Curva de 550 metros e fama de destruir carros: entenda os desafios da estreia do circuito de Madri
Jornalista Rodrigo França analisa o circuito de Madring
Pilotos e equipes da F1 encaram neste final de semana uma situação inédita na temporada 2026: a estreia de um novo circuito, o Madring, que recebe o GP da Espanha neste domingo na capital espanhola. Antes mesmo da disputa do primeiro treino livre, a pista já tem chamado a atenção por algumas características especiais, como a “La Monumental”, que é a curva mais longa do calendário, com 550 metros e 24 graus de inclinação.
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Ela é a 12ª de 22 curvas do circuito, que tem 5,4 quilômetros de extensão. É como se fosse um “mini circuito oval” dentro da pista, fazendo uma longa curva para a direita, com o muro externo acompanhando todo traçado externo e as arquibancadas bem próximas dos carros, dando a sensação de “estádio” para os fãs neste setor da pista.
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Com barreiras de proteção com a mesma tecnologia usadas em circuitos ovais, a La Monumental também chama atenção pela inclinação, que no seu ponto máximo chega a 24 graus. Para efeito de comparação, a curva mais inclinada de Zandoort tem 19 graus. O desafio para os pilotos será manter a aceleração plena em meio a uma força lateral (G) que deve ser uma das maiores da temporada.
A pista foi homologada após testes da F3 e ainda não houve atividades oficiais da F1, mas os dois pilotos da Ferrari andaram pela primeira vez no circuito em julho durante um dia de filmagem. Embora não tenham feito voltas em ritmo de classificação, a “La Monumental” chamou atenção de Charles Leclerc.
– É uma curva muito, muito especial e tem tudo para ser uma das mais icônicas da temporada, ainda mais pela presença dos fãs ao longo dela na arquibancada. É uma curva onde, na classificação, teremos que ser muito corajosos, pois estaremos no limite.
Pilotos da F3 contornam curva inclinada La Monumental no circuito de Madring
Divulgação
Mas não é apenas a La Monumental que vem causando expectativa para o GP deste final de semana. Nos dois dias de treinos da F3, realizados no final de agosto, 19 bandeiras vermelhas interromperam as sessões de testes, com muitas batidas fortes. Isso levou chefes de equipe como James Volwes, da Williams, a classificar o Madring como “destruidor” de carros, já que três dos acidentes na F3 resultaram na perda total dos chassis.
Piloto da equipe inglesa e embaixador do circuito espanhol, Carlos Sainz ressaltou que ainda é cedo para saber se os incidentes também vão se repetir na F1, mas destacou que Madring já inicia sua trajetória na categoria com “personalidade”.
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– Vimos o que aconteceu nos testes da F3 e também já tivemos a chance de testar a pista no simulador. Todos estão bastante surpresos com o circuito que Madri idealizou: é uma pista com personalidade e que gera expectativa. Não é um circuito comum que apenas foi adicionado ao calendário, mas algo diferente e com caráter. Os pilotos ficaram surpresos e disseram que é uma das pistas mais difíceis em que já andaram.
Este ponto de vista também foi compartilhado com Max Verstappen. O piloto da Red Bull participou de uma live nesta semana e foi questionado sobre o circuito que recebe a F1 neste final de semana. O holandês espera que o GP seja um dos mais desafiadores para os pilotos nesta temporada.
– Já treinamos no simulador e a pista é bem difícil, bem desafiadora de pilotar. Não será fácil encaixar uma volta ideal e tem uma tendência de ter acidentes fortes em alguns pontos. A pista lembra o circuito de Jeddah (na Arábia Saudita), com curvas velozes e com os muros bem próximos.
Vista do Madring, nova casa do GP da Espanha de F1
Divulgação/F1
O brasileiro Gabriel Bortoleto é um dos pilotos que está ansioso a pilotar um F1 em Madri pela primeira vez, especialmente após os testes realizados em simulador.
– Estou ansioso pela corrida em Madri: tenho me preparado no simulador e agora estou curioso para acelerar na pista real. Um circuito novo é sempre um desafio empolgante, pois todos partem de uma posição semelhante e vamos aprendendo coisas novas ao longo do fim de semana. Tivemos um desempenho melhor do que o esperado em Monza, o que foi animador, e espero que Madri nos dê a chance de brigar por algo mais. É a última corrida na Europa este ano, então seria ótimo encerrar essa sequência com um bom resultado.
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