidade de Jaguaribara. A produção de tilápia é a principal fonte econômica de lá”, explica Feijó.
Segundo o secretário, ainda faltam algumas etapas importantes, como a aprovação da Anvisa. “O cronograma do investidor é que, em 15 meses, ele esteja totalmente apto e pronto no seu licenciamento da Anvisa para o início da produção. A gente harmonizou o cronograma dele para fechar a última peça que faltava para ele, que era a gente prover todos os incentivos para a fábrica se instalar em Jaguaribara”, ressaltou.
Fábio acredita que a chegada da fábrica no interior do Ceará coloca o município de Jaguaribara e toda a região em um cenário estratégico no setor de biotecnologia e bioengenharia. A importância resultou até em uma nova aposta do Governo: negociar um curso de bioengenharia na sede cearense do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), instalada na Base Aérea de Fortaleza (BAFZ), no Bairro Aeroporto.
“Como a gente agora está entrando no cenário de bioindústria e, efetivamente, lançamos uma estratégia de atração e desenvolvimento em bioengenharia, estamos agora em discussões com o Governo Federal e o Ministério da Aeronáutica para ter um terceiro curso no ITA de bioengenharia”, revelou Fábio Feijó.
Quais as vantagens do curativo?
Pesquisa com pele de Tilápia no NPDM.
Divulgação/Viktor Braga
De acordo com a UFC, o uso de curativo à base de pele de tilápia melhora a qualidade de vida dos pacientes, reduzindo o limiar de dor, o número de trocas de curativos, o risco de infecções, a permanência hospitalar, o gasto de insumos médicos, além de diminuir a carga de trabalho da equipe médica durante o tratamento de queimaduras e feridas.
“Você vai ter uma outra opção terapêutica para queimaduras e uma opção terapêutica mais barata, que vai diminuir os custos do Sistema Único de Saúde. E além do mais você vai ter um produto que acelera a cicatrização, diminui a dor, evita infecção e diminui consideravelmente os custos também. A importância disso é realmente fabulosa não só para o Sistema Único de Saúde, mas principalmente para a sociedade de uma forma geral”, explicou Manoel Odorico de Moraes Filho, pesquisador na área de farmacologia e um dos coordenadores das pesquisas com pele de tilápia no Ceará.
O projeto tem participação da Universidade Federal do Ceará (UFC), por meio do Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos (NPDM), do Instituto Doutor José Frota (IJF), do Instituto de Apoio ao Queimado (IAQ), do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), além da Secretário de Desenvolvimento Econômico do Ceará, da Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece) e da BIOTEC Medical Xenograft Engineering.
Uso da pele de tilápia
Amostras da pele de tilápia serão enviadas ao espaço pela NASA para passar por testes em órbita.
Saulo Roberto/Sistema Verdes Mares
A pele da tilápia foi utilizada inicialmente no tratamento de queimados. A técnica para a recuperação desses pacientes desenvolvida pela Universidade Federal do Ceará (UFC) chegou a ser exportada e usada para curar queimaduras de ursos na Califórnia.
Houve êxito na aplicação em cirurgias ginecológicas, técnica idealizada pelo médico Leonardo Bezerra, professor da UFC. No caso mais recente, o material foi usado em um procedimento inédito para reconstrução vaginal de uma mulher transexual, realizado na Unicamp, em Campinas (SP). Já no Ceará, os procedimentos são realizados em parceria com a Maternidade-Escola Assis Chateaubriand (MEAC).
No Ceará, cirurgias de reconstrução vaginal com a membrana do peixe já foram realizadas em mulheres com síndrome de Rokitansky, agenesia vaginal ou câncer pélvico.
Em 2017, pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC) inauguraram o primeiro banco de pele de tilápia para uso em tratamentos médicos.
Usos médicos e veterinários da pele de tilápia têm sido explorados pela UFC desde 2015
Viktor Braga/UFC g1 Read More