Cadu explica movimentos do Bahia no mercado, cita orçamento e exalta 59 rodadas no G-8 da Série A
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No dia seguinte ao fechamento da última janela de transferências da temporada, Cadu Santoro participou de uma entrevista coletiva na Cidade Tricolor. O diretor de futebol do Bahia falou sobre as movimentações do clube no mercado, comparou o orçamento com outras equipes da Série A e exaltou a sequência de 59 rodadas no G-8 do Brasileiro. Ao ser questionado sobre conquistar grandes títulos, evitou definir um prazo.
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“Eu queria muito dizer uma data, um prazo, mas seria mentiroso da minha parte colocar isso” , disse Cadu Santoro.
– O que temos que fazer é continuar crescendo o clube, continuar competitivo, avançar nas copas sem perder o foco no Brasileiro. Encontrar esse equilíbrio é muito difícil no futebol. Estar no G-8 por 59 rodadas no Brasileiro é muito difícil, porque as outras equipes que competem com você não fazem tudo da forma correta. Atrasam salários, sofrem transfer ban e tiram pontos seus no Campeonato – completou o diretor de futebol.
Cadu Santoro em entrevista coletiva na Cidade Tricolor
Letícia Martins/EC Bahia
A sequência de 59 rodadas no G-8 do Campeonato Brasileiro foi um trunfo repetido por Cadu Santoro em diferentes momentos da coletiva. O Bahia está no grupo dos oito primeiros de forma ininterrupta desde a quinta rodada da edição do ano passado, e o diretor citou as receitas do clube para reforçar a importância do feito.
– Às vezes se comunica que o dinheiro é infinito, que vamos sair contratando, mas hoje o Bahia possui a 14ª receita da Série A, a 12ª folha da Série A, e estamos há 59 rodadas no G-8. Então isso mostra que estamos performando acima da receita do clube, acima da folha do clube. Existe um salto grande para que a gente possa estar em outro grupo do Campeonato, que é quem briga pelo primeiro e segundo lugar de forma regular, mas para isso temos que continuar crescendo o clube em receita – disse Cadu.
– O Grupo vem investindo bastante, se não seguramente a gente estaria abaixo na tabela, e aí isso mostra que temos acertos nas contratações dos atletas e um trabalho muito competente da comissão técnica. Para dar um novo salto temos que continuar crescendo o clube, aumentando receita, gerando venda de atletas. A gente sempre investiu muito mais do que colocou de receita em venda de atletas. Com passar dos anos esse número vai se equilibrar. Para continuar investindo muito, precisamos ter receita de vendas – completo.
Cadu Santoro em entrevista coletiva na Cidade Tricolor
Letícia Martins/EC Bahia
As movimenações do Bahia no mercado de transferências também foram citadas por Cadu, especialmente a venda de Ramos Mingo, já na reta final da janela. O diretor de futebol reconheceu que Rogério Ceni não ficou satisfeio com a saída do zagueiro titular, mas justificou a decisão pela necessidade de pensar na saúde financeira do clube.
– Eu não queria vender o jogador, o Rogério ficou chateado com a saída do Mingo e é normal que seja assim, ninguém quer perder um jogador titular. Mas temos que tomar decisões assim para pensar na saúde financeira do clube. Entendemos que se não vendesse o Mingo agora o valor de mercado dele poderia cair em dezembro. Não era uma venda que gostaríamos de fazer. Estávamos seguros com o elenco para não precisar fazer uma reposição apressada agora. Então entendemos que o correto era fazer a venda de um ativo que compramos por um valor menor e vendemos por um valor maior – explicou Cadu.
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Cadu Santoro também lembrou a negociação frustrada por Gabriel Pec e explicou que a contratação seria por uma oportunidade de mercado, por isso o clube não se manteve no mercado em busca de outro atleta para o setor. Ainda de acordo com Cadu, a tendência é que a posição seja alvo do clube na próxima janela de transferências.
– A gente não continuou com o Gabriel Pec justamente por ser um valor fora da nossa capacidade. Naquele momento a gente tinha uma negociação de saída do Mingo para outro clube e faria sentido usar parte do valor. A contratação de um jogador daquela posição não estava prevista para o meio do ano, apenas para dezembro, mas surgindo o nome do Pec, que agradava muito a todos, a gente correria o risco de antecipar esse movimento, isso por causa da venda em paralelo. Mas com os valores trabalhados a gente decidiu recuar.
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Durante a entrevista Cadu Santoro também falou sobre os planos para a renovação de jogadores que estão em fim de contrato, deu detalhes sobre o processo de transição entre o sub-20 e o profissional, reconheceu erros e lembrou das eliminações precoces na Libertadores e Copa do Brasil. Veja abaixo todas as respostas do diretor de futebol do Bahia:
Cadu Santoro em entrevista coletiva na Fonte Nova
Gabrielle Gomes / ge
Quem renova para 2027? Everton Ribeiro fica no Bahia?
– Normalmente os atletas que estão em fim de contrato podem possuir cláusulas de renovação automática. Quando isso não acontece, você pode sentar para negociar uma renovação se as duas partes têm interesse. Temos exemplos de atletas para todos os casos. Ainda é cedo para tomar essas decisões, não tive conversa individual com ninguém. Quem possui cláusulas, sabe, existe um controle natural do clube e dos jogadores. Acho que no momento certo, para uma continuidade ou para o término, vamos conversar com os jogadores.
O que pode falar sobre a Saída de Ramos Mingo, e qual é o projeto do Bahia para 2027?
– Quando a gente chegou aqui em 2023, que chamamos de ano zero do projeto, era um ano de manutenção de Série A. Depois fizemos da forma que foi, com uma janela muito agressiva em 2024, do ponto de vista de dar um salto. Depois naturalmente você vai fazendo movimentos de tentativa de melhora do elenco. Mas tem algumas informações que são muito importantes e relevantes. Às vezes se comunica que o dinheiro é infinito, que vamos sair contratando, mas hoje o Bahia possui a 14ª receita da Série A, e a 12ª folha da Série A, e estamos há 59 rodadas no G-8. Então isso mostra que estamos performando acima da receita do clube, acima da folha do clube. Acho que isso é importante falar. Existe um salto grande para que a gente possa estar em outro grupo do Campeonato, que é quem briga pelo primeiro e segundo lugar de forma regular, mas para isso temos que continuar crescendo o clube em receita. O Grupo vem investindo bastante, se não seguramente a gente estaria abaixo na tabela, e aí isso mostra que temos acertos nas contratações dos atletas e um trabalho muito competente da comissão técnica. São praticamente três temporadas no G-8 do Brasileiro, para dar um novo salto temos que continuar crescendo o clube, aumentando receita, gerando venda de atletas. A gente sempre investiu muito mais do que colocou de receita em venda de atletas. Mas com o passar dos anos esse número vai se equilibrar. Para continuar investindo muito, precisamos ter receita de vendas.
O Bahia pagou caro ao gastar R$ 32 milhões em Luiz Gustavo?
– Vou te confirmar se o valor foi o correto no momento em que ele for vendido. Aí vamos saber se o clube lucrou ou se perdeu dinheiro em uma decisão equivocada. A gente não comprou Luiz Gustavo pensando no presente, ele tem idade de sub-20 e chega com dez jogos como profissional no Vasco. Mas é um atleta ainda em final de formação, então sei que o valor cria expectativa de chegada com performance e resultado, mas minha função é pensar também no futuro do clube. O Luiz é hoje o zagueiro mais jovem do elenco. Temos o exemplo do Marcos Victor, que chegou em 2023, passou por um processo de adaptação e está sendo mais regular agora em 2026. Então se o valor foi correto ou não, vamos poder dizer mais lá na frente. Ele está em fase ainda de desenvolvimento, não está pronto. Ano que vem vai jogar o início do Baiano, pode ser que precise sair para se desenvolver, como foi com o Marcos Victor. Minha função é olhar o projeto de médio e longo prazo do Bahia, e o Luiz Gustavo veio para isso. Outro exemplo neste sentido é o Zé Guilherme, que veio fazer o fim da formação com a gente e está agora no time principal.
O Bahia vai fazer um mercado mais agressivo em 2027?
– Acho que é muito relativo o que é ser agressivo. Hoje a contratação do Alejo Veliz deve ser a segunda ou terceira maior compra da janela do meio do ano. A gente vem com mais valor investido em compras que vendas, e isso deve continuar até o clube se equilibrar. Quando atletas saírem com uma certa idade nosso olho vai ser sempre tentar rejuvenescer a equipe. Vamos estar atentos em melhorar a equipe sempre.
O lucro na venda de Ramos Mingo foi bom?
– A gente tem muita inteligência, não só dentro do Bahia, mas em apoio com o grupo para entender o nível do atleta, o potencial, a idade, e o perfil do mercado comprador. Eu não queria vender o jogador, o Rogério ficou chateado com a saída do Mingo e é normal que seja assim, ninguém quer perder um jogador titular. Mas temos que tomar decisões assim para pensar na saúde financeira do clube. Entendemos que se não vendesse o Mingo agora o valor de mercado dele poderia cair em dezembro. Não era uma venda que gostaríamos de fazer. Estávamos seguros com o elenco para não precisar fazer uma reposição apressada agora. Então entendemos que o correto era fazer a venda de um ativo que compramos por um valor menor e vendemos por um valor maior.
Ausência de um patrocinador master atrapalha nas contratações?
– Patrocinadores não é minha área. Acho que na hora certa vão poder responder isso. Mas uma coisa não necessariamente está atrelada a outra. O patrocinador é uma parte da receita que entra para a operação do clube, a parte de compra e venda é outra coisa. No Bahia, não é o patrocinador master que paga o atleta.
Quais erros você cometeu no processo desde que chegou ao Bahia?
– Acho que, como qualquer ser humano, todos cometemos erros nas nossas vidas. O que não podemos é continuar cometendo erros. O Cadu que chegou em 2023 não é o mesmo de 2026. Com certeza tiveram decisões que eu tomei e não tomaria, e que hoje me sinto mais preparado para tomar. No pós-janela a sempre faz análises do que aconteceu, debate jogadores que estavam fora do radar e estão performando em outros clubes. A gente tem reuniões semanais sobre contratações com a equipe de scout, acho que isso é saudável para tentar minimizar os erros. Acabar com eles infelizmente não é possível.
Negociação por Gabriel Pec. Por que não veio outro atacante?
– A gente não continuou com o Gabriel Pec justamente por ser um valor fora da nossa capacidade. Naquele momento a gente tinha uma negociação de saída do Mingo para outro clube e faria sentido usar parte do valor. A contratação de um jogador daquela posição não estava prevista para o meio do ano, mas surgindo o nome do Pec, que agradava muito a todos, a gente correria o risco de antecipar esse movimento, isso por causa da venda em paralelo. Mas com os valores trabalhados a gente decidiu recuar.
Como transformar contratação em resultado esportivo?
– Quando Rodrigo Nestor chega, passa uma temporada sendo criticado, e hoje é um dos principais jogadores do elenco. Precisa entender o que é ser agressivo. Qualquer equipe precisa ter equilíbrio entre seus jogadores. Precisa ter Everton Ribeiro, mas também precisa ter David Martins. Flaco López levou 18 meses para ser titular do Palmeiras. Léo Pereira precisou de dois anos no Flamengo. Existem processos. A gente não pode crucificar o jogador porque ele chegou e não foi titular. Nosso trabalho aqui é desenvolver, apostar nos atletas que estão querendo. Vamos sempre tentar buscar o equilíbrio e melhorar a equipe. É normal jogadores jovens passarem por essa transição de treinar com o profissional e jogar no sub-20. Vamos tentar ter esse equilíbrio para tentar manter a equipe competitiva nessa briga de classificação para a fase de grupos da Libertadores.
Como funciona o espaço para a base no time principal?
– Acho que ele nunca falou em três jogadores por posição, não me lembro de falar em planejamento de três atletas por posição. A gente tenta fazer com dois jogadores por posição e mais jogadores da base. A gente trabalha junto há três anos, são três temporadas pensando junto na montagem do elenco. Então se temos sucesso de 59 rodadas no G-8, alguma coisa está dando certo. É normal tentar chegar nesse equilíbrio. Muitas vezes acontece que a segunda peça da posição é um jogador mais jovem, acho que de uma forma natural, para o processo ser sustentável, mais que 50% da segunda peça precisa ser mais jovem que a primeira. Se a segunda opção for sempre mais velha que a primeira, esse projeto não vai ser sustentável.
O que fazer com os jogadores da base que estouram a idade?
– Sobre saídas de atletas, é natural. Outros clubes trabalham assim no mercado e fazem isso de forma muito positiva. É natural o jogador terminar a base e não atingir o nível que a gente precisa para o Brasileiro, quando isso acontecer a gente vai tentar buscar uma negociação. Algumas vezes por valores financeiros e outras por percentuais futuros. Muitos jogadores vão para Portugal, é um mercado que absorve bem isso. Então isso é parte de nosso trabalho, realocar esses atletas. Têm também atletas que a gente quer manter, mas eles não querem renovar nas nossas condições. Então precisamos encontrar esse equilíbrio nos salários.
– Quando estoura a idade, alguns atletas já terminam o contrato do sub-20, a gente faz isso justamente para não ter riscos altos. Os atletas que a gente entende que tem potencial de jogar no Bahia, naturalmente são renovados, é um movimento natural. Podem jogar aqui ou serem emprestados para se desenvolverem.
O que aconteceu com Dell?
– O Dell é um jogador de apenas 18 anos. Jogou o Baiano, teve minutos, depois passou por uma oscilação como qualquer jogador de sua idade. Nesse período o Caio Suassuna viveu um bom momento, foi artilheiro da base e ganhou chances no profissional. Por sorte, temos dois jogadores na mesma posição, com idades similares e futuros brilhantes. A gente precisa ter calma para não queimar etapas. A transição para o profissional é muito importante. Um case de sucesso foi o Tiago, que subiu, ganhou chances, se valorizou e foi negociado. Isso só aconteceu porque entendemos que ele estava pronto para ser o segundo da posição. Naturalmente isso vai acontecer com os outros que estão aqui. Esse ano com a chegada de Alejo e a manutenção de quem estava aqui, ficou mais difícil para eles.
Qual vai ser o futuro de Sidney e Roger Gabriel?
– O Roger foi muito promissor, jogou com 16 anos no profisisonal, mas ele ainda tem mais um ano de sub-20, é um jogador que queremos manter no clube. Mas apenas se as condições forem adequadas, não vamos fazer loucuras de pagar mais que o valor que entendemos. O Sidney teve o contrato renovado, ele já estourou a idade sub-20, mas ainda tem contrato, isso é prova de que confiamos no potencial dele. Já temos conversas para definir como vamos continuar desenvolvendo ele, se isso vai ser feito no Bahia ou não. Esse é o processo natural de desenvolvimento.
As eliminações precoces mudaram os planos do clube em 2026?
– O planejamento orçamentário da temporada, você tenta projetar fases e etapas que a equipe precisa alcançar. Quando você não chega no objetivo, precisa entender por que não atingiu. A gente não busca culpados, a gente quer entender os motivos. Não pode ser um treinador ou um único atleta o culpado. Então temos que entender quais torneios vamos jogar no próximo ano para criar o planejamento da próxima temporada.
– Existem pessoas que fazem análises profundas sobre os orçamentos dos clubes. Tem a receita recorrente do custo operacional e receita da compra e vendas de atletas. São coisas separadas. Nossa 14ª receita e 12ª folha é o custo operacional do clube. Nos últimos três anos a gente investe mais do que vende, então o clube não tem lucro com isso. São duas coisas importantes para se falar. Quando você perde receita de um lado, você precisa ajustar para diminuir o prejuízo do outro. Qualquer clube novo vai passar por essa fase até atingir o equilíbrio. Então vamos sempre tentar nos manter competitivos, não me apego ao número, o que eu tento olhar é o valor de mercado e o potencial de receita. As pessoas querem julgar o atleta pelo valor investido, é natural, mas olha o que fizemos com Lucho, uma valorização do ativo em mais de 100%. Acho que isso mostra se a gente acertou ou errou. Então tentaremos manter a equipe sempre competitiva. Não faremos loucuras de pagar mais que o valor mercado que a gente considera, então essa é a forma que a gente trabalha. A gente faz isso de forma honesta e organizada.
Como foi a contratação de Lautaro López?
– Lautaro é um atleta que o Grupo City fez aquisição há dois anos, jogador de seleção argentina sub-20. Em uma reunião de alinhamento, como sempre acontece, a gente entendeu que para o desenvolvimento dele seria interessante uma vinda para o Bahia nos próximos meses, até o final do ele. Juntos, entre Bahia, Montevideo e Grupo City, vamos tomar a decisão do melhor para o futuro dele.
Quando vai ser possível ganhar grandes títulos?
– Acho que o primeiro de tudo, como eu falei, o Bahia é a 14ª receita da Série A. Para brigar entre os seis ou os oito de forma regular, como a gente vem fazendo, a gente tem que estar nessa receita e vocês sabem o desafio que é, por não estarmos no eixo. Existe uma dificuldade na geração de receita, por isso a venda de atletas é fundamental. Eu queria muito dizer uma data, um prazo, mas seria mentiroso da minha parte colocar isso. O que temos que fazer é continuar crescendo o clube, continuar competitivo, avançar nas copas sem perder o foco no Brasileiro. Encontrar esse equilíbrio é muito difícil no futebol. Estar no G-8 por 59 rodadas no Brasileiro é muito difícil, porque as outras equipes que competem com você não fazem tudo da forma correta. Atrasam salários, sofrem transfer ban e tiram pontos seus no Campeonato.
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