As razões de ex-marido para perdoar a ex-mulher acusada de matar seus 3 filhos: ‘Teria me consumido por dentro para sempre’
Patrick Clancy perdoou sua ex-esposa Lindsay Clancy, acometida de psicose pós-parto, pela morte dos três filhos do casal
Getty Images via BBC
Importante: esta reportagem contém detalhes sobre doenças mentais e discussões sobre suicídio que podem ser perturbadores para alguns leitores.
Patrick Clancy, ex-marido da mãe americana acusada de matar seus três filhos pequenos três anos atrás, declarou que teria ficado “consumido por dentro para sempre” se não a perdoasse pelo ocorrido.
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Em entrevista à rede de TV CBS, parceira da BBC nos Estados Unidos, Clancy declarou ter feito todo o possível quando sua ex-esposa, Lindsay Clancy, lutava contra uma doença mental, nos meses anteriores ao estrangulamento dos menores.
Linday não negou tê-los matado, mas seus advogados defendem que ela não deve ser considerada legalmente responsável, já que sofria de uma doença mental grave.
No início deste mês, um juiz declarou a anulação do julgamento, pois o júri informou não ter conseguido atingir um veredito unânime sobre sua culpa ou não pelo assassinato.
A promotoria afirma que, no dia 24 de janeiro de 2023, Clancy estrangulou intencionalmente seus três filhos: Cora, de cinco anos; Dawson, de três; e Callan, de oito meses, na sua casa em Duxbury, no Estado americano de Massachusetts.
Clancy tem, agora, 36 anos. Ela ficou paralisada ao pular de uma janela do segundo andar e acompanhou o julgamento em cadeira de rodas.
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Patrick Clancy testemunhou durante o processo sobre a deterioração da saúde mental da sua ex-esposa, depois de dar à luz.
A defesa argumentou que ela sofria de psicose pós-parto. Trata-se de uma condição pouco frequente, na qual as mulheres podem sofrer episódios de mania, depressão ou uma mistura de ambas, após o nascimento de uma criança.
“Eu não sabia como lidar com uma doença pós-parto”, declarou o pai à CBS. “Acredito que as doenças mentais têm essa capacidade de serem tragicamente enganosas.”
A defesa de Lindsay Clancy afirma que ela cometeu o crime enquanto era acometida de uma séria doença mental
Getty Images via BBC
O estado de saúde mental de Lindsay Clancy foi exatamente o que levou Patrick a perdoá-la.
“Vi manchetes dizendo, sabe, ‘Mãe assassina’, ‘Assassina de bebês’, ‘Monstro'”, afirmou ele. “E nenhuma delas era correta.”
“Acredito que foi sua doença mental que provocou aquilo. Por isso, expressei estas palavras. E, em relação a perdoá-la, também senti que, se não chegasse a este ponto, eu me consumiria por dentro para sempre.”
Responsabilidade
A reportagem da CBS questionou Clancy se ele sentia que havia falhado de alguma forma no período anterior a os assassinatos.
“Acredito ter feito o melhor que pude, com os recursos e o conhecimento que tinha naquele momento. Convivo com isso todos os dias”, respondeu ele.
Nas semanas que se seguiram à tragédia, suportar o luto se tornou uma luta. Ele reconheceu ter sofrido pensamentos suicidas.
“Não pensei que chegaria a completar 35 anos”, ele conta. “E estava totalmente em paz com esta ideia.”
Ao longo das sete semanas de julgamento, Patrick Clancy foi alvo de uma intensa e hostil campanha na internet. Ele foi acusado de encobrimento e algumas pessoas afirmaram que ele teria algum grau de responsabilidade pelos assassinatos.
Transformado repentinamente em uma figura pública, os jornais publicaram fotografias suas viajando e ao lado da sua nova esposa, Rachel Danis.
Hoje com 36 anos, Clancy declarou que estas especulações eram “profundamente prejudiciais para o legado dos meus filhos”.
“Sou uma enorme distração sobre o que realmente importa aqui, que é a saúde mental perinatal”, afirma ele.
O pai destacou que, para ele, também havia sido pessoalmente “doloroso observar”.
“E é difícil ficar em público. É possível que algumas pessoas, depois de observarem mentira após mentira após mentira, comecem a acreditar nelas e é com isso que acabamos ficando.”
A intensa atenção da imprensa o levou a se mudar de Duxbury (uma cidade com 16 mil habitantes) para Nova York, para tentar recuperar o anonimato.
Patrick Clancy e sua nova esposa foram entrevistados pela CBS, emissora parceira da BBC nos Estados Unidos
Getty Images via BBC
Peter Clancy, agora, está formando família com Rachel Danis. Ele tem esperança de poder falar aos seus futuros filhos sobre seus irmãos.
“Acredito que todos os pais concordarão que temos relacionamentos diferentes com cada um dos filhos, mas todos são nossos filhos”, ele conta. “E não vejo a hora de contar a eles sobre seus irmãos e sua irmã.”
A anulação do julgamento deixa o caso sem solução e os promotores ainda não indicaram se irão pedir um novo processo.
A próxima audiência está marcada para o dia 29 de setembro, no Superior Tribunal de Plymouth, em Massachusetts.
Caso você seja ou conheça alguém que apresente sinais de alerta relacionados ao suicídio, ou tenha perdido uma pessoa querida para o suicídio, confira alguns locais para pedir ajuda:
O Centro de Valorização da Vida (CVV), por meio do telefone 188, oferece atendimento gratuito 24h por dia; há também a opção de conversa por chat, e-mail e busca por postos de atendimento em todo o Brasil;
Para jovens de 13 a 24 anos, a Unicef oferece também o chat Pode Falar;
Em casos de emergência, outra recomendação de especialistas é ligar para os Bombeiros (telefone 193) ou para a Polícia Militar (telefone 190);
Outra opção é ligar para o SAMU, pelo telefone 192;
Na rede pública local, é possível buscar ajuda também nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), em Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Unidades de Pronto Atendimento (UPA) 24h;
Confira também o Mapa da Saúde Mental, que ajuda a encontrar atendimento em saúde mental gratuito em todo o Brasil.
Para aqueles que perderam alguém para o suicídio, a Associação Brasileira dos Sobreviventes Enlutados por Suicídio (Abrases) oferece assistência e grupos de apoio.g1 > Mundo Read More


