Análise: entre luz e sombra, Sport de Soso precisa começar a apontar para o futuro
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Mariano Soso chegou ao Sport em um cenário de urgência. Anunciado no dia 9, o treinador teve praticamente um dia de trabalho antes de comandar a equipe na vitória por 2 a 0 sobre a Ponte Preta. Naquele momento, seria precipitado esperar uma mudança profunda de comportamento e características do time em relação ao apresentado com o ex-técnico Gilmar Dal Pozzo.
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CRB 2 x 1 Sport | Melhores momentos | 28ª rodada | Série B 2026
A derrota por 2 a 1 para o CRB, na terça-feira, porém, acrescentou um novo elemento à equação. Agora, Soso já tem uma partida a mais no comando, conhece melhor os jogadores e, principalmente, tem à disposição um elenco que passou por uma reformulação significativa na janela de transferências, encerrada com 13 reforços.
É nesse ponto que começa a aparecer uma questão importante para o Sport: “a escalação precisa começar a apontar para o futuro”, defende o comentarista Cabral Neto.
Técnico Mariano Soso, do Sport, em treino no CT
Paulo Paiva/Sport
Para Cabral, não se trata de cobrar que Soso já tenha conseguido transformar o time. O tempo de trabalho ainda é curto. A questão é outra: se o treinador chegou para implantar conceitos diferentes, as escolhas precisam começar a oferecer sinais desse novo Sport.
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“Mariano Soso chegou ao Sport para mudar conceitos, não apenas para trocar o nome do treinador. É difícil entender a manutenção quase integral da estrutura que vinha sendo utilizada por Gilmar Dal Pozzo.”
A afirmação de Cabral Neto ganha peso justamente diante das opções que o Sport passou a ter. Fernando Sobral, Patrick de Paula, Willian Oliveira e Murilo Rhikman ampliaram as alternativas para o meio-campo, setor que vinha apresentando problemas na construção. Fernando Sobral, inclusive, chegou ao clube já no início de setembro e foi utilizado na estreia de Soso contra a Ponte.
Fernando Sobral e Patrick de Paula em estreia pelo Sport, contra a Ponte Preta
Marlon Costa/AGIF
Ainda assim, diante do CRB, o treinador optou por manter praticamente a mesma formação. A única mudança em relação à equipe que começou contra a Ponte foi Carlos de Pena na vaga de Juan Alano, lesionado. Patrick de Paula e Fernando Sobral ficaram entre as opções para um setor que acabou sendo dominado pelo adversário no primeiro tempo.
O resultado foi um Sport que, sobretudo na etapa inicial, voltou a apresentar problemas conhecidos: dificuldade na saída de bola, pouca fluidez e incapacidade de controlar o meio-campo. A equipe terminou o primeiro tempo em desvantagem e precisou de três mudanças no intervalo para tentar alterar o cenário.
E justamente uma dessas mudanças reforçou a discussão. Fernando Sobral entrou e ajudou a melhorar a saída de bola do Sport. Patrick de Paula também entrou bem e deu mais dinamismo ao meio-campo, além de marcar o gol rubro-negro no fim da partida.
“Se a proposta é fazer um time mais posicional, com melhor ocupação dos espaços, construção desde atrás e pressão imediata após a perda da bola, é preciso começar a dar minutos e responsabilidades a jogadores que podem sustentar esse modelo”, defende Cabral Neto.
Elenco do Sport em treino no CT
Paulo Paiva/Sport
Esse é o ponto central, na avaliação do comentarista. A questão não é simplesmente colocar os reforços para jogar porque são reforços. É identificar quais jogadores oferecem características mais próximas do modelo que Soso pretende implementar e começar a dar a eles responsabilidades dentro da equipe.
O próprio treinador explicou que escolheu a escalação do CRB com base no rendimento que vinha observando, mas admitiu que o Sport não conseguiu executar aquilo que havia sido treinado.
“Eu, como treinador, interpretei que essa escalação daria certo. Você atribui titularidade em função do rendimento. Mas acho que o responsável não é só o rendimento, mas o planejamento do jogo. No primeiro tempo, não fizemos o que o time treinou”, disse Soso.
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A declaração ajuda a estabelecer o próximo passo do trabalho. Se a primeira partida serviu para recuperar confiança e somar três pontos, e a segunda expôs problemas que continuam presentes, as próximas rodadas precisam começar a mostrar intervenções mais claras.
O desafio é ainda maior porque o Sport está na nona colocação, com 41 pontos, cinco atrás do Atlético-GO, que ocupa o sexto lugar. Restam dez rodadas, e o próprio Soso reconheceu depois da derrota para o CRB que o time não tem mais margem de erro.
Por isso, encontrar o “Sport ideal” não significa apenas escolher os melhores jogadores individualmente. Significa encontrar uma formação capaz de traduzir em campo os conceitos que fizeram o clube apostar novamente no treinador argentino.
As próximas escolhas feitas durante esse processo também precisam indicar qual é o caminho. A reta final da Série B coloca Soso diante desse desafio: tirar o Sport da sombra do que foi e começar a iluminar o que pode ser.
– O Sport não precisa apenas de resultados imediatos. Precisa começar a construir a cara de Soso. Não há mais tempo para seguir errando, as poucas rodadas que restam são suficientes para o time engrenar e voltar a sonhar com acesso, desde que não permaneça travado por seus próprios erros – finaliza Cabral Neto.
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