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A Libertadores virou um Brasileirão com escalas internacionais

A Libertadores virou um Brasileirão com escalas internacionais

Flamengo 1 x 1 Independiente del Valle | Melhores momentos | CONMEBOL Libertadores 2026
O pênalti batido na lua por Memphis Depay impediu que a semifinal da Libertadores ficasse com cara de Copa do Brasil, algo que há anos vem ameaçando acontecer. Não evitou, no entanto, que a antessala da decisão continental tenha se tornado uma espécie de Torneio Rio-São Paulo, com um convidado exótico e importante — no caso, o Estudiantes de La Plata. Em outubro, Palmeiras x Fluminense e Flamengo x Estudiantes decidem os finalistas.
É verdade que não foi fácil. Porque Fluminense, Palmeiras e Flamengo sofreram, cada qual a seu modo, em maior ou menor intensidade. Ao fim da noite de ontem, no entanto, tínhamos três clubes brasileiros classificados para a semifinal, assim como aconteceu nas três edições entre 2021 e 2023. Nas últimas cinco edições (entre 2022 e 2026), os clubes brasileiros ficaram com 13 das 20 vagas possíveis na semifinal da Libertadores — ou, para agradar aos matemáticos, 65%.
Arrascaeta marca em Flamengo x Ind. Del Valle
André Durão/ge
O Brasil busca aumentar o número de títulos consecutivos. Atualmente, são sete taças enfileiradas — a oitava pode vir em novembro. É uma sequência de conquistas sem precedentes na história, bastante superior aos quatro títulos seguidos conquistados pela Argentina, duas vezes, entre os anos 1960 e 1970.
Se o Flamengo passar pelo Estudiantes, teremos a quarta final brasileira nas últimas cinco edições da Libertadores. Dos times de outros países, apenas o Boca Juniors conseguiu quebrar essa hegemonia, quando perdeu a decisão para o Fluminense em 2023. O recorde de finalistas consecutivos, no entanto, é do futebol argentino, e impressiona: os clubes do país vizinho estiveram em todas as 17 finais entre 1963 e 1979.
Voltemos ao presente. Seria loucura exigir esse tipo de consciência de torcedores que quase todo ano chegam nas instâncias decisivas, mas me parece difícil negar que a Libertadores ficou monótona. Afinal de contas, a supremacia brasileira tirou da competição a imprevisibilidade que a caracterizou ao longo da história.
Funcionários do Palmeiras fazem festa para o elenco após classificação na Libertadores
Antes democrático, agora o sonho de colocar o nome na plaquinha está restrito a um pequeno grupo de privilegiados. Anos atrás, era impossível saber se a taça acabaria a temporada em Assunção, Medellín ou Buenos Aires — hoje, a competição parece um Campeonato Brasileiro com escalas internacionais.
O cenário não tende a mudar tão cedo. O poderio econômico dos clubes brasileiros, somado à organização de Palmeiras e Flamengo, por exemplo, mostra que a tendência inclusive é o desequilíbrio aumentar. Mesmo gigantes como Boca Juniors e River Plate, com potencial econômico superior à maioria dos clubes do continente, estão penando para manter equipes competitivas, pois gastam de forma equivocada e são mal geridos.
Aliás, é possível apontar a virada do Flamengo sobre o River Plate, em 2019, como o momento (simbólico, inclusive) em que a hegemonia brasileira começou. E já faz nove edições, desde 2018, que o futebol brasileiro classifica ao menos duas equipes entre as quatro semifinalistas. Diante desse cenário, aquela semifinal de 2014, com San Lorenzo, Bolívar, Defensor e Nacional (do Paraguai), em breve deve começar a ser estudada pelos antropólogos.
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