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Infantino admite aumentar auxílio financeiro da Fifa às federações

Infantino admite aumentar auxílio financeiro da Fifa às federações

Gianni Infantino, presidente da Fifa, desiste de criar empresa com capital privado para gerenciar a Copa do Mundo
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, admitiu, em carta enviada aos presidentes das confederações continentais, que pode aumentar o valor distribuído a cada quatro anos às 211 associações da entidade.
Ele responde a propostas da Uefa e da Concacaf, ambas de oposição ao atual presidente, para que a Fifa use suas reservas – estimadas em US$ 6 bilhões (R$ 31,3 bilhões) – para ampliar o auxílio para US$ 10 milhões (R$ 52 milhões) por associação entre 2027 e 2030. No ciclo de 2023 a 2026, o valor foi de US$ 8 milhões (R$ 41,8 milhões).
– Como parte de suas funções contínuas, a administração da Fifa já estava examinando como um maior desenvolvimento e apoio de solidariedade poderiam ser fornecidos de forma responsável, sujeitos à confirmação da posição financeira da Fifa e das aprovações institucionais necessárias – afirma Infantino.
Em seguida, o presidente da Fifa cita comunicações enviadas por Aleksander Čeferin, presidente da Uefa, Vittorio Montagliani, da Concacaf, Salman bin Ibrahim Al Khalifa, da Ásia, e Lambert Maltock, da Oceania.
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Gianni Infantino, presidente da Fifa
Reuters
– Suas cartas adicionam dimensões complementares a esse trabalho: Aleksander e Vittorio propõem uma alocação direta específica; Salman enfatiza a necessidade de uma decisão em 15 de outubro (data da reunião do Conselho da Fifa) ou de um cronograma curto para conclusão; e Lambert destaca os custos estruturais enfrentados pelas confederações em desenvolvimento.
Segundo Infantino, o secretário-geral da Fifa, Mattias Grafström, vai consolidar as propostas para debate no Conselho da entidade, em outubro.
– Não irei prejulgar o valor. Apoiarei o maior nível de financiamento adicional que possa ser entregue de forma responsável por meio do processo de governança adequado da Fifa, aplicado de forma justa e apoiado por arranjos transparentes e auditáveis. A ambição é bem-vinda. As evidências financeiras, a governança e a implementação devem agora apoiá-la.
A troca de cartas é mais um capítulo da disputa por poder na Fifa, intensificada depois da Copa do Mundo com a revelação de que Infantino apoiava a criação de uma empresa, com capital de investidores privados, que reuniria direitos comerciais sobre as principais competições da federação internacional.
O projeto foi abandonado diante das críticas, mas criou um racha e consolidou um bloco de oposição a Infantino, liderado principalmente por Uefa e Concacaf.
A pressão não foi suficiente para tirar Infantino do cargo. Ele mantém a candidatura à reeleição e, por enquanto, é o único nome no pleito marcado para março do ano que vem.
Presidente da Fifa, Gianni Infantino (à esquerda), com o secretário-geral Mattias Grafström
Reprodução/Instagram
Veja a íntegra da carta de Infantino:
“Querido Salman, Querido Alejandro, Querido Vittorio, Querido Aleksander, Querido Lambert e Querido Patrice,
Antes de mais nada, gostaria de agradecer a Salman, Vittorio, Aleksander e Lambert pelas suas cartas recentes.
Analisadas em conjunto, as suas propostas confirmam um amplo acordo sobre o objetivo central: o sucesso financeiro da FIFA deve servir ao futebol e a todas as 211 Associações Membro da FIFA.
Quando busquei a confiança das Associações Membro em 2016, disse claramente: “O dinheiro da FIFA é o dinheiro de vocês – o dinheiro das Associações Membro”.
Os valores e mecanismos agora propostos são novos. O princípio não é.
Como parte de suas funções contínuas, a Administração da FIFA já estava examinando como um maior desenvolvimento e apoio de solidariedade poderiam ser fornecidos de forma responsável, sujeitos à confirmação da posição financeira da FIFA e das aprovações institucionais necessárias. Suas cartas adicionam dimensões complementares a esse trabalho: Aleksander e Vittorio propõem uma alocação direta específica; Salman enfatiza a necessidade de uma decisão apoiada em 15 de outubro ou de um cronograma de conclusão curto; e Lambert destaca os custos estruturais enfrentados pelas Confederações em desenvolvimento.
O uso responsável dos recursos existentes da FIFA e a criação de valor adicional a longo prazo são complementares. A recente proposta comercial, agora retirada, tinha como objetivo permitir que a FIFA investisse mais no futebol – não substituir o apoio que poderia ser fornecido de forma responsável a partir dos recursos existentes. Portanto, na verdade, teria sido um acréscimo. Precisamente porque tudo o que a FIFA faz e gera é em benefício de suas Associações Membro.
Um único valor pode iniciar a discussão, mas não pode concluir uma política global. Portanto, instruí o Secretário-Geral a consolidar todas as propostas em uma avaliação integrada para consideração do Conselho da FIFA em 15 de outubro de 2026.
Seria útil se vocês pudessem enviar ao Secretário-Geral os modelos financeiros relevantes, premissas e informações de suporte que os levaram às suas propostas. As premissas materiais poderão então ser verificadas, com o envolvimento das comissões relevantes da FIFA, de acordo com os Estatutos e regulamentos da FIFA.
O Conselho deverá então estabelecer:
(i) o valor e o cronograma de qualquer apoio direto adicional às Associações Membro, juntamente com qualquer apoio objetivamente justificado para Confederações que enfrentem custos estruturais demonstráveis;
(ii) o nível de reserva prudente necessário para proteger as obrigações, a solidez financeira e a independência da FIFA;
(iii) e os arranjos de elegibilidade, implementação, relatórios e auditoria necessários para garantir benefícios sustentáveis e duradouros para o futebol.
Onde as evidências forem suficientes, o Conselho já deverá receber uma recomendação clara em 15 de outubro. Onde um trabalho adicional for genuinamente necessário, deverá aprovar o cronograma mais curto e razoável para concluí-lo.
Até que a avaliação e as aprovações necessárias estejam concluídas, nenhum valor preliminar pode ser tratado como um compromisso aprovado com as Associações Membro.
Não irei prejulgar o valor. Apoiarei o maior nível de financiamento adicional que possa ser entregue de forma responsável através do processo de governança adequado da FIFA, aplicado de forma justa e apoiado por arranjos transparentes e auditáveis.
A ambição é bem-vinda. As evidências financeiras, a governança e a implementação devem agora apoiá-la.
Conforme definido em minha recente carta a todas as Associações Membro, também estou propondo uma consulta estruturada e com prazo limitado sobre como a tomada de decisões da FIFA pode ser fortalecida. Convido cada um de vocês a enviar novas propostas por meio desse processo. Onde a aprovação das Associações Membro for necessária, as Associações Membro devem decidir.
Congratulo-me com a intenção construtiva refletida em cada uma de suas cartas. Podemos divergir sobre o melhor caminho a seguir, mas não tenho dúvidas de que cada um de nós quer o melhor para a FIFA, suas Associações Membro e o futebol.
Confiança não é a ausência de desacordo. Ela se demonstra quando nos envolvemos diretamente, testamos propostas contra os fatos e respeitamos as decisões alcançadas adequadamente por meio dos processos democráticos e institucionais da FIFA – mesmo quando o resultado difere daquele que preferíamos.
Esses processos pertencem a todas as 211 Associações Membro. É nossa responsabilidade coletiva respeitá-los e protegê-los.
Vamos abordar este trabalho em um espírito de unidade, respeito mútuo e responsabilidade compartilhada. Estou confiante de que, juntos, podemos alcançar um resultado sustentável e adequadamente apoiado para as Associações Membro da FIFA e para o futebol em todas as partes do mundo.
A FIFA pertence igualmente a todas as 211 Associações Membro. O futebol é para todos, em todos os lugares. Esses princípios devem continuar a guiar a todos nós.
Espero continuar engajado junto com todos vocês por um futuro unido e mais forte.
Seu no futebol,
Gianni Infantino” geRead More