Bauruense que quase perdeu a perna supera acidente e se prepara para maratona de Buenos Aires
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Quando estiver na linha de largada da Maratona de Buenos Aires, em setembro, o bauruense Bruno Righetto terá pela frente os 42 quilômetros de uma das principais provas da América do Sul. Para ele, porém, chegar até ali já representa uma conquista que parecia improvável há menos de sete anos.
Professor de Educação Física, Bruno passou de um grave acidente, com o risco de não voltar a andar e até de perder uma das pernas, para a prática de corrida de rua e, agora, a preparação para sua primeira maratona.
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A história começou em 2019. Bruno dirigia durante a noite, voltando para Bauru, quando outro veículo entrou na contramão, com os faróis apagados, e atingiu seu carro frontalmente. Segundo o professor, o outro motorista tentava tirar a própria vida.
Bruno foi internado em estado grave e começou ali um longo processo de recuperação. Durante cerca de dois anos, sua rotina ficou dividida entre cama, cadeira de rodas e bengala.
Ao todo, passou por nove grandes cirurgias: cinco na perna, duas no abdômen e outras duas no braço. Durante o tratamento, chegou também a ficar ostomizado. Diante da gravidade das lesões, os prognósticos que recebeu indicavam que voltar a andar seria difícil. Retomar a prática esportiva parecia ainda mais distante.
Foi durante a reabilitação que Bruno decidiu transformar a própria recuperação em um objetivo pessoal e também em uma forma de tentar inspirar outras pessoas que recebessem diagnósticos semelhantes.
– Foi diante desse cenário de incertezas que decidi provar o contrário, não apenas para mim mesmo, mas para todas as pessoas que um dia fossem confrontadas com um diagnóstico de impossibilidade. Percebi, durante todo o complexo processo de reabilitação, que o cuidado no sentido humano era muitas vezes frágil e deficiente no sistema de saúde.
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Arquivo pessoal
A recuperação permitiu que Bruno voltasse não apenas a andar, mas também a praticar esportes. A corrida de rua se tornou parte importante desse processo. Desde então, o bauruense disputou duas edições da Corrida Internacional de São Silvestre e completou quatro meias maratonas.
– Contrariando todas as expectativas clínicas, não apenas me reabilitei e voltei a andar, como também abracei a corrida de rua como minha principal ferramenta de superação. Sei que não sou o corredor mais rápido do pelotão, mas carrego comigo valores que transcendem o cronômetro: a resiliência, o comprometimento e a disciplina.
A transformação também aconteceu fora das pistas. Na época do acidente, Bruno ainda cursava a graduação em Educação Física. Com a ajuda de professores e colegas durante o período de recuperação, conseguiu concluir o curso.
– Decidi aprofundar meus estudos acadêmicos para me especializar e aprender a me curar e a cuidar de outras pessoas com maior propriedade técnica e sensibilidade. Depois, decidi cursar o doutorado e tornar-me professor, para plantar um pouco do que acredito como profissional em cada aluno que se formar comigo. Minha missão passou a ser garantir que cada futuro profissional de Educação Física carregue um pouco da minha vivência.
Agora, a trajetória ganha um novo capítulo. Depois das meias maratonas e das participações na São Silvestre, Bruno aumentou a distância e iniciou a preparação para completar os 42,1 quilômetros da Maratona de Buenos Aires.
A prova, marcada para setembro na capital argentina, tornou-se para ele mais do que uma meta esportiva. Será também uma forma de simbolizar o caminho percorrido desde o acidente de 2019.
– No próximo mês de setembro, estarei na linha de partida da Maratona de Buenos Aires, um desafio que, poucos anos atrás, parecia absolutamente impossível. Não pelos 42 quilômetros em si, mas porque chegar até ali exigiu viver primeiro uma trajetória de dor, reconstrução e resiliência que poucos imaginariam ser possível superar.
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Mesmo recuperado, Bruno ainda precisa conviver com as consequências das lesões e das cirurgias. Por isso, a preparação para a maratona é feita respeitando as limitações de um corpo que passou por um extenso processo de reconstrução.
– A preparação tem sido intensa, respeitando rigorosamente os limites de um corpo que foi reconstruído cirurgicamente. Ao cruzar a linha de chegada na capital argentina, não estarei apenas completando uma prova de resistência, mas encerrando um ciclo de dor e recomeço – encerrou Bruno. geRead More


