Prancha de desconhecido e 15 pontos na perna: a saga do 1º brasileiro a vencer em Teahupoo
Bruno Santos revela detalhes sobre a vitória no Taiti em 2008
Anos antes do surgimento da Brazilian Storm, houve um brasileiro que fez o Taiti tremer. Foi em 2008 que o carioca Bruno Santos, o Bruninho, tornou-se o primeiro surfista do país e vencer a icônica etapa de Teahupoo do Circuito Mundial da WSL. Para se ter uma ideia do feito, o surfe do Brasil só foi voltar a conquistar o evento em outras quatro oportunidades: em 2014 e 2018 com Gabriel Medina; em 2022 com Miguel Pupo; e em 2024 com Italo Ferreira.
+ Surfista viraliza ao executar mortal com prancha e recebe elogios de tops da WSL
+ Kelly Slater recebe convite da WSL e retorna ao CT na etapa do Taiti
+ Gabriel Medina se casa com Isabella Arantes e anuncia que será pai pela primeira vez
Bruno Santos foi campeão no Taiti em 2008
Kirstin Scholtz/WSL
A edição 2026 do evento começa neste sábado, com a primeira chamada às 14h (de Brasília). A janela vai até o dia 18 com 10 brasileiros na disputa (nove no masculino e Luana Silva no feminino). Os canais sportv e o GloboPlay transmitem todas as baterias ao vivo.
– O principal daquela minha conquista foi o fato de que na época o Brasil estava vivendo um jejum de seis anos sem uma vitória no Circuito Mundial. E, é claro, também sou lembrado por ter sido o primeiro brasileiro a ser campeão no Taiti, que é uma onda considerada uma das mais pesadas, mais assustadoras do Tour. Comecei a surfar em Itacoatiara (Niterói-RJ), que é uma das ondas mais pesadas do Brasil. Com essa base, sempre tive desempenho bom em ondas tubulares – disse Bruninho em entrevista ao ge.globo.
A conquista veio com muitos percalços. Sem vaga na elite, Bruninho precisou vencer a triagem para competir em Teahupoo em 2008. Por conta da violência das ondas taitianas, o carioca foi quebrando todas as suas pranchas no decorrer da competição. Até que o brasileiro viu-se numa encruzilhada. Como estava com apenas uma prancha, ele precisou pedir uma prancha emprestada a um colega por questões técnicas.
Bruno Santos em Teahupoo em 2015
Kelly Cestari/WSL
– Cheguei ao final day só com uma prancha. Todas as outras se quebaram nos outros dias. E acabou que no evento principal, no último dia, o mar abaixou muito e eu estava com uma prancha grande para aquelas condições. Foi aí que eu acabei pegando uma prancha emprestada no dia da final com um cara que eu nem conhecia. Acho que ele era um profissional de transmissão. Quando pedi uma prancha emprestada a ele, ele tentou me empurrar uma mais velhinha. Só que eu tinha visto uma outra melhor com ele e falei: “É essa que eu quero”. Ele emprestou e deu certo – contou.
Bruno também revelou que sofreu uma lesão na triagem. Por sorte, como o evento ficou vários dias “off”, ele teve tempo de se recuperar para competir ao lado dos principais surfistas do mundo na chave principal.
– A triagem oferecia duas vagas, no caso os dois finalistas. E na semifinal, na minha segunda onda, eu tomei uma bicada. Eu não saí do turbo, tomei uma bicada na parte de dentro da coxa e fiz um buraco enorme. Mesmo assim eu resolvi voltar. Só enfaixei a perna ali e ainda consegui voltar no finalzinho da bateria e avançar, porque até então eu não tinha garantido a vaga. Assim que acabaram as triagens, eu fui para o hospital, costurei, tomei uns 15 pontos e precisei ficar sem surfar uns dias. Por sorte o campeonato ficou parado por um tempo, o que me ajudou – frisou.
Relembre momentos da carreira do surfista Bruno Santos
Carreira curta na WSL
Apesar da vitória inédita para o Brasil em Teahupoo, Bruninho Santos teve uma carreira curta na WSL. Depois do feito em 2008, ele disputou apenas mais oito etapas do CT, a última delas em 2016 no próprio Taiti.
A pouca participação no Circuito Mundial tem explicação. Adepto do freesurf desde novo, o surfista criado em Itacoatiara-RJ sempre privilegiou o surfe em ondas pesadas, em especial as tubulares. A paixão por esse tipo de onda foi tanta que o surfista se mudou com a família para Bali, na Indonésia, em 2017.
– Meu surfe nunca se encaixou no Circuito Mundial. Tentei uns cinco anos correndo a divisão de acesso (WQS), mas não consegui me firmar. Disputei um total de cerca de 15 etapas da elite, a maioria como convidado. Se eu não me engano, acho que eu devo ter sido o convidado que mais disputou eventos. E tive bons resultados, o último deles um 5º lugar no Taiti em 2016 – lembrou.
Bruno Santos com as filhas na Indonésia em 2017
Adrian Kojin/WSL
A última vez que o carioca disputou a triagem de uma etapa do CT foi em 2017 na própria Tehaupoo. Na ocasião, ele ficou em terceiro e não conseguiu avançar à competição principal. Desde então, Bruninho não recebeu mais convites, o que o fez focar totalmente a sua vida no freesurf. Pai de duas filhas, ele hoje se divide entre o surfe, as viagens pela Indonésia e o trabalho de agente imobiliário ao lado da esposa.
– Em setembro, vou disputar o Capítulo Perfeito (evento que reúne os melhores tube riders do mundo) em Portugal. Esse ano também vai ter uma etapa pela primeira vez em Desert Point (na ilha de Lombok, na Indonésia), que é uma das minhas ondas preferidas. Voltar a disputar uma etapa do Circuito Mundial da WSL é algo que não passa pela minha cabeça. Mesmo porque já estou com 43 anos e acho que não vai rolar convite. Vencer uma triagem no Taiti hoje é bem mais difícil, porque o evento é dominado pelos locais e tem muitos taitianos bons – destacou.
Palpite para Teahupoo 2026
Apesar de estar fora do Circuito Mundial, Bruninho tem acompanhado bastante o CT. A partir de sábado, ele pretende assistir a todas as baterias da etapa do Taiti. Para o cria de Itacoatiara-RJ, há muitos surfistas capacitados para serem campeões na esquerda tubular de Teahupoo. Contudo, ele afirma que, se fosse para apostar dinheiro, ele jogaria as suas fichas em Gabriel Medina.
Gabriel Medina em Teahupoo em 2024
Reuters
– São muitos surfistas que eu vejo com potencial de vitória ali. O Gabriel vai ser sempre um dos meus favoritos. Ele conhece muito, entuba muito fundo, é um surfista muito rápido, ele consegue imprimir muita velocidade. E por ser goofy ele se encaixa em qualquer condição. Depois vem aquela galera ali que conhece, que surfa muito, que é o Ítalo (Ferreira), o Yago (Dora) e o Kauli (Vaast), que é um local que, assim como o Gabriel, surfa em qualquer condição. Tem também o wildcard Eimeo (Czermak), que pode se dar bem caso as ondas fiquem pesadas. Destacaria ainda o João Chianca, que é um surfista muito atirado e pode dar trabalho, assim como o Jack Robinson. Só que, se fosse para apostar em alguém, eu apostaria no Gabriel, que é o meu favorito – finalizou. geRead More


