“Cenário é de quase insolvência”, diz diretor sobre crise da Ponte
Associados da Ponte rejeitam criação da SAF; veja como foi a votação
Ponte Preta faz assembleia para votar SAF
O diretor jurídico da Ponte Preta, José Henrique Specie, definiu o cenário do clube como de “quase insolvência” (falência) em meio à profunda crise financeira e administrativa que assola o Estádio Moisés Lucarelli.
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Ele foi o único da diretoria alvinegra a se pronunciar após os associados rejeitarem a criação da SAF em Assembleia Geral Extraordinária no último sábado, quando a mobilização da oposição impediu que a aprovação atingisse dois terços dos presentes, como determina o estatuto.
— O quadro financeiro da Ponte Preta é muito terrível (…). O clube, como é de conhecimento público, não só dos associados, vive numa situação financeira muito sensível, uma situação de praticamente quase insolvência (…). Não tem muita saída.
Segundo uma auditoria feita durante as conversas com um grupo de investidores para a criação da SAF (a proposta era de aproximadamente R$ 1 bilhão), a dívida total do clube gira em torno de R$ 320 milhões (sem considerar o débito relacionado ao IPTU, estimado em cerca de R$ 20 milhões), com um déficit mensal nas casas dos R$ 2,8 milhões.
Estádio Moisés Lucarelli, casa da Ponte Preta
Marcos Ribolli
O último balanço do clube, relacionado a 2025, último ano da gestão de Marco Antonio Eberlin como presidente (hoje ele é vice de Luiz Alves Torrano e diretor de futebol), apresentou um déficit de R$ 33.575,770 no período.
— Existe uma dívida consolidada de centenas de milhões que não foi constituída agora, vem de décadas sendo acumulada, e agora entrou em um cenário de execução. Os credores estão batendo na nossa porta todos os dias.
— Então, as receitas que nós temos disponíveis hoje não dão conta nem de pagar as execuções, tampouco as obrigações ordinárias do clube. Então a gente vai entender esse cenário e buscar, da melhor forma possível, equacionar a situação financeira do clube dentro desse cenário existente, que é de quase insolvência da Ponte Preta.
José Henrique Specie, diretor jurídico da Ponte Preta
Reprodução EPTV
A falta de recursos tem causado atrasos salariais recorrentes desde 2025 entre jogadores, profissionais do departamento de futebol e também funcionários no geral.
Quando anunciaram a paralisação das atividades, em agosto (o protesto durou uma semana), os jogadores afirmaram que alguns estavam há cerca de seis meses sem receber. O ge apurou que, em casos específicos de atletas e profissionais do departamento de futebol, os atrasos chegam perto de um ano. Quase 20 jogadores deixaram o clube desde o início da Série B.
Recentemente, a diretoria pagou um dos vários meses em aberto a atletas da base que integram o profissional – com salários menores – e parte de um mês a outros jogadores, mas a maioria não recebeu nada.
Também foi quitado um mês a funcionários do clube, no entanto, as pendências com eles também ainda são grandes. Specie entende que a situação poderia melhorar com a implementação de uma SAF.
— Acredito que esse planejamento financeiro seria muito mais produtivo se a gente tivesse essa sinalização em relação a uma possível implementação de uma SAF futuramente, né? Então, diante desse resultado, a gente vai ter que buscar mecanismos de planejamento pra dar conta da sustentabilidade do clube dentro das possibilidades que o clube hoje conta.
Como foi a votação
Compareceram 384 dos 676 associados aptos a votar, segundo lista disponibilizada na sexta-feira pela secretaria do Conselho Deliberativo por determinação judicial.
Diante do número de presentes, eram necessários 256 votos para a aprovação (dois terços, conforme rege o estatuto), mas o resultado final foi de 234 votos favoráveis à SAF e 150 contrários.
— Em função disso, o resultado foi que a proposta foi rejeitada por não ter atingido o quórum mínimo de dois terços, conforme norma estatutária — explicou José Armando Abdalla Júnior, presidente do Conselho Deliberativo, em pronunciamento à imprensa após a apuração das urnas.
Associados da Ponte rejeitam criação da SAF
Oscar Herculano
O processo transcorreu sem grandes problemas, com discussões pontuais entre torcedores do lado de fora do Majestoso. Diante da tensão envolvendo o tema e a disputa política no clube, Polícia Militar e Guarda Municipal reforçaram a segurança no local.
A reunião foi remarcada após o encontro do dia 24 de agosto terminar sem votação, em meio a confusões e decisões liminares da Justiça em meio a divergências e polêmicas – que continuam – entre integrantes da atual diretoria e membros da oposição
Assembleia para votação da SAF da Ponte é marcada por confusão
A Assembleia do último sábado precisou seguir determinações judiciais para assegurar a lisura do processo, como a obrigatoriedade de disponibilizar ainda na sexta-feira a lista de quem está apto a exercer o voto, a presença de tabeliões (responsáveis por atestar a autenticidade jurídica dos fatos) e equipe de filmagem.
As decisões são decorrentes de pedidos em processos movidos por integrantes da oposição à atual gestão.
O que foi votado?
A Assembleia não era para analisar uma proposta de investidor ou definir a venda da SAF. O objetivo era referendar a decisão anterior do Conselho Deliberativo, em junho.
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O modelo previsto é o de constituição de uma SAF para administrar as atividades relacionadas ao futebol – cisão do departamento de futebol, conforme anunciado no edital de convocação, sem envolver patrimônios do clube.
Estádio Moisés Lucarelli, casa da Ponte Preta
Marcos Ribolli
E agora?
Com o resultado da Assembleia Geral Extraordinária deste sábado, o processo para a criação da SAF volta à estaca zero.
— A diretoria executiva, que é quem tem competência e legitimidade para isso, vai precisar encaminhar uma decisão. Se essa decisão for pela continuidade da implantação de uma futura SAF no clube, esse processo tem que respeitar obrigatoriamente o estatuto, que envolve novamente se criar uma comissão para estudar o assunto, fornecer um parecer para a diretoria executiva, ela encaminhar ao Conselho Fiscal e ao Conselho Deliberativo. Se aprovado no Conselho Deliberativo, dar continuidade novamente para uma nova assembleia de associados — explicou o diretor jurídico da Ponte, José Henrique Specie.
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