O que é o Tibete: entenda a região atingida pelo desastre na fronteira com o Nepal e sua relação com a China
Nepal: região atingida por avalanche abriga rota turística
Uma avalanche de gelo e rochas atingiu nesta quarta-feira (26) uma região próxima à fronteira entre o Nepal e o Tibete, na China.
O fenômeno bloqueou um rio e provocou uma inundação repentina, destruindo casas, estradas, pontes e estruturas de energia. O desastre deixou mortos e centenas de pessoas desaparecidas no Nepal.
No lado chinês, a área de Gyirong, uma importante passagem entre o Tibete e o Nepal, também foi afetada. O presidente da China, Xi Jinping, determinou o reforço das operações de busca e resgate e a adoção de medidas para reduzir os riscos de novos desastres.
Números do desastre no Tibete até agora:
3 mortos
265 desaparecidos
No Nepal, o desastre deixou 95 mortos e 579 desaparecidos.
➡️ O episódio colocou em evidência uma região que, além de estar entre as áreas mais altas do planeta, tem importância estratégica para a China.
O Tibete fica no sudoeste do país e faz fronteira com Nepal, Índia e Butão.
O que é o Tibete?
O Tibete é uma região autônoma da China, localizada no planalto do Tibete, no Himalaia. É uma das regiões mais elevadas do mundo e abriga algumas das maiores montanhas do planeta.
A população tibetana possui uma identidade cultural própria, marcada pela língua, por tradições locais e pelo budismo tibetano. A região também está ligada ao Dalai Lama, líder espiritual tibetano que vive exilado na Índia desde 1959.
Apesar de fazer parte oficialmente da China, o Tibete é uma questão politicamente sensível para Pequim. O governo chinês considera a região parte de seu território e rejeita movimentos pela independência.
Arco-íris é visto em Lhasa, na Região Autônoma do Tibete, no sudoeste da China, em 15 de junho de 2023.
Crédito: Xinhua
Já a liderança tibetana no exílio acusa o governo chinês de restringir direitos religiosos e culturais. O Dalai Lama defende há décadas uma solução baseada em maior autonomia para os tibetanos, e não na independência.
Por que o Tibete é importante para a China?
A localização é um dos principais motivos. A proximidade com a Índia é especialmente sensível porque os dois países mantêm uma disputa territorial ao longo de trechos da fronteira no Himalaia.
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O Tibete também tem importância ambiental. O planalto tibetano é uma das principais áreas de origem de grandes rios asiáticos, incluindo sistemas ligados aos rios Brahmaputra, Indo, Ganges, Mekong, Yangtzé e Amarelo. Por isso, a região é frequentemente chamada de “caixa-d’água da Ásia”.
Turista posa para fotos com atores em frente a um teatro em Lhasa, na Região Autônoma do Tibete, no sudoeste da China, em 6 de junho de 2023.
Crédito: Xinhua
Além disso, a China investiu na construção de estradas, ferrovias, aeroportos e projetos de energia no Tibete. A infraestrutura aumenta a integração da região ao restante do país e facilita o acesso às áreas próximas das fronteiras.
Qual é a relação do Tibete com o Nepal?
O Nepal fica ao sul do Tibete, e os dois países mantêm rotas comerciais e de circulação através do Himalaia.
Uma dessas conexões passa por Gyirong, no lado chinês da fronteira. A área abriga uma das principais passagens terrestres entre o Nepal e a China e foi atingida pelo desastre desta quarta-feira.
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Por isso, os danos na região podem afetar não apenas comunidades locais, mas também estradas, pontes, infraestrutura e rotas utilizadas para o comércio entre os dois países.
Vista da cidade de Lhasa, na Região Autônoma do Tibete, no sudoeste da China, em 15 de junho de 2023.
Crédito: Xinhua.
A relação entre Nepal e China também é sensível por causa da questão tibetana. O Nepal reconhece o princípio de “uma só China” e evita permitir que seu território seja usado para atividades políticas contra o governo chinês.
Por que existe uma disputa pelo Tibete?
A incorporação do Tibete à China ocorreu em meio à entrada das forças chinesas na região a partir de 1950. Em 1951, representantes do governo chinês e do governo tibetano assinaram o chamado Acordo de 17 Pontos, que estabeleceu a integração do Tibete à República Popular da China.
A interpretação sobre o acordo, porém, é diferente entre Pequim e a liderança tibetana no exílio. O governo chinês afirma que o documento confirmou a soberania chinesa sobre o Tibete. A liderança tibetana afirma que os representantes foram pressionados a assinar o acordo.
Em 1959, uma revolta em Lhasa contra o domínio chinês foi reprimida. O Dalai Lama deixou o Tibete e foi para a Índia, onde permanece exilado.
Desde então, a questão tibetana permanece como um dos temas mais sensíveis da política chinesa.
Pequim destaca o desenvolvimento econômico e a expansão da infraestrutura na região, enquanto grupos tibetanos e organizações de direitos humanos criticam as políticas chinesas e denunciam restrições à liberdade religiosa e cultural.g1 > Mundo Read More


