Trump anuncia acordo com o Canadá e diz que tarifas serão zeradas para agricultores
Donald Trump anuncia tarifas.
AFP
Os Estados Unidos e o Canadá anunciaram nesta quarta-feira (19) um acordo comercial que interrompe a escalada da guerra tarifária entre os dois países. O presidente Donald Trump afirmou que o pacto elimina as tarifas sobre produtos agrícolas americanos exportados ao Canadá e declarou que, para os agricultores dos EUA, as tarifas serão inexistentes.
O entendimento foi fechado menos de 24 horas após Trump anunciar a suspensão, por três dias, das novas tarifas de 50% sobre produtos canadenses que entrariam em vigor à meia-noite de terça-feira (18). Na ocasião, o presidente disse que os dois países estavam prestes a chegar a um acordo.
Cerca de uma hora depois, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, confirmou que as negociações haviam avançado e afirmou, em comunicado, que “progressos substanciais foram feitos, embora ainda haja trabalho importante a ser realizado”.
Primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, discursa no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, em 20 de janeiro de 2026.
REUTERS/Denis Balibouse
A seguir, a Reuters reuniu os principais pontos de atrito destacados pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) em seu relatório de 2026 sobre o Canadá.
Leite, aves e ovos
Os Estados Unidos criticam o sistema canadense que controla a produção de leite, aves e ovos. Nesse modelo, o governo estabelece limites de produção e também define cotas de importação – ou seja, uma quantidade máxima que pode entrar no país com tarifas reduzidas.
Quando as importações ultrapassam essa cota, o Canadá cobra tarifas que podem superar 200%, o que, segundo Washington, dificulta o acesso de produtores americanos ao mercado canadense.
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Os EUA também reclamam da forma como o Canadá administra as cotas de importação de laticínios previstas no USMCA e das políticas de preços do leite. O governo de Mark Carney já afirmou que esse sistema não será negociado.
Preferência para empresas canadenses
Washington afirma que a iniciativa Buy Canadian (“Compre Canadense”) dá prioridade a empresas do país e ao uso de aço, alumínio e madeira produzidos no Canadá em grandes contratos públicos.
Os EUA também contestam regras adotadas por províncias como Ontário, Quebec e Colúmbia Britânica, que, segundo o governo americano, colocam fornecedores dos Estados Unidos em desvantagem em licitações públicas.
Vinho, cerveja e destilados
Na maior parte do Canadá, a distribuição de bebidas alcoólicas é controlada por órgãos públicos provinciais. Os Estados Unidos dizem que esse modelo cria barreiras por meio de regras sobre quais produtos podem ser vendidos, preços e exigências de distribuição.
A disputa se intensificou depois que várias províncias deixaram de vender bebidas alcoólicas americanas em resposta às tarifas impostas por Trump sobre produtos canadenses no ano passado.
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Devanir Gino/Claudemir Camilo/EPTV
O premiê de Ontário, Doug Ford, afirmou que as bebidas dos EUA só voltarão às prateleiras se as tarifas forem retiradas ou se um novo acordo comercial for firmado.
Impostos sobre serviços digitais e plataformas
Os Estados Unidos continuam acompanhando o imposto canadense sobre serviços digitais, cobrado de grandes empresas de tecnologia. Embora Ottawa tenha prometido revogar a medida, ela ainda não havia sido oficialmente eliminada até o fim de 2025, segundo o USTR.
Washington também critica a Lei de Notícias Online, que obriga grandes plataformas digitais a remunerar organizações jornalísticas canadenses pelo uso de seu conteúdo.
Outro ponto de atrito são as regras para serviços de streaming, que exigem que determinadas plataformas contribuam financeiramente para o sistema de radiodifusão do Canadá. O governo canadense sinalizou que pretende abandonar a proposta de obrigar empresas como a Netflix a financiar produções locais para evitar aumento de custos aos consumidores.
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Agricultura e sementes
Os EUA afirmam que o sistema canadense de registro de sementes é lento e burocrático, o que dificulta a entrada de sementes e grãos americanos no país.
Washington também mantém objeções a restrições sobre a importação de algumas frutas e hortaliças frescas.
Propriedade intelectual
O Canadá continua na lista de observação dos Estados Unidos sobre proteção à propriedade intelectual.
As preocupações incluem a venda de produtos falsificados e pirateados, especialmente no Pacific Mall, em Toronto, além de questões relacionadas à proteção de patentes e ao reconhecimento de indicações geográficas, que identificam produtos ligados a uma região específica.
Trabalho forçado
Embora o Canadá tenha adotado medidas para impedir a importação de produtos feitos com trabalho forçado, os Estados Unidos afirmam que a fiscalização ainda é insuficiente e pode permitir a entrada desses itens no mercado canadense.
No início deste mês, o país apresentou uma nova lei para reforçar a proibição dessas importações.
Governo Trump anuncia novo tarifaço de 50% para o Canadá
Trabalho Forçado/ Escravidão Moderna/ Trabalho Análogo à Escravidão
Organização Internacional do Trabalho/ Kazi Salahuddin Razu/ Getty Images
Mercado de energia em Alberta
Washington afirma que o mercado de eletricidade da província de Alberta continua prejudicando produtores americanos.
Segundo os EUA, empresas do setor reclamam que a energia gerada no estado vizinho de Montana recebe prioridade menor do que a eletricidade produzida em Alberta, mesmo quando ambas têm o mesmo preço, limitando o acesso de fornecedores americanos ao mercado provincial.
Preços de medicamentos
Os Estados Unidos dizem que o órgão canadense responsável por revisar os preços de medicamentos patenteados reduz de forma injusta o valor de remédios inovadores.
A crítica é que o Canadá deixou de usar Estados Unidos e Suíça como referência na comparação internacional de preços de medicamentos patenteados, o que, segundo a indústria farmacêutica americana, reduz artificialmente os preços praticados no mercado canadense.g1 > EconomiaRead More


