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EUA acusam Brasil de ajudar China a driblar tarifas e colocam país em lista de alto risco comercial

EUA acusam Brasil de ajudar China a driblar tarifas e colocam país em lista de alto risco comercial

 Tarifaço: exportações brasileiras para Estados Unidos registram menor patamar em três anos
O governo dos Estados Unidos incluiu o Brasil em uma lista de mais de 40 países que acusa de ajudarem a China a burlar tarifas de importação.
Pequim estaria fazendo isso ao enviar seus produtos para outros países para embalagem e montagem, uma prática conhecida como transbordo comercial (transshipping, em inglês), segundo relatório divulgado nesta quinta-feira (13).
A tática teria surtido o efeito de maquiar as importações americanas provenientes da China, que apesar de terem diminuído à primeira vista, seguiriam ameaçando fábricas e empregos nos EUA e gerando perdas anuais bilionárias de arrecadação tributária.
“Durante anos, o grande golpe do transbordo comercial permitiu que a China comunista lavasse suas exportações”, declarou o assessor comercial da Casa Branca, Peter Navarro, ao apresentar o relatório a jornalistas.
Navarro, contudo, destacou que os problemas apontados dizem respeito principalmente a outras nações que facilitam a evasão das tarifas.
O presidente Donald Trump conversa com repórteres após chegar a bordo do Air Force One na terça-feira, 11 de agosto de 2026, na Base Aérea Conjunta Andrews, em Maryland
Mark Schiefelbein
O relatório classifica os países em três níveis de ligação com Pequim. O Brasil foi incluído no “nível 2”, classificado como “integração econômica significativa”, ao lado de países como Indonésia, Malásia, Tailândia, Turquia e Vietnã.
Segundo a Casa Branca, esses países combinam volumes significativos de transbordo comercial com integração mais profunda com cadeias de abastecimento ligadas à China, plataformas de manufatura, sistemas logísticos ou canais regionais de redirecionamento das mercadorias.
O Brasil, na qualidade de “importante plataforma regional de produção e logística”, atuaria para simular a transformação de produtos para alterar sua origem declarada.
UE também foi enquadrada pela Casa Branca
Já o “nível 1”, que reúne Canadá, União Europeia, Índia, Israel, Japão, México, Coreia do Sul e Taiwan, faria o transbordo comercial dos “maiores volumes absolutos”, com “risco embutido em fluxos comerciais amplos e legítimos”.
Especialistas observam há anos desvios nas cadeias de suprimentos envolvendo a China desde o primeiro governo Trump, quando Washington e Pequim travaram uma guerra tarifária em 2018.
O governo chinês tem classificado sua relação com os Estados Unidos como uma de “estabilidade estratégica”. Ainda assim, suas políticas de apoio às exportações de produtos manufaturados têm desestabilizado os setores automotivo, metalúrgico e eletrônico nos Estados Unidos, na Europa, no Japão e em outras regiões.
Tarifaço redesenha mapa das exportações brasileiras; vendas para a China bateram recorde
Jornal Nacional/ Reprodução
Navarro afirmou que outros países, como a Índia, também podem recorrer ao transbordo comercial para evitar novas tarifas. Segundo ele, os novos acordos comerciais promovidos pelo governo Trump incluirão cláusulas para punir parceiros que adotarem essa prática.
Balança comercial americana ainda em déficit apesar de tarifas
O governo Trump impôs tarifas elevadas a grande parte do mundo na tentativa de proteger os fabricantes americanos, atingindo aliados e rivais com impostos de importação. Ao mesmo tempo, essas tarifas criaram novas pressões inflacionárias dentro dos Estados Unidos.
O relatório apresenta uma série de estimativas sobre a dimensão do transbordo comercial destinado a evitar tarifas. Com base em dados governamentais e do setor privado, calcula-se que entre US$ 34,2 bilhões (R$ 177,5 bilhões) e US$ 303 bilhões (R$ 1,572 trilhões) em mercadorias sejam redirecionados anualmente.
Para enfrentar o problema, Navarro afirmou que a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (CBP) começou a utilizar inteligência artificial em um programa piloto para impedir o transbordo comercial.
Segundo ele, quando se comprova que um importador falsificou a origem de um produto, as tarifas podem ser aplicadas retroativamente, abrangendo aproximadamente o ano anterior.
As tarifas impostas por Trump durante seu segundo mandato enfrentaram uma série de contestações judiciais. Em fevereiro, a Suprema Corte derrubou algumas delas.
Os Estados Unidos continuam importando mais do que exportam para o restante do mundo. No entanto, o déficit comercial acumulado até agora neste ano, de US$ 371 bilhões (R$ 1,925 trilhão), está cerca de US$ 189 bilhões (R$ 980,9 bilhões) abaixo do registrado no mesmo período do ano passado.g1 > EconomiaRead More