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Fortaleza une irmãos que passaram 37 anos sem se conhecer

Fortaleza une irmãos que passaram 37 anos sem se conhecer

Irmãos se conhecem em jogo do Fortaleza na Arena Castelão
Há momentos em que o futebol extrapola as quatro linhas e faz mais do que decidir partidas. Neste caso, o Fortaleza mudou histórias de vidas de dois irmãos do mesmo pai, separados por mais de 37 anos. A paixão pelo clube juntou coincidências de uma família separada por mais de 342 quilômetros de distância.
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Na vitória por 1 a 0 sobre o Novorizontino, o gol de Vitinho ficou em segundo plano. O dia 17 de julho foi ainda mais especial para os irmãos Aucione Azevedo e Marcos Braga. O confronto pela Série B marcou o primeiro encontro entre eles.
Aucione Azevedo, de 37 anos, cresceu como filha única em Fortaleza e, ao conhecer o irmão, afirma que tudo está sendo uma nova descoberta. Os dois são filhos do mesmo pai, mas não sabiam da existência do outro.
Meu tio tem uma amiga em comum com o Marcos [Braga]. Um dia eles estavam em uma comemoração na casa dela, e ela disse para o meu tio, ‘olha, esse rapaz é irmão da sua sobrinha’. Eles conversaram e o meu tio Djacir me mandou uma foto e disse ‘tô aqui tomando umas cervejas com seu irmão”. E foi a partir disso que eu fiquei sabendo. Já tinha ouvido falar, mas não tinha certeza, minha mãe e nem meu pai falaram sobre isso comigo. Tinha apenas a suspeita e quem me confirmou foi meu tio.”
Vitinho marcou o gol da vitória do Fortaleza contra o Novorizontino, no dia 17 de julho
Leonardo Moreira/Fortaleza EC
A história se complementa com Marcos Braga, de 40 anos, que nasceu em Fortaleza, mas vive hoje em Tauá. Ele afirma que até chegou a procurar pela irmã, mas só soube de sua existência com o tio dela, em um encontro improvável de tricolores.
– Tentei [procurar] uma vez há muitos anos, mas não deu certo. Tudo é no tempo de Deus. Nos encontramos sexta no estádio e hoje novamente aqui no Pici.
Morgan Freeman tricolor
Djacir Azevedo ganhou o apelido na viagem que fez à final da Sul-Americana em 2023. Para além da semelhança com o ator famoso de Hollywood, o torcedor do Fortaleza, que é Tio de Aucione, foi peça central nesse encontro de cinema entre os irmãos.
Uma amiga chegou e disse ‘você conhece esse aqui? ele é irmão de Aucione’. Eu só ando de Leão, quer me matar, fale do meu Fortaleza. Aí ele falou que era Fortaleza também, começamos a pegar amizade. Quando cheguei em casa eu falei para Aucione que tinha conhecido o irmão dela. Como ele mora em Tauá, muito longe, e nós moramos aqui, combinamos de um dia ver o encontro.”
Aucione Azevedo e Marcos Braga, irmãos que o Fortaleza uniu depois de 37 anos
Lucas Catrib/SVM
Paixão de infância
Aucione corrobora com a história do tio, que foi o grande influenciador para desabrochar o seu amor pelo clube vermelho, azul e branco. O Morgan Freeman do Leão era quem levava a pequena sobrinha nos estádios.
Essa relação do Fortaleza começou com meu tio, que é uma figura conhecida no meio da torcida. Com oito anos de idade, ele começou a me levar para o PV e, desde então, nasceu esse amor. Até hoje eu sou louca pelo Fortaleza, até tatuei na minha pele. Sempre que eu posso estou lá no estádio, levando meu filho, porque lá em casa é assim, eu e meus dois filhos torcemos Fortaleza.”
Mesmo sem conhecer a irmã, Marcos Braga teve um roteiro parecido com o time tricolor. A história do Fortaleza começou ainda moleque, mas com a figura de um amigo como grande incentivador para ver os jogos.
– A paixão começou mais um amigo meu de infância, lá de Maracanaú. Eu tinha uns 10 anos e ele 12 na época. A gente fugia de casa para assistir jogo no PV ou no antigo Castelão, escondidos dos nossos pais. De lá para cá, o amor só aumentou pelo clube.
Aucione Azevedo, Djacir Azevedo, conhecido como Morgan Freeman tricolor, e Marcos Braga
Reprodução/TV Verdes Mares
Sonho pelo acesso
Para além do encontro com o irmão, a tricolor viu no estádio mais um degrau conquistado na Série B. Naquela noite, o Fortaleza somou mais três pontos para o grande objetivo da temporada. Aucione é mais uma que vai a todos os jogos e põe fé no time.
– Ser Fortaleza é sempre acreditar que dias melhores virão. Passamos por dificuldades, mas enfrentamos de cabeça erguida, porque nós somos combativos, aguerridos, vibrantes e fortes. Eu acredito que as coisas vão melhorar, apesar das dificuldades e a gente vai conseguir o acesso.
Mesmo longe, Marcos Braga não deixou a chama pelo time de coração apagar. Ele não esconde o desejo de reunir a família em um jogo do Fortaleza na Série A ou na Libertadores novamente. Morando em Tauá e indo com menos frequência ao estádio, ele acompanha o Tricolor da forma que dá.
– Eu não tô indo mais com tanta frequência porque tô morando fora, numa cidade mais distante. Mas quando eu tava aqui, todo jogo eu ia. A paixão continua e vai continuar até eu morrer. Nós vamos subir, mesmo com as dificuldades, voltar para o nosso lugar que é a primeira divisão.
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Fortaleza vence Novorizontino por 1 a 0 na Arena Castelão
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