Ex-banqueiro suíço admite pagar R$ 500 milhões em propina e recebe pena de 2 anos
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Pierre Mirabaud, de 77 anos, ex-sócio do banco privado suíço Mirabaud & Cie e ex-presidente da associação dos bancos da Suíça, pagou US$ 101,7 milhões (R$ 518,67 milhões) em propina a um funcionário do governo do Kuwait.
O suíço recebeu nesta terça-feira (8) pena de dois anos de prisão, mas não precisará cumprir a sentença.
Segundo a acusação do Ministério Público Federal da Suíça, Mirabaud fez centenas de pagamentos a um funcionário do governo do Kuwait entre 2000 e 2012. Em troca, o funcionário teria levado US$ 595,2 milhões (R$ 3,035 bilhões) em negócios para o banco.
A acusação afirma que Mirabaud sabia dos riscos relacionados aos pagamentos e aceitava as possíveis consequências caso o esquema fosse descoberto.
O julgamento no Tribunal Penal Federal da Suíça, em Bellinzona, durou apenas meio dia. Mirabaud aceitou os principais fatos apresentados no caso, que envolve corrupção e lavagem de dinheiro.
Seu advogado, Saverio Lembo, afirmou que a pena de dois anos, com suspensão, levou em consideração a colaboração de Mirabaud com as autoridades durante a investigação.No caso de Mirabaud, os promotores pediram uma pena de 24 meses, levando em consideração sua idade, a ausência de condenações anteriores e sua colaboração com os investigadores.
“Ele agora aceita as consequências de suas ações, de acordo com os princípios de responsabilidade individual que considera importantes”, disse o advogado.
Idade e colaboração pesaram na sentença
Na Suíça, crimes de corrupção e lavagem de dinheiro podem resultar em multa ou em até cinco anos de prisão.
No caso de Mirabaud, os promotores pediram uma pena de 24 meses, levando em consideração sua idade, a ausência de condenações anteriores e sua colaboração com os investigadores.
A pena foi suspensa. Na Suíça, em geral, as sentenças são suspensas quando não há expectativa de que a pessoa volte a cometer o crime.
O funcionário do governo do Kuwait envolvido no caso morreu. Ele havia sido condenado no Kuwait, na sua ausência, por corrupção e desvio de dinheiro público.
Banco não é parte do processo
O Mirabaud & Cie, que não é parte do processo, recusou-se a comentar o caso.
Fundado em 1819, em Genebra, o banco é uma das instituições privadas mais antigas da Suíça e atualmente é administrado pela sétima geração da família fundadora.
Em 2024, a autoridade suíça responsável pela fiscalização do mercado financeiro, a FINMA, informou ter confiscado 12,7 milhões de francos suíços em lucros obtidos ilegalmente pelo banco.
A medida ocorreu após a identificação de violações das regras do mercado financeiro e das obrigações de prevenção à lavagem de dinheiro.
Segundo a FINMA, a investigação envolveu relações comerciais que, em determinados momentos, representavam quase 10% de todo o dinheiro administrado pelo banco. O caso estava ligado a um empresário acusado de sonegação de impostos, que também morreu.
A autoridade não revelou os nomes das pessoas envolvidas.
Na época, o Mirabaud afirmou ter colaborado integralmente com a FINMA para solucionar o caso e disse que a decisão “encerra o passado”.
Pierre Mirabaud, acusado de pagar propina a um funcionário do Kuwait.
Divulgação/Fabrice Coffrini/AFPg1 > EconomiaRead More


