Elenco sem vaidade é trunfo apontado por Pedro Henrique para Bragantino alcançar metas do ano
Pedro Henrique deve ser titular do Red Bull Bragantino neste domingo, 9, na partida contra o Corinthians, pela 22ª rodada do Brasileirão. O jogador é o provável substituto de Gustavo Marques, com uma lesão na coxa esquerda, e deve começar o jogo, marcado para as 18h30, no estádio Cícero de Souza Marques.
A titularidade, outrora constante para o zagueiro, passou a alternar com alguns jogos como suplente do Bragantino. O técnico Vagner Mancini tem alternado as equipes que disputam o Brasileirão e a Sul-Americana e, com isso, Pedro Henrique tem sido reserva em algumas partidas.
Pedro Henrique comemora gol em Bragantino x Sporting Cristal
Ari Ferreira/Red Bull Bragantino
Essa situação é tratada com naturalidade pelo zagueiro. Na visão dele, ressalta uma característica positiva de todo elenco: a anulação da vaidade em prol da equipe. Isso não descarta a competitividade, segundo Pedro Henrique. Mas o jogador ressalta que o desejo de alcançar objetivos maiores tem sido a tônica do elenco.
– O professor tem dado oportunidades para todo mundo. Hoje, a gente não considera aqui ter um time titular, um time reserva. E, sim, não ter a vaidade. Quando o professor precisar, dar o seu melhor ou dar o seu melhor no treinamento. Isso tem evoluído bastante aqui dentro do clube. O elenco hoje não tem uma vaidade. Quem entra, está dando a vida, está se doando o máximo para que o clube possa trilhar os caminhos da vitória, trilhar o caminho do sucesso que é chegar em um título. A gente está cada vez mais próximo disso. Sem vaidade, a gente sabe que forma um grupo vencedor e consegue conquistar o campeonato. Temos oportunidade este ano ainda de conquistar – disse em entrevista ao ge.
Bragantino 1 x 0 Sporting Cristal | Melhores Momentos | Copa Sul-Americana 2026
O duelo contra o Corinthians marca mais um reencontro do zagueiro com o clube que o revelou.
– É o clube que me formou para o mundo, é o clube que deu oportunidade também, mas hoje eu defendo outra camisa. É lógico que o carinho e o respeito ficam, mas hoje eu defendo outra camisa. Vou dar o meu máximo, o meu melhor, para poder conquistar os três pontos, que é o nosso objetivo – afirmou.
Durante a conversa com o ge, Pedro Henrique falou sobre a vida em Bragança Paulista, o perfil de liderança, a disputa por posição, as passagens por Corinthians e Athletico-PR e os planos para a temporada. Veja a entrevista na íntegra abaixo:
ge – Como é que você se adaptou em relação à região, à cidade, ao clube?
Pedro Henrique: Muito bom esse período que estou passando aqui. Adaptei-me super bem, as pessoas aqui me trataram super bem quando cheguei. Foi, vamos dizer, mais fácil a adaptação. A família gostou muito. É um lugar que não tem tanta pressão, então minha família poder sair para jantar, poder almoçar tranquilo. É algo que deixa a gente bastante contente, deixa minha família mais solta e deixa até eu, vamos dizer, mais confortável. O cara não se preocupa. Bragança é uma das cidades mais seguras que tem em São Paulo. Estou muito feliz no clube.
Zagueiro Pedro Henrique em treino do Bragantino
Ari Ferreira/Red Bull Bragantino
ge – Você vinha de São Paulo e de Curitiba, duas capitais.
Eu vinha de São Paulo, morava no Tatuapé. Em Curitiba, no Campo Comprido. São três clubes diferentes. Quando eu jogava no Corinthians, mais pressão, mais torcida também. No Athletico-PR, um pouco de pressão também, pelo fato de ter ganhado títulos nos últimos anos. Agora chegar aqui no Red Bull, com essa estrutura, com tudo que o clube tem feito, sem dúvida nenhuma tem tudo para trilhar o caminho das conquistas.
ge – Você comentou que seu filho está adaptado na escola, a sua esposa gostou da cidade… Quando a família está bem acomodada, ajuda no dia a dia, o mental, né?
Pedro Henrique: Sem dúvida, ajuda muito. Você vem mais tranquilo para trabalhar, você não se preocupa com as coisas de casa. Sem dúvida, isso nos fortalece ainda mais para chegar no treinamento, chegar nos jogos e desempenhar um bom futebol.
Aos 32 min do 2º tempo – gol de cabeça de Pedro Henrique contra o Santos
ge – Você foi titular por muito tempo. Neste ano, andou ficando um pouco no banco, com a estabilização do Alix e do Gustavo Marques. Você se considera reserva? Como é esse seu lance em relação à titularidade, a sempre buscar voltar, ser titular?
Pedro Henrique: Eu tenho jogado bastante jogos. Acho que o professor tem dado oportunidades para todo mundo. Hoje a gente não considera aqui ter um time titular, um time reserva. E, sim, não ter a vaidade de quando o professor precisar dar o seu melhor ou dar o seu melhor no treinamento. Isso tem evoluído bastante aqui dentro do clube. O elenco hoje não tem uma vaidade. Quem entra, está dando a vida, está se doando o máximo para que o clube possa trilhar os caminhos da vitória, trilhar o caminho do sucesso que é chegar em um título. A gente está cada vez mais próximo disso. Sem vaidade, a gente sabe que forma um grupo vencedor e consegue conquistar o campeonato. Temos oportunidade este ano ainda de conquistar.
ge – Essa estratégia do Mancini de colocar um time na Sul-Americana, um time no Brasileiro. Para vocês está sendo legal?
Pedro Henrique: Sem dúvida nenhuma, dá oportunidade para todo mundo mostrar o seu futebol. Como a gente falou, não tem titular, não tem reserva. Ele está usando, está rodando todos os jogos, e isso é bom porque nos deixa preparados para os desafios. Na hora que a oportunidade aparecer, o companheiro tiver suspenso ou machucar, tu poder desempenhar um bom futebol. Sem dúvida nenhuma, isso é uma grande virtude do Mancini, de dar oportunidade para todo mundo.
Vagner Mancini e Pedro Henrique em treino do Bragantino
Ari Ferreira/Red Bull Bragantino
ge – Você completou 100 jogos aqui recentemente. Como foi isso para você?
Pedro Henrique: Sem dúvida, é uma marca muito importante. Os clubes onde passei, eu completei essa marca. Poder completar aqui, sem dúvida nenhuma, me deixa feliz, deixa todos da minha família, do meu staff, felizes. Sempre falo que o clube foi o que abriu as portas no momento que eu mais precisava, eu voltava de uma lesão no tornozelo. O clube abriu as portas para mim. Vim aqui, pude me adaptar bem, conhecer pessoas novas, conhecer pessoas que estão no meu dia a dia, que eu convivo mais aqui do que com a minha família. São pessoas importantes que aqui trabalham. Muito feliz com toda essa marca, que não é só eu que conquisto, todo mundo me ajuda a conquistar, o staff, enfim, todo mundo.
ge – Você, mesmo jovem, sempre teve um perfil mais de liderança, de se expressar, de se comunicar bastante. Isso acha que bateu com o estilo da Red Bull, quando te buscaram?
Pedro Henrique: Sem dúvida nenhuma. Fui desempenhando esse papel, fui aprendendo. No Corinthians, eu não falava muito, até porque tinha grandes capitões lá. Cássio, Fagner, enfim, todos com grande bagagem, com grande expressão no futebol. No Athletico-PR, eu já pude exercer um pouquinho mais essa minha liderança junto com outros jogadores lá. Aprendi muito com Thiago Heleno também, foi muito tempo meu companheiro de zaga. Fui desenvolvendo cada vez mais e, aqui, pude assumir esse papel, essa responsabilidade. Não só eu, mas acho que hoje tem muitos no elenco, como Sasha, Cleiton… Todos têm a sua forma de agir, de lidar. Cada um tem a sua personalidade para assumir essas posições.
Aos 12 min do 1º tempo – defesa de Pedro Henrique contra o Grêmio
ge – Você sempre jogou com caras experientes, passando no Corinthians, no Athletico-PR. Mas aqui muita garotada, jogadores mais novos que você. Como é que você lidou com isso também?
Pedro Henrique: Tudo o que eu aprendi na minha carreira, tento passar para os jovens aqui. Tento passar a minha experiência, tento passar o máximo possível, deixar o companheiro mais confortável. Eu não sei até onde os meus companheiros olham para mim e veem a dimensão do que eu já conquistei ou do que eu já passei. Não sei essa dimensão ainda. Acho que a gente só sabe quando a gente para de jogar. Mas eu consigo exercer um pouquinho, vamos dizer, no meu modo de ver, esse poder de liderança, de poder dar uma orientação e de poder falar com os meus companheiros.
ge – Vocês estão em cinco zagueiros. Esse lance de ter mais concorrência também para você é bom, para estimular mais a jogar bem, a falhar menos?
Pedro Henrique: Sem dúvida. Quando tem grandes peças, que as peças correspondem aquilo que o treinador pede, tu tem que se doar um pouco mais, tem que estar um pouco mais concentrado e de saber que, se tu der brecha, vai ter outro companheiro assumindo o seu papel. É lógico que isso, sem dúvida nenhuma, faz com que tu se concentre mais, treine, foque mais naquilo que é o teu objetivo de ser titular, de conquistar coisas grandes. Ainda mais com os zagueiros que tem aqui no grupo, que são de extrema qualidade. Agora o Guzman, mesmo depois de um ano parado, um zagueiro de grande qualidade, está voltando. O Eduardo também. Ter cinco zagueiros dessa qualidade, sem dúvida nenhuma, tu tem que manter o teu nível lá no alto.
Gustavo Marques e Pedro Henrique em Bragantino x Novorizontino
Ari Ferreira/Red Bull Bragantino
ge – O que você projeta para o segundo semestre? Há duas temporadas, o Bragantino faz bons inícios e perde força na reta final. O que vocês estão fazendo de diferente para este ano se manter em um nível legal?
Pedro Henrique: Acho que é esquecer o passado. Se tu trazer o passado para este novo ano, a gente acaba se atrapalhando, as coisas negativas acabam pegando. A gente tem focado nisso, de incentivar o companheiro. Como eu falei, de não ter uma vaidade no elenco para que nada atrapalhe no nosso segundo semestre, para que a gente possa fazer um grande segundo turno e não passar as dificuldades que a gente passou.
É focar cada vez mais, é escutar o professor, aquilo que ele tem para falar. Acho que o Mancini é experiente ao extremo para poder lidar com essa situação, de assumir essa responsabilidade junto com o elenco. Sem dúvida nenhuma, acho que a gente tem tudo para fazer um grande Campeonato Brasileiro no segundo semestre e poder também chegar na competição da Sul-Americana.
ge – Como é para você jogar contra o Corinthians?
Pedro Henrique: É o clube que me formou para o mundo, é o clube que deu oportunidade também, mas hoje eu defendo outra camisa. É lógico que o carinho e o respeito ficam, mas hoje eu defendo outra camisa. Vou dar o meu máximo, o meu melhor, para poder conquistar os três pontos, que é o nosso objetivo.
ge – Mas tem boas lembranças de lá?
Pedro Henrique: Sem dúvida nenhuma. Foi onde eu conquistei os grandes títulos da minha carreira, onde eu convivi por muito tempo. Foram 11 anos de Corinthians, então significa muito enfrentar essa equipe. Assim como daqui a pouco, na próxima rodada, a gente vai contra o Athletico-PR lá. Também tem um grande significado para mim.
Pedro Henrique durante treino do Corinthians
Rodrigo Coca / Ag.Corinthians
ge – Essa passagem pelo Athletico-PR foi importante também para você, te marcou de certa forma?
Pedro Henrique: Sem dúvida nenhuma, marcou positivamente e também negativamente, porque teve o final da Libertadores. Algumas pessoas até hoje lembram disso. A gente sabe que no futebol o torcedor vive a emoção, o calor do momento. A gente sabe e respeita. Eu já fui torcedor quando era criança e sei como é hoje. Tenho respeito pelas duas instituições, mas hoje eu defendo outra camisa. Eu vou dar o máximo para que a gente possa conquistar as vitórias.
ge – Você não deu mais aquelas fatiadas de assistência que você andava dando. Por que? O Mancini não gosta que você fique lançando ou você está mais controlado também?
Pedro Henrique: Acho que era uma característica, vamos dizer, do time do Seabra. Quando eu trabalhava com o Seabra, tinha outras características, tinha outros movimentos. Hoje, tem vários movimentos diferentes que a gente trabalha. Às vezes, no último jogo, eu dei para o Herrera e o cara fez a falta. Foi até um lance meio duvidoso para a expulsão, porque o Herrera ia sair de cara para o gol. De vez em quando, eu arrisco uma ou duas. Mas estou fazendo aquilo que o jogo pede. Às vezes, o jogo não pede isso. Pede passe entre linhas ou passe para o lateral. A gente vai diversificando para também confundir os adversários, para no momento certo poder aparecer as oportunidades.
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