Briatore questiona juiz da FIA por suposta relação com McLaren em caso Gasly
Flavio Briatore não poupou críticas à FIA (Federação Internacional do Automobilismo) após a decisão que devolveu as punições de Pierre Gasly no GP de Mônaco e tirou o pódio do francês. O italiano questionou a independência de um dos quatro juízes que avaliou o caso, afirmando que o integrante possui relação com a McLaren – a equipe solicitou a revisão que culminou com as sanções de Gasly.
Flavio Briatore é consultor e atua como chefe da Alpine na F1
Alex Bierens de Haan/Getty Images
– Desculpe, mas isso é muito injusto. Aceitamos a decisão, mas o que é muito estranho é que, dos quatro juízes do painel, um deles age como um promotor; ele tem uma ligação muito forte com a McLaren, pois temos uma bela foto desse cara no discurso para a McLaren em 2018, na McLaren Special Operations (MSO), em Beverly Hills. Ele tem uma fundação chamada One Drop Foundation, e a McLaren doou um carro para ela. Isso é bastante injusto: um dos juízes estava ligado a uma equipe que protestava contra nós – declarou Briatore, acrescentando:
– Esse juiz foi muito desagradável durante a audiência. Depois, descobrimos o motivo pelo qual ele foi tão desagradável. Independentemente do que (Andrea) Stella (chefe da McLaren) diga em nome do esporte, minha primeira reflexão sobre o julgamento é que é preciso ser independente. Os pontos 1, 1.2, 3, 4 e 5 (do regulamento) não me importam. Fomos à audiência com a McLaren e achamos muito estranho, porque esse juiz não era um juiz; ele era um promotor. A decisão em Mônaco foi tomada pelas mesmas pessoas, pois os comissários de que estamos falando são os mesmos. Eu aceito tudo. O que não aceito é quando se trata do juiz. Nossa grande dúvida é esta: por que alguém ligado à McLaren fazia parte do painel neste caso?
Pierre Gasly no GP de Mônaco de F1 2026
Divulgação
Briatore seguiu reforçando que a Alpine aceita a decisão da Corte Internacional de Apelação da FIA, que julgou o caso no último dia 25 de agosto. Porém, afirmou que a maior insatisfação da equipe está relacionada à composição do painel:
– Aceitamos o resultado da audiência. O que foi muito decepcionante foi descobrir que um dos juízes tem um ótimo relacionamento com a McLaren, um relacionamento profissional, por assim dizer. O painel deveria ser totalmente independente, e não se precisa de alguém ligado a alguma equipe, especialmente à equipe envolvida conosco nesta situação. Só isso. Nada mais. Agora vamos ver. Vamos pensar no que podemos fazer a seguir.
A FIA voltou atrás e devolveu a punição imposta a Pierre Gasly no GP de Mônaco, realizado em 7 de junho. A decisão foi tomada com base na audiência realizada pela Corte Internacional de Apelação (ICA) da entidade, sucedendo o apelo conjunto da McLaren e da Red Bull. Assim, o piloto da Alpine perdeu o pódio obtido na prova, e Isack Hadjar, da equipe austríaca, recuperou o terceiro lugar.
Flavio Briatore, chefe de equipe da Alpine
Jakub Porzycki/Reuters
Chefe da McLaren, Andrea Stella classificou as acusações como ofensivas à equipe e declarou que Briatore deve assumir a responsabilidade pelas falas. Stella também defendeu a condução do julgamento pelo Tribunal Internacional de Apelação da FIA:
– Considero que essa conversa, ao seguir nessa direção, seja bastante ofensiva para a McLaren, para a reputação de uma equipe que merece muito respeito. E se alguém fizer esse tipo de alegação, que parece bastante grave, terá que assumir a responsabilidade pelo que está dizendo em um fórum público. A audiência e todo o processo no Tribunal Internacional de Apelação, foram conduzidos de acordo com os mais altos padrões, e não devemos questionar essa fase da maneira como tem sido feito.
Zak Brown, CEO da McLaren, e o chefe Andrea Stella no GP do Japão da F1 2026
Kym Illman/Getty Images
A decisão foi comunicada pela FIA nesta sexta-feira. A Alpine também se pronunciou através de uma nota divulgada nas redes sociais; nela, lamentou a medida tomada pela entidade e reafirmou que discorda do desfecho – Gasly caiu para sétimo lugar após a revisão do pódio:
“A equipe expressa sua decepção e frustração com o resultado alcançado pelo Tribunal Internacional de Apelação da FIA em relação ao resultado do Grande Prêmio de Mônaco de 2026. Embora discordemos da decisão e mantenhamos integralmente a posição de que o carro #10 não excedeu o limite de velocidade do pit lane em nenhum momento durante a corrida, a equipe reconhece a decisão do painel de juízes na recente audiência realizada em Paris. Embora o resultado não seja o que esperávamos, já que consideramos ter sido punidos injustamente, a equipe está totalmente focada em continuar melhorando seu desempenho na pista e permanece na disputa pelo Campeonato, que segue acirrada e muito competitiva. Esse resultado não vai desviar a equipe de seus esforços e de sua motivação para alcançar seus objetivos até o fim da temporada”.
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A reportagem do ge havia antecipado, em junho, que a McLaren e a Red Bull pretendiam apelar da reinstalação do pódio de Gasly na prova – realizada no dia 7 do mesmo mês e vencida por Kimi Antonelli. As duas equipes decidiram apelar depois que a FIA aceitou o pedido da Alpine, e retirou as punições dadas a Gasly na corrida em Monte Carlo.
O protesto da Alpine, por sua vez, se deu em razão de um problema de medição que culminou em várias punições dadas aos pilotos, de maneira inconsistente, por acelerar nos boxes. Em resumo: na pista, quem chegou em terceiro lugar foi Gasly; depois das sanções, Hadjar, da Red Bull, herdou a posição. Por fim, com a decisão inicial da FIA, Gasly recuperou o pódio.
Como a devolução do pódio do francês da Alpine havia sido determinada pela FIA, próximo passo para a McLaren e a Red Bull seria levar o caso para a Corte Internacional de Apelação (ICA) do esporte a motor – o que ambas fizeram.
Relembre o caso
O GP de Mônaco ficou marcado pela grande quantidade de punições de cinco segundos dadas aos pilotos na pista, quase todas elas causadas por excesso de velocidade dentro dos boxes. Ao todo, cinco competidores foram penalizados por esse motivo: Lewis Hamilton, George Russell, Oscar Piastri,Franco Colapinto e o próprio Pierre Gasly – o francês levou duas punições deste tipo.
Gasly cruzou a linha de chegada em terceiro lugar, mas as punições fizeram com que ele perdesse posições e alçaram Hadjar ao pódio. No entanto, a Alpine entrou com o pedido de revisão junto à FIA logo em seguida, com o intuito de solicitar o cancelamento das penalidades dadas ao francês.
O pedido foi feito dentro do prazo estipulado pela entidade que rege o esporte a motor, e a FIA analisou o caso. Após verificação dos dados, a Formula One Management (FOM) constatou que havia uma imprecisão na configuração das zonas de medição dos boxes.
A diferença de 77 centímetros na medição pesou no cálculo da velocidade média dos pilotos no trecho, e os pilotos punidos, em alguns casos, estouraram o limite em apenas 0,1 km/h. Ao recalcular os pit stops de Gasly com as medidas corretas, a FIA chegou à conclusão de que o francês estava dentro do limite e, por isso, decidiu restituir o pódio.
As punições dos outros pilotos não foram reconsideradas porque as equipes não entraram com pedidos de revisão dentro do prazo estipulado.
Além da Red Bull, que viu Isack Hadjar perder o pódio após a decisão da FIA, outras duas equipes também perderam pontos na tabela: a McLaren viu Oscar Piastri cair do quarto para o quinto lugar, enquanto a Racing Bulls, equipe B da Red Bull, teve Liam Lawson e Arvid Lindblad perdendo uma posição cada – eles desceram para o sexto e sétimo lugares, respectivamente.
Na ocasião, a Mercedes também chegou a anunciar que pediria a revisão das punições dadas na corrida em Monte Carlo, visto que George Russell foi um dos penalizados e, de quebra, ainda sofreu um drive through penalty (quando o piloto precisa passar lentamente pelos boxes) por não ter cumprido os cinco segundos nos boxes. A equipe, porém, decidiu não prosseguir com o plano.
A McLaren e a Red Bull, por outro lado, decidiram levar o caso adiante e recorreram na Corte Internacional de Apelação (ICA) do esporte a motor.
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