Irã e Omã estão próximos de acordo sobre controle do Estreito de Ormuz, diz ministro iraniano
Abbas Araqchi, ministro de Relações Exteriores do Irã, em 17 de dezembro de 2025
Reuters/Ramil Sitdikov/Pool/Foto de arquivo
O ministro de relações exteriores iraniano, Abbas Araqchi, afirmou neste sábado (8) que o Irã e o Omã estão “muito perto” de um novo acordo sobre uma nova rota de navegação pelo Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% de todo o comércio global de petróleo.
O que é o Estreito de Ormuz, fundamental para petróleo mundial
Segundo o ministro, os dois países estavam discutindo uma rota de navegação temporária enquanto questões técnicas e legais relativas a uma rota permanente eram resolvidas.
Na sexta-feira, um funcionário americano afirmou à Reuters que Washington esperava um acordo em breve entre o Irã e Omã, países localizados em lados opostos do estreito, para que o tráfego normal de petróleo pudesse ser retomado.
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“Há progresso entre Omã e Irã no estreito, e esperamos um acordo em breve”, disse um funcionário americano à Reuters na sexta-feira. “Assim que o acordo para restabelecer a navegação comercial sem impedimentos for anunciado, os Estados Unidos suspenderão o bloqueio aos portos iranianos.”
🔎 Um acordo entre os dois países sobre o controle dessa via navegável estratégica é considerado crucial para um acordo mais amplo que vise pôr fim ao conflito iniciado com os ataques dos EUA e de Israel ao Irã em 28 de fevereiro.
Araqchi afirmou, no entanto, que a reabertura do Estreito dependerá de uma série de condições, entre elas uma compensação pelo que o Irã considera uma violação, por parte dos Estados Unidos, do Memorando de Entendimento de Islamabad.
O acordo foi firmado entre os dois países com o objetivo de reduzir as tensões e garantir um cessar-fogo no Oriente Médio.
Assinado em 17 de junho, o memorando de entendimento foi colocado em xeque menos de duas semanas depois, em meio a divergências sobre a circulação de navios no Estreito de Ormuz e a continuidade dos confrontos entre Israel e Hezbollah, que deram origem a uma série de ameaças, ataques e acusações de descumprimento entre Washington e Teerã.
Entre idas e vindas, o presidente americano, Donald Trump, chegou a cancelar um novo ataque contra Teerã no último final de semana, afirmando que “o Irã e outros países do Oriente Médio” teriam pedido que os EUA suspendessem a ofensiva porque “os termos de um acordo” teriam sido definidos.
“Com base nesse pedido, concordei, em benefício futuro do MUNDO e, igualmente, da sobrevivência de um Irã bem-sucedido e próspero, em cancelar o ataque, desde que seja possível fechar rapidamente um ACORDO”, escreveu o presidente em seu perfil no TruthSocial em 1º de agosto, prometendo que as tratativas iniciariam já na segunda-feira (3).
À época, no entanto, Teerã negou que tivesse reuniões com os EUA e afirmou que as únicas negociações em andamento ocorriam apenas com o Omã e seriam sobre a gestão conjunta do Estreito de Ormuz.
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Tráfego de navios segue reduzido
Em meio ao conflito na região, o tráfego de navios pelo Estreito de Ormuz segue reduzido. Neste sábado (8), os Emirados Árabes Unidos (EAU) acusaram o Irã de ter atacado um navio-tanque ligado á sua estatal de petróleo, a ADNOC, enquanto a embarcação atravessava o canal.
As informações são da agência estatal WAM. A ADNOC afirmou que o navio teria sido alvo de um míssil durante a madrugada e que a situação estava sob controle. Não houve feridos.
O Ministério de Relações Exteriores dos EAU afirmou que o ataque violou uma resolução do Conselho de Segurança da ONU sobre a liberdade de navegação e acusou a Guarda Revolucionária do Irã de “atos de pirataria” por visar navios comerciais e usar a hidrovia como instrumento de pressão econômica.
O comunicado apelou ao Irã para que cesse os ataques e reabra o estreito de forma plena e incondicional.
Segundo a Guarda Revolucionária do Irã afirmou neste sábado, a reabertura do Estreito de Ormuz depende da aceitação das condições impostas pelo Irã por Washington e não está relacionada às negociações entre Irã e Omã.
O porta-voz da Guarda Revolucionária, Hossein Mohebbi, não especificou as condições, mas afirmou que Washington deve parar de interferir no processo de negociação regional.
“Assim que os Estados Unidos aceitarem as condições do Irã, o Estreito de Ormuz certamente será reaberto”, disse ele, de acordo com a agência de notícias iraniana Tasnim.
Autoridades americanas, no entanto, têm insistido repetidamente que jamais concordariam com o controle do Irã sobre o acesso à rota comercial mais importante do mundo para o fornecimento de energia. Não ficou claro se elas tentaram alterar os parâmetros do acordo.
O Irã tem usado as hostilidades para justificar a cobrança de pedágio sobre petroleiros. Isso, somado aos disparos contra navios que tentam cruzar o estreito sem sua permissão, interrompeu gravemente os embarques globais, causando um aumento nos preços da energia e alimentando a inflação.
*Com informações da agência de notícias Reuters.g1 > Mundo Read More


