Zanardi desabafa após empate da Ponte e admite desgaste: “Parte física e mental estão esgotadas”
Melhores momentos de Ponte Preta 1 x 1 Náutico pela 22ª rodada da Série B
A crise da Ponte Preta já ultrapassou os limites do campo. Depois do empate por 1 a 1 com o Náutico, nesta sexta-feira, no Moisés Lucarelli, o técnico Márcio Zanardi fez um dos desabafos mais contundentes desde que assumiu o comando da equipe e admitiu que o cenário vivido pelo clube tem provocado desgaste físico e mental nos jogadores.
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A Macaca saiu na frente com Brandão, mas sofreu o empate de Borasi no segundo tempo e chegou ao 16º jogo consecutivo sem vencer na Série B. São 13 derrotas e três empates na sequência. Com apenas 10 pontos, a Ponte ocupa a última colocação da competição.
Márcio Zanardi, técnico da Ponte
Marcos Ribolli
– A parte física e mental estão esgotadas – resumiu Zanardi ao projetar a preparação para o próximo compromisso, contra o Vila Nova, em Goiânia.
O treinador terá pouco tempo para recuperar os jogadores. A Ponte entra em campo novamente na próxima quarta-feira e, diante da limitação do elenco, Zanardi já planeja reduzir as atividades no campo para preservar os atletas.
– No sábado, vai treinar quem jogou pouco. No domingo é tentar recuperar um pouco mais, seguir recuperando na segunda e tentar trabalhar mais no vídeo do que no campo para não esgotá-los.
Ponte Preta x Náutico; Série B 2026
Marcos Ribolli
Sem conseguir utilizar os reforços contratados para a sequência da Série B por causa dos transfer bans, a Ponte tem recorrido cada vez mais aos jogadores das categorias de base. Contra o Náutico, três deles foram relacionados para o banco: Matheus Souza, Caio Vinicius e Gabriel Cicala. Segundo Zanardi, nenhum dos três havia realizado treinamento com o elenco profissional antes da partida.
– Eu vim da base e a gente sempre sonha em promover estreias profissionais. Existem muitos problemas aqui no profissional e na base também não é diferente. Com isso, a gente acaba trabalhando para que a base ajude o profissional.É até injusto com eles, mas é uma oportunidade e o futebol é feito disso. A responsabilidade não é deles.
– Os mais experientes ajudaram muito, principalmente o Elvis, e isso é importante. A cobrança não pode ser em cima deles. Abracei cada um, agradeci e disse que eles precisam ter orgulho do que fizeram.
“Não é apenas uma questão de salário”
Para Zanardi, porém, o problema enfrentado pela Ponte não se resume aos salários atrasados. O técnico afirmou que o ambiente de dificuldades interfere diretamente na cabeça dos jogadores e, consequentemente, no desempenho dentro de campo.
Márcio Zanardi, técnico da Ponte
Marcos Ribolli
– A gente quer ter um ambiente saudável, mas é muito difícil. Isso não é apenas uma questão de salário. Isso é muito mais. As coisas não vão acontecendo, a cabeça sofre, o corpo acaba sentindo.
O treinador também revelou que precisa recorrer à família e à terapia para lidar com a pressão do momento.
– Eu faço terapia, converso com a minha família e sei que estou tentando fazer o meu melhor. A Ponte é grande, é digna, é um clube grande. Estou tentando trabalhar da melhor forma possível. São muitas dificuldades e estamos tentando enfrentá-las.
Zanardi afirmou ainda que não se considera acima dos problemas enfrentados pelos demais profissionais do clube.
– Eu ouvi que recebi três salários, mas como eu vou receber? Eu estou no mesmo barco, esperando receber. O nosso objetivo é dar uma condição digna para os jogadores, para os funcionários.
Ponte Preta x Náutico; Série B
Marcos Ribolli
– Eu não estou feliz porque sou muito competitivo, mas é um momento que está me gerando muito aprendizado. O clube precisa reagir, dar condições, mas o trabalho está sendo feito. É o momento de ser resiliente.
Apesar das dificuldades, Zanardi disse manter contato diário com os dirigentes e transferiu para a administração a responsabilidade pela solução dos problemas estruturais.
– Eu falo todos os dias com eles. Eles estão trabalhando atrás de recurso para organizar. Não adianta eu ficar ligando, cobrando, pedindo. Eu trabalho com o que eu tenho. Quando você não tem dinheiro pra nada, falta tudo.
– A Série B exige muito, é uma competição muito profissional e você precisa de estrutura para encarar. Se eu for enumerar todos os problemas que faltam no clube, vou ficar a noite inteira aqui. Todo esse externo acaba influenciando no resultado.
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A Ponte volta a campo na próxima quarta-feira, contra o Vila Nova, fora de casa, pela 23ª rodada da Série B.
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