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Fábio no Athletico? Registros raros retratam passagem “fantasma” do goleiro há quase 30 anos

Fábio no Athletico? Registros raros retratam passagem “fantasma” do goleiro há quase 30 anos

Hoje no Fluminense, goleiro Fábio já vestiu a camisa 1 do Athletico
Muito antes de quebrar recordes e se tornar o jogador com mais partidas na história do futebol, Fábio, hoje no Fluminense, teve uma passagem “fantasma” pelo Athletico em 1998. A curta trajetória do goleiro no Furacão ficou ofuscada pelo tempo em razão da raridade dos registros da época. Até agora.
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A fim de elucidar essa história, o ge se debruçou sobre este capítulo de quase 30 anos atrás. A reportagem consultou arquivos, juntou relatos e ouviu personagens do círculo de Fábio naqueles tempos.
Fábio ao lado de Cesco e Godói na chegada ao Athletico
Arquivo/Tribuna do Paraná
A chegada
Alguns fatos já eram conhecidos: Fábio chegou ao Athletico após se destacar pelo União Bandeirante e não havia atuado profissionalmente pelo Rubro-Negro. Mas em qual competição ele defendeu o Furacão? A resposta veio da irmã do goleiro, Fabiana Lopes Maciel. Ele havia atuado na Taça BH, tradicional competição de categorias de base.
Fábio iniciou a carreira profissional no União Bandeirante em 1997
Com esse caminho, o ge foi até à Biblioteca Pública de Curitiba e explorou registros do jornal Tribuna do Paraná entre junho e julho de 1998.
Uma matéria da época noticiou a chegada de quatro jogadores do União Bandeirante ao Athletico (então Atlético), por empréstimo, para a disputa da Taça BH: Fábio, Godói, Chesco e André. O destaque era para o primeiro, que tinha status de “goleiro de seleção”, por ter conquistado o Mundial Sub-17 no ano anterior.
Outro trecho chama o jovem atleta de 17 anos de “Superfábio”, evidenciando justamente o histórico na “seleção brasileira de juniores”. Há também detalhes da negociação, conduzida pelo diretor da base athleticana na época, Paulo Abagge, que teria fixado a multa de Fábio em um milhão de dólares junto a Serafim Meneghel, lendário presidente do União Bandeirante.
Recorte da Tribuna do Paraná noticia chegada de Fábio ao Athletico, em 1998
Arquivo/Tribuna do Paraná
Os preparativos
Campeão dois anos antes, o Athletico queria entrar forte na Taça BH de 1998, motivo pelo qual contratou promessas de times do interior paranaense para o elenco de juniores. Cesco — grafia correta do ex-zagueiro — relembrou da sensação ao se juntar ao clube da capital.
— Foi uma sensação maravilhosa. Você sai de um clube do interior, e vai para a capital, num clube de uma estrutura igual ao Athletico, o CT do Caju já estava pronto. Nós três conversávamos: “Vamos dar o sangue para permanecer nesse clube, porque é um sonho para a gente” — disse, em entrevista ao ge.
Tribuna do Paraná noticia chegada de Fábio ao Athletico em 1998
Arquivo/Tribuna do Paraná
Aquele plantel ainda contava com o volante Kleberson, contratado junto ao PSTC e que despontou no Furacão, sendo campeão brasileiro em 2001 e pentacampeão mundial com a seleção brasileiro no ano seguinte.
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O time foi comandado por Sérgio Moura no torneio em Minas Gerais. Antes do início, havia dúvida de quem seria titular na meta rubro-negra: Antônio Carlos ou Fábio. Porém, Antônio Carlos acabou promovido ao elenco profissional, e Fábio foi o escolhido.
— Me recordo do Fábio chegando no clube, sempre muito cordial e já com status de atleta de categorias de base da seleção brasileira. Todo mundo percebia do grande potencial que ele tinha, ficamos apreensivos, sabíamos da concorrência forte que teríamos com ele — disse Antônio Carlos.
Trecho mostra dúvida do técnico Sérgio Moura por Antônio Carlos ou Fábio no Athletico na Taça BH 1998
Arquivo/Tribuna do Paraná
A Taça BH
O Athletico ficou no Grupo F da Taça BH, com sede em Pará de Minas, ao lado de Fluminense (que contava com Roger Flores no elenco), América-MG e Seleção Paraense-MG. O Furacão terminou como líder da chave e caiu para o Palmeiras – futuro campeão – no mata-mata, após empate em 1 a 1 no tempo normal e derrota por 5 a 4 nos pênaltis.
Testemunhas oculares contam que Fábio já demonstrava uma de suas principais características até os dias de hoje: a capacidade em defender pênaltis.
— O Fábio sempre foi um bom pegador de pênalti. Nesse jogo, ele pegou um pênalti, mas não foi o suficiente, infelizmente. Mas isso desde o infantil, sempre teve essa boa qualidade de pegar pênaltis —detalhou Cesco.
Relato das eliminações de Athletico e Coritiba na Taça BH 1998. Terceiro parágrafo destaca a queda do Furacão para o Palmeiras
Arquivo/Tribuna do Paraná
Outro que acabou pinçado para o elenco profissional para o Brasileirão de 1998 às vésperas do início da Taça BH foi o ex-volante Clovis. Mas houve tempo para dividir treinamentos e a vivência do dia a dia com o goleiro.
— A gente já sabia (quem era o Fábio) em função da Seleção, a gente tinha esse sonho de buscar a Seleção e para o Fábio já era algo concreto. Veio com nome e status. Tanto que veio para jogar, ser titular e fez a diferença.
— Ele era muito dedicado. Para a época ele já era alto, bem magrinho, mas grande. Se destacava pela qualidade, tecnicamente era muito bom. A gente brincava com o tamanho da mão dele para a idade, 17 anos. Era difícil fazer gol nele. O treinamento dele era muito forte. Tinha que bater muito bem na bola para fazer gol.
Fábio (terceiro da esquerda para a direita) com elenco juniores do Athletico em 1998
Arquivo/Tribuna do Paraná
A saída
Ao fim da Taça BH, o Athletico tentou contratar Fábio em definitivo, mas não houve acordo com o União Bandeirante. Ele retornou ao clube do interior do estado e foi emprestado ao Cruzeiro no início de 2000. Naquele mesmo ano, acabou negociado com o Vasco.
Ganhou notoriedade no time carioca, retornou ao Cruzeiro para virar ídolo e foi ao Fluminense para ser recordista no futebol mundial, com 1461 partidas. Hoje com 45 anos, continua em alto nível.
fábio, fluminense, libertadores
AFP
O reencontro entre Athletico e Fábio será neste domingo, às 11h, na Arena da Baixada, em confronto diante do Tricolor das Laranjeiras válido pela 25ª rodada do Brasileirão.
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