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Orçamento, modelo no futebol, reformulação… Hélio explica decisões no Náutico

Orçamento, modelo no futebol, reformulação… Hélio explica decisões no Náutico

“O mais atrasado aqui é o meu”, diz Hélio, sobre salários atrasados no Náutico
O treinador Hélio dos Anjos falou, por mais de dez minutos, sobre decisões tomadas pelo Náutico nesta temporada. Da reformulação no elenco ao modelo adotado conjunto entre comissão técnica e departamento de futebol, o comandante rechaçou mais uma vez a ideia de que decide tudo no clube.
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O ge traz os principais pontos abordados pelo treinador, passando pela reformulação no elenco, com dez saídas nesta janela de transferências, até a autoavaliação sobre a condução do futebol durante a temporada.
Hélio dos Anjos, técnico do Náutico
Marlon Costa/AGIF
Reformulação
Ao todo, foram dez jogadores liberados pelo Náutico nesta janela de transferências. Entre saídas anunciadas pelo Timbu e atletas que foram para outros clubes, deixaram a equipe alvirrubra o goleiro Arthur, o zagueiro Fagner Alemão, o lateral-esquerdo Yuri Silva, os volantes Leonai e Ramon Carvalho, os meias Juninho, Vitinho, Felipe Cardoso e Dodô (este via CNRD) e o atacante Felipe Saraiva.
Dos nove que deixaram o clube, apenas o zagueiro Fagner Alemão era remanescente de 2025. Todos os outros foram contratados para 2026 e deixaram o Náutico após poucos meses.
Leonai em partida pelo Náutico na Série B
Marlon Costa/AGIF
Para o treinador Hélio dos Anjos, contudo, o processo de reformulação é normal, principalmente porque o clube precisou mudar o elenco sem acréscimo orçamentário.
– Qual equipe da Série B não fez mudanças radicais no seu elenco? Em menor número, o CRB. Estamos mudando o elenco sem investir mais do que é o nosso orçamento. Aí as pessoas acham que no futebol R$ 2 milhões de folha é dinheiro, que vamos gastar R$ 14 milhões em rescisões. Se o Náutico gastasse R$ 14 milhões em rescisões, o Náutico quebra pra este e para o ano que vem – disse Hélio.
– Não gastamos R$ 14 milhões com a folha deste ano. E a folha não representa nove jogadores que rescinde, mas representa tudo. Acredito que não passa de R$ 200 mil por mês as nossas rescisões. Multiplica isso por cinco (meses) – completou.
Assista à entrevista coletiva com o técnico Hélio dos Anjos, do Náutico
Orçamento
O treinador também falou sobre a questão orçamentária do clube e afastou a ideia de que decide tudo no departamento de futebol.
Hélio argumentou que é guiado pelo orçamento passado pela presidência. Ele revelou que o presidente Bruno Becker indicou que não haveria aumento de folha e a comissão técnica acatou. Por isso, segundo o treinador, o Timbu só vai investir em jogadores com perfil de “aposta”.
– As nossas ações são de acordo com o clube. Se o clube chegar para mim amanhã e falar que eu tenho R$ 1,5 milhão para colocar aqui, de orçamento, vamos colocar. Se o clube chegar e falar que temos que segurar, vamos segurar. Está muito longe a ideia de quem decide sou eu – argumentou o treinador.
Coletiva do Náutico com o presidente Bruno Becker e os técnicos Hélio e Guilherme dos Anjos
Rafael Vieira/CNC
– Então, quando o Bruno (Becker) sentiu as dificuldades, vamos tentar diminuir e segurar. O que nós tivermos que investir, nós vamos investir em jogadores apostas – completou Hélio.
No último domingo, em entrevista coletiva após o empate por 1 a 1 com o Atlético-GO, o também técnico Guilherme dos Anjos disse que o orçamento para a folha salarial do clube é de R$ 2,15 milhões.
Contratações
Sobre reforços, o técnico alvirrubro disse que tem uma lista com 18 nomes que o Náutico tentou, mas, por diferentes razões, não conseguiu avançar. Hélio citou o zagueiro Klaus, que hoje defende o Operário, e os atacantes Perotti e Iury Castilho, que optaram pelo Sport – o segundo, inclusive, já saiu do clube rubro-negro.
O treinador ainda falou que ele e Guilherme dos Anjos exemplificam a questão estrutural não para um retorno imediato, mas pensando no futuro do clube. Segundo Hélio, isso também é um ponto que pesa no mercado.
Hélio dos Anjos diz que salários atrasados do Náutico não afetam elenco
– Por que (os atletas não vieram para o Náutico)? Vamos somar os pilares de um clube: estrutura estabilidade financeira… Estou contando isso não é para diminuir nossa responsabilidade, porque minha responsabilidade é com campo, sem estrutura. Eu sei que trabalho no futebol brasileiro. Entendo essa situação – disse o treinador.
– Quando a gente fala nisso, ninguém está querendo ser Deus aqui, não. Ninguém está querendo transferir responsabilidade para o clube em termos de estrutura. Estou pensando no Náutico – completou Hélio.
Léo Índio, volante do Náutico, durante jogo com o Atlético-GO.
Marlon Costa/AGIF
Na atual janela de transferências, o Náutico contratou o lateral-esquerdo Ryan, o volante Léo Índio, o meio-campista Pato Núñez, o meia Jean Carlos e os atacantes Borasi e Danielzinho – este último ainda não anunciado.
O clube segue em busca de reforços, inclusive mirando um atleta que está na Série D do Campeonato Brasileiro, de acordo com Hélio.
“Não sou dono de nada”
Ao falar da atuação como técnico e diretor, sem a figura do executivo de futebol, Hélio afirmou que não é “dono de nada” e se reporta diariamente ao presidente Bruno Becker.
O treinador ainda falou que não tem problema como dirigente abnegado, citando a boa relação que tem com o diretor de futebol Ítalo Braga.
Hélio, contudo, também afirmou que, sim, não abre mão de decidir coisas relacionadas ao elenco, como saídas e chegadas.
Técnico do Náutico, Hélio dos Anjos, em treino no CT
Rafael Vieira/CNC
– Não quero ser dono de nada, mas acho que tenho a obrigação de procurar o melhor para o Náutico. E muitas vezes as pessoas não entendem. Não sou dono de nada. Dou satisfação para o Bruno diariamente. O Guilherme (dos Anjos) conversa com o Bruno, no mínimo, duas, três vezes no dia. Nunca desfiz de nenhum diretor aqui dentro – explicou.
– Agora, aquilo que me cabe decidir, não me omito. Não precisei pegar ninguém, nenhum diretor, e chamar os jogadores que liberei para falar com eles. Foi comigo e Guilherme, em respeito a eles. Só que o jogador do futebol brasileiro não entende isso como respeito. Porque, na Europa, você fala que no fim do ano ele está fora, o cara trabalha da melhor maneira possível. Aqui, em algumas situações, o jogador vira a cara para você. Acho que respeito é chegar e comunicar – finalizou o treinador.
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