Gloria Steinem, ícone do feminismo, morre aos 92 anos nos EUA
A ativista Gloria Steinem.
Divulgação
A jornalista norte-americana Gloria Steinem, um dos maiores ícones do movimento feminista nos Estados Unidos, morreu aos 92 anos em Nova York, anunciou nesta quinta-feira (3) sua fundação.
De acordo com a fundação, Steinem morreu em sua casa na quarta-feira (2).
“Ontem, Gloria Steinem faleceu pacificamente em sua casa na cidade de Nova York, cercada por algumas das muitas pessoas que a amavam. O quase um século de vida de Gloria foi bem vivido, e ela continuou trabalhando pela igualdade até o fim”, anunciou a fundação.
Fundadora da revista “Ms.”, dedicada à cobertura de notícias ligadas ao feminismo, Steinem foi um das vozes mais ativas e conhecidas do movimento feminista dos EUA.
Ela iniciou sua carreira como jornalista; destaca-se, entre seus trabalhos, uma reportagem de 1963 sobre as condições degradantes no império *Playboy* de Hugh Hefner — uma missão realizada sob disfarce da qual ela viria a se arrepender mais tarde. Ela atribuía a mudança de rumo de sua carreira a um encontro ocorrido seis anos depois, no qual mulheres se manifestaram corajosamente a favor do direito ao aborto.
Grande parte de sua vida como ativista foi dedicada a viajar, discursando em campi universitários, centros comunitários, comícios e marchas.
Nos últimos anos, Steinem gostava de escrever e de conviver com a comunidade, segundo as postagens. Ela também organizava rodas de conversa para centenas de pessoas em sua casa.
“Não dá para fazer isso por telefone ou pela internet”, disse ela à Associated Press em uma entrevista de 2015. “É preciso estar presente com todos os cinco sentidos. Deveria ser óbvio que as pessoas não conseguem sentir empatia umas pelas outras a menos que estejam no mesmo ambiente.”
“Aquele depoimento público marcou o início do meu ativismo”, disse Steinem à AP por e-mail em 2022, ao refletir sobre a revogação da decisão “Roe v. Wade” (que garantia o direito ao aborto nos EUA).
Ela própria havia passado por um aborto ilegal e secreto aos 22 anos. “Ou o controle sobre nossos próprios corpos é igualitário, independentemente de sexo ou raça, ou não estamos vivendo em uma democracia.”
Embora logo tenha se tornado uma ativista conhecida. ela teve de superar um medo profundo de falar em público. Ela teria se limitado apenas à escrita, disse ela, se os editores da época estivessem dispostos a deixá-la escrever sobre o movimento feminista.
Mas eles não estavam interessados, disse ela à AP em 2015. “Então, acabei saindo para falar em público, o que era o meu pesadelo”, afirmou. “Quer dizer, eu morria de medo. Mas sou grata por isso, embora ainda sinta medo até hoje.”
O tempo pouco diminuiu o ritmo de Steinem; já na casa dos 80 anos, ela viajava pelo mundo e se manifestava sobre questões importantes para ela.
Essas pautas incluíam desde a mutilação genital até a reconciliação coreana, mas a igualdade para as mulheres era a prioridade. “Ser feminista significa ver o mundo como um todo, em vez de apenas a metade”, disse ela certa vez. “Isso não deveria precisar de um nome e, um dia, não precisará.”
Com o passar dos anos, a visibilidade de Steinem permaneceu. Aos 83 anos, ela sentou-se na primeira fila de seu primeiro desfile de moda, como convidada do estilista Prabal Gurung.
Poucos dias após completar 85 anos, ela conduziu uma “roda de conversa” feminina durante uma peça “off-Broadway” que celebrava sua vida; uma a uma, mulheres da plateia — muitas segurando as lágrimas — levantavam-se para agradecê-la e contar suas próprias histórias de discriminação. Em 2020, sua vida foi tema do longa-metragem “The Glorias” (“The Glorias: A Life on the Road”), baseado em suas memórias de 2015 e estrelado por Julianne Moore.
E, aos 91 anos, ela colaborou em um livro ilustrado com a ativista pela paz liberiana e ganhadora do Prêmio Nobel Leymah Gbowee, com o objetivo de inspirar jovens a mudar o mundo. “Rise, Girl, Rise: Our Sister-Friend Journey. Together for All” foi publicado em fevereiro de 2026.
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