Com disputa judicial, FMF completa um ano sob intervenção e futebol maranhense vive cenário de incertezas
O futebol maranhense completa nesta quarta-feira (5) um marco que não gera celebrações: exatos 365 dias sob intervenção judicial. O que foi projetado inicialmente para durar apenas 180 dias transformou-se em um impasse jurídico de um ano, deixando a Federação Maranhense de Futebol (FMF) em uma “verdadeira disputa judicial”. O clima entre os envolvidos é descrito como um “aniversário amargo”, onde não há espaço para comemorações.
A crise teve origem em uma ação civil pública impetrada pelo Ministério Público, que investigou uma série de irregularidades na gestão do presidente afastado, Antônio Américo. Após o pedido de afastamento dos dirigentes, a advogada Susan Lucena foi nomeada interventora pelo juiz da Vara de Interesses Difusos e Coletivos de São Luís, Douglas de Melo Martins. No início, o trabalho até avançou com a divulgação de relatórios que esmiuçaram a saúde financeira da entidade e promoveram o recadastramento de clubes e ligas.
Federação Maranhense de Futebol
João Ricardo
Entretanto, o processo eleitoral foi travado por uma decisão liminar do ministro do STF, Flávio Dino, que interrompeu medidas administrativas e a convocação de eleições. Para os dirigentes dos clubes locais, esse prolongamento causa um isolamento perigoso junto à entidade máxima do futebol nacional, como destaca um representante dos clubes:
“Acho que já tá tempo demais que a gente tá e nessa intervenção. A gente perde força na CBF. A representatividade do futebol maranhense na CBF é quase zero, porque estamos numa intervenção. O Maranhão comunga da parte de que tem que trazer a CBF pra situação. Todos nós que participamos das competições nacionais dependemos exclusivamente da CBF. É importante caminhar para que de fato a Federação Maranhense saia desse processo de intervenção”, afirmou o presidente do MAC, Carlos Eduardo Dias.
Enquanto a parte política definha, o Ministério Público intensifica as ações para punir os responsáveis pelos supostos desvios. A promotoria aponta a existência de provas materiais robustas sobre o uso indevido dos recursos da federação e a criação de mecanismos para ocultar o dinheiro. O foco atual é a quebra definitiva do sigilo dos envolvidos e a extinção de institutos paralelos:
“Estamos pleiteando novamente, reiteradamente a quebra do sigilo fiscal e bancário, porque o relatório da interventora é a materialidade comprovada do desvio do dinheiro mais de 2 milhões de reais. estão aonde? Foram para contas com mais de 700 saques após o afastamento do Dr. Antônio Américo. E mais, estamos propondo agora a dissolução do Instituto Maranhense de Futebol que foi criado exatamente com essa finalidade”, disse Doracy Reis, Promotora de Justiça em Entidades de Interesse Social.
Audiência termina sem acordo na FMF
Um detalhe irônico apontado por cronistas esportivos é que o próprio Antônio Américo chegou ao comando da FMF através de um processo de intervenção semelhante contra a gestão que o antecedeu. O que deveria ter sido um mandato tampão e parcial acabou se tornando uma permanência de anos, criando um temor de que o cenário atual se repita com a atual interventora, que já superou o prazo inicial previsto.
“Muita semelhança, porque como se sabe o então o presidente Antônio Américo assumiu com compromisso de apenas cumprir uma intervenção de um mandato parcial, naquele momento da emergência e que o futebol necessitava e ficou o tempo que ficou. Isso, sinceramente, é uma coisa que deixa o torcedor estarrecido, porque repete-se agora a mesma coisa com a presença da atual interventora Susan, que já hoje completa um ano no cargo”, afirmou o jornalista Neris Pinto.
Atualmente, as situações administrativas da FMF estão “congeladas”e a relação com a CBF está totalmente cortada. Embora as competições locais sigam em andamento, há uma necessidade urgente de reformar o estatuto da entidade para evitar que futuros dirigentes se perpetuem no cargo através de sucessivas reconduções.
O desfecho desta crise depende agora exclusivamente de uma manifestação do ministro Flávio Dino, visto que as partes já deixaram claro que não há um possibilidade de acordo com as bases atuais. Um ponto relevante é que o mandato original de Antônio Américo terminaria oficialmente em dezembro deste ano, o que aumenta a pressão por uma solução jurídica imediata. geRead More


