Expulso pela “Lei Vini Jr.”, Breno Lopes nega fala racista e explica o que disse a rival no Athletiba
Breno Lopes é expulso por tapar a boca para falar com o adversário; veja revisão completa
Breno Lopes admitiu no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) que chamou Lucas Esquivel, lateral do Athletico, de “jogador fraco” durante o Athletiba e explicou por que cobriu a boca ao falar com o adversário. O atacante do Coritiba foi julgado e recebeu um jogo de suspensão por conduta antidesportiva, em processo relacionado à “Lei Vini Jr.”.
Quem são os reforços que “hablan” no Coritiba
🗞️ Leia mais notícias sobre o Coritiba
✅ Clique aqui e siga o canal ge Coritiba no WhatsApp
🔍 Adicione o ge nas suas fontes favoritas do Google
A expulsão aconteceu aos 45 minutos do primeiro tempo do clássico. Segundo a súmula, o árbitro Wagner do Nascimento Magalhães foi chamado pelo VAR para revisar o momento em que Breno Lopes colocou a mão na boca enquanto se dirigia a Esquivel. O jogador do Athletico relatou à arbitragem ter sido ofendido verbalmente.
No julgamento, Breno Lopes confirmou que houve provocação entre os dois, mas negou qualquer fala de cunho racista. Disse também que conhecia a regra e que acabou fazendo o gesto “por hábito”, no calor da partida.
Breno Lopes jogador do Coritiba recebe cartão vermelho pela Lei Vini Jr.
Gabriel Machado
“Ele era um jogador fraco”
Em depoimento, Breno Lopes contou que a discussão com Esquivel começou antes do lance da expulsão. Segundo o atacante, os dois já vinham trocando provocações.
— Era um clássico e, minutos antes da minha expulsão, eu e o adversário tivemos alguns conflitos e discussões. Ele acabou me dando um soco sem bola. Depois, a gente continuou trocando provocações: ele me xingava e eu xingava ele — disse o atacante aos membros do STJD.
Breno Lopes então revelou o que disse no momento que terminou na expulsão.
— Eu cheguei perto dele e falei que ele era um jogador fraco, que o jogo não tinha acabado ainda e que a gente ia buscar a virada — revelou Breno Lopes.
O atacante afirmou que sabia do protocolo e que concorda com a medida adotada no futebol brasileiro.
— Obviamente eu sabia da Lei Vini Jr. e acho válida. Também sou contra qualquer ato de racismo — destacou Breno Lopes.
Na sequência, explicou o gesto que levou à expulsão.
— Mas, por hábito de colocar a mão na boca, eu acabei esquecendo, no calor do jogo, e acabei sendo expulso. Se eu não tivesse colocado a mão na boca, eu jamais seria expulso, porque não falei nada de racismo, nada disso — completou o atacante do Coritiba.
+ Expulso no Athletiba, Breno Lopes pede desculpa à torcida do Coritiba
Defesas de Athletico e Coritiba vivem momentos diferentes no Brasileirão
Defesa pede absolvição
O protocolo determina cartão vermelho direto para o jogador que cobre a boca ao confrontar um adversário ou integrante da arbitragem. No STJD, a conduta foi enquadrada no artigo 258 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que trata de atitude contrária à disciplina ou à ética desportiva.
Na defesa do Coritiba, o advogado Paulo Guilherme Giffhorn argumentou que o futebol ainda passa por um período de adaptação à nova regra e que Breno Lopes já havia sido punido com a suspensão automática decorrente do cartão vermelho.
— Estamos julgando um gestual que não pode mais fazer parte do futebol, mas todos nós ainda estamos em fase de adaptação. O Breno afirma que sabe, que errou e vai cumprir a pena de suspensão automática contra o Vasco, mas não há nada para que o Breno seja punido de forma administrativa, além da automática — declarou o advogado do Coritiba.
Breno Lopes participa de forma online do julgamento no STJD
Reprodução/STJD
Breno Lopes fora contra o Vasco
Apesar da argumentação, a relatora Marina Volpato entendeu que a infração estava configurada. Para ela, o fato de Breno Lopes ter admitido a provocação não afastou a irregularidade do gesto.
— As declarações no depoimento não foram suficientes para infirmar o registro da súmula. A súmula não traz nenhuma conduta de cunho discriminatório. Foi simplesmente uma ofensa, e ficou claro no depoimento que, de fato, houve uma ofensa — explicou Marina.
Segundo a relatora, o julgamento não dependia da identificação exata das palavras usadas por Breno Lopes, mas do gesto de ocultar a boca durante uma provocação.
— O que se examina no processo é o gesto deliberado de ocultar a comunicação em contexto provocativo, e não uma frase cujo teor permaneceu desconhecido. E aqui, obviamente, há essa provocação — completou.
O voto pela suspensão de uma partida foi acompanhado pelos auditores Marco Antônio Souto Maior, José Dutra Junior e Renato Oliveira Ramos, além do presidente da comissão, Mateus Resende Vilela.
A decisão da Sétima Comissão Disciplinar cabe recurso ao Pleno do STJD, última instância nacional. O gancho de uma partida mantém Breno Lopes suspenso para o jogo contra o Vasco. O ge acompanha em Tempo Real.
Mais notícias do esporte paranaense no ge.globo/pr geRead More


