Grêmio e Inter dançam juntos a valsa do rebaixamento
Grêmio provoca o Internacional com música de valsa na Arena
O portal foi aberto por Eduardo Sasha. Em 2016, o então atacante do Inter pegou uma bandeira de escanteio e simulou a dança de uma valsa como provocação ao Grêmio pelos 15 anos sem títulos relevantes. Naquela mesma temporada, o Inter foi rebaixado. Desde então, não conquistou nenhuma taça de expressão. E ainda viu o rival devolver a provocação.
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O troco veio no começo deste mês, logo depois de o Grêmio eliminar o Inter nas quartas de final da Copa do Brasil. Assim que terminou a partida, o sistema de som da Arena tocou uma valsa, levando os torcedores a dançarem nas arquibancadas, transformadas em salão de debutantes. De fato, os colorados não ganham um título importante desde a Recopa Sul-Americana de 2011.
Quando Sasha provocou o Grêmio, lá atrás, o Inter já vivia um jejum de cinco anos sem taças que não fossem a do Gauchão. Quando o Grêmio devolveu a provocação este ano, tocou a corneta mesmo estando há oito temporadas sem uma conquista que não seja a estadual.
Achei as duas provocações bastante divertidas. Mas ando me perguntando se não é muita valsa para pouco futebol. Hoje, Grêmio e Inter dançam juntos, grudadinhos, na zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro.
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Lucas Uebel/Grêmio
Cresci aqui nesse cantinho do Sul do mundo convencido de que a grandeza dos nossos clubes é consequência direta da rivalidade que os alimenta. Em uma cidade de menos de 1,5 milhão de habitantes, há dois clubes campeões mundiais, cinco vezes campeões da Libertadores, donos de estádios imponentes – e isso nos enche de orgulho. A obsessão por ser melhor do que o outro foi uma alavanca para que os rivais se tornassem o que são, disso não tenho dúvida. Mas essa engrenagem quebrou.
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Nos últimos anos, Grêmio e Inter caíram em uma armadilha que sempre esteve montada, à espera de algum vacilo: aconchegaram-se na superioridade regional. O Inter venceu todos os Gauchões de 2011 a 2016, época da valsa de Sasha; o Grêmio conquistou oito dos nove Estaduais mais recentes, entre 2018 e 2026. Mas, passando das divisas gaúchas, ganharam o quê?
A rivalidade os estacionou. E o maior problema é que essa estagnação aconteceu no momento em que o futebol brasileiro vivia uma revolução. Enquanto Grêmio e Inter se contentavam com tão pouco, gigantes se reorganizavam, adversários mudavam seus modelos administrativos, o dinheiro circulava em frenesi.
Hoje, os rivais gaúchos coincidem em uma decadência assombrosa: contratações equivocadas, dívidas impagáveis, CTs defasados, incapacidade até de conseguir um patrocinador para a camisa. Não por acaso, seus pontos no Brasileirão, somados, equivalem aos do Palmeiras, segundo colocado.
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Acima de tudo, ruiu o modelo administrativo dos dois, baseado em articulações políticas e sustentado em dirigentes amadores – como acontece em outros clubes do Brasil. De lado a lado, presidentes se sucedem na disputa pelo posto de pior escolha possível. Em ambos, ainda engatinha a discussão sobre uma possível mudança para SAF. Se acontecer, tende a ser em um momento de desvalorização de duas marcas que já foram muito mais fortes.
E, no meio disso tudo, tem a Série B. Grêmio e Inter passarão os 17 dias da Data Fifa entre os rebaixados. Quando o Brasileirão voltar, tentarão reagir: o Grêmio com uma tabela dificílima, mas alguma esperança de o time dar sinal de vida sob o comando de Renato; o Inter, agora sem Paulo Pezzolano, com confrontos mais acessíveis, mas um elenco ainda pior do que aquele salvo na última rodada no ano passado.
É provável que ao menos um deles caia; é bastante possível que caiam ambos. Um rebaixamento duplo seria o emblema da ruína que se abateu sobre o futebol gaúcho nos últimos anos. Se acontecer, que ao menos sirva de impulso para uma revolução, sob pena de ninguém ter motivos para dançar no futuro. geRead More


