Gre-Nal do desespero: por que pressão financeira marca clássico das quartas da Copa do Brasil
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Não bastasse o peso de um Gre-Nal, mais ainda nas quartas de final da Copa do Brasil, o duelo está marcado por contornos extracampo. Donos de uma rivalidade centenária, os clubes se encontram no momento mais delicado no quesito financeiro.
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O Inter iniciou o ano com uma dívida acumulada de mais de R$ 1,2 bilhão. A informação foi divulgada pelo clube em relatório de administração, de dezembro do ano passado.
Já o Grêmio iniciou o ano com endividamento acima dos R$ 900 milhões. O número foi contabilizado ao final de 2025 pela empresa de auditoria Baker Tilly Brasil. Os valores dos dois resultam da soma de obrigações de curto prazo e compromissos de longo prazo.
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A realidade financeira afeta decisões estratégicas dos dois lados. Contratações mais conservadoras, cortes na folha salarial, busca por novas receitas e dificuldades para honrar compromissos passaram a fazer parte da rotina das diretorias.
Em meio ao cenário de restrição, os rivais chegam aos clássicos pela Copa do Brasil com a necessidade de equilibrar competitividade esportiva e recuperação econômica.
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Detalhes das dívidas
O Inter fechou a temporada de 2025 com passivo total de R$ 1,27 bilhão. Desse montante, R$ 606,9 milhões correspondem a obrigações de curto prazo e R$ 666,9 milhões a compromissos de longo prazo.
Apesar do tamanho da dívida, o clube registrou superávit de R$ 8,97 milhões no período, revertendo o déficit de R$ 34,5 milhões de 2024.
Do outro lado, o Grêmio começou 2026 com endividamento de R$ 935,6 milhões. O passivo de curto prazo chegou a R$ 516,4 milhões, enquanto a dívida de longo prazo foi calculada em R$ 419,1 milhões. É o primeiro clube abaixo do bloco que ultrapassou o bilhão em dívidas.
As dificuldades de caixa levaram o clube a buscar um novo empréstimo com o empresário Celso Rigo, na casa dos R$ 60 milhões. Segundo o próprio empresário, os recursos foram utilizados para quitar atrasos em salários, direitos de imagem e pagamentos a fornecedores.
Grêmio e Inter enfrentam problemas financeiros
Arte gerada por IA/Google Gemini
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A situação financeira também apareceu no dia a dia do departamento de futebol. Assim como ocorreu no ano anterior, o Grêmio enfrentou dificuldades para manter a folha salarial em dia. A normalização ocorreu apenas em julho, após a entrada de parte dos valores da venda de Viery para a Fiorentina.
O Inter também passou por problema semelhante. Em julho, o clube estava devendo um mês de direitos de imagem atual aos atletas e duas parcelas de um acordo feito no ano passado.
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Contratações sob controle
A restrição orçamentária influenciou diretamente a atuação dos rivais no mercado. No Beira-Rio, a direção apostou em um modelo que reduz impacto imediato no caixa, priorizando jogadores livres no mercado, empréstimos sem custos ou operações de baixo investimento.
Paralelamente, buscou reduzir despesas, com quase 20 saídas na temporada. Entre elas, o empréstimo do zagueiro Clayton Sampaio e a rescisão do volante Richard, dois jogadores que estavam fora dos planos da comissão técnica. O principal alívio na folha, porém, veio com a saída de Borré, um dos maiores salários do elenco.
Borré deixou Inter rumo ao River Plate
Jhony Pinho/AGIF
No Grêmio, a mudança de postura ocorreu após um investimento próximo de R$ 100 milhões na primeira janela de transferências do ano.
A partir daí, a diretoria passou a priorizar atletas livres no mercado, como Jovane Cabral e Filip Krovinovic, além de negociações de custo reduzido. Diego Caito, vindo do Goiás, e Wallace, contratado junto ao CRB, custaram R$ 8 milhões, somados.
Ao mesmo tempo, o clube promoveu uma reformulação no elenco. Atletas com salários elevados tiveram o vínculo rescindido, como Cuéllar e Willian. Arthur não renovou contrato justamente pela pedida salarial. Entre rescisões, vendas e rescisões, 25 atletas saíram em relação à temporada anterior.
Willian encerrou sua passagem pelo Grêmio
Jorge Rodrigues/AGIF
Conforme a direção gremista, as medidas começaram a apresentar reflexos financeiros. O déficit do segundo trimestre foi de R$ 33 milhões, queda de 73% em comparação aos R$ 124 milhões registrados no primeiro trimestre. A folha salarial foi reduzida em 18%, enquanto a chamada receita do desporto, que engloba vendas, entre outros itens, cresceu 54,8%.
Patrocínio máster vira termômetro financeiro
A busca por novas receitas também faz parte do cenário dos dois clubes. No Grêmio, o principal espaço da camisa segue sem patrocinador desde o fim do Brasileirão de 2025. A diretoria afirma ter recusado propostas do setor de apostas por considerar os valores baixos e o segmento inseguro.
O Inter, por sua vez, encontrou soluções temporárias. O clube fechou acordos pontuais: com a Shopee para os duelos contra Corinthians (Copa do Brasil) e Palmeiras (Brasileirão), e, agora, com a SpeedMax para os próximos três jogos, em mais uma tentativa de ampliar receitas em meio ao processo de reorganização financeira.
Inter terá patrocinadora máster nos próximos jogos
Divulgação/Inter
Transfer bans ampliam preocupações
Os problemas financeiros recentes também chegaram aos tribunais esportivos. Nesta semana, o Inter sofreu transfer ban da Fifa e está impedido de registrar jogadores por três janelas ou até quitar o débito.
A punição decorreu da dívida dos gaúchos com o Midtjylland, da Dinamarca, pela compra do zagueiro Juninho. Porém, o clube já enfrentava cobranças de terceiros e disputas relacionadas a débitos acumulados.
Entre outros casos, estão a decisão judicial que determinou o bloqueio de R$ 11,5 milhões de contas do clube por dívida ligada ao empresário Delcir Sonda, e a cobrança de uma dívida de compra do volante Benjamin, com o Dansoman Wise, de Gana.
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No Grêmio, a situação é diferente, mas igualmente preocupante. O clube sofreu um transfer ban preventivo da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf) por estar submetido à regra do fair play financeiro.
Na prática, a agência passa a ter que autorizar previamente as novas contratações do Tricolor. O clube, por sua vez, garante que atende aos critérios do órgão para obter a autorizações.
Às vésperas de mais um capítulo da maior rivalidade do futebol gaúcho, Inter e Grêmio chegam ao clássico pressionados não apenas pelo resultado dentro de campo. A batalha pela recuperação financeira também se tornou parte decisiva do confronto.
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