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Na ONU, Trump promete extinguir ‘interferência estrangeira’ no Hemisfério Ocidental ‘pela via militar, se preciso’

Na ONU, Trump promete extinguir ‘interferência estrangeira’ no Hemisfério Ocidental ‘pela via militar, se preciso’

 Trump: cartéis são o ‘Estado Islâmico’ do Ocidente
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu extinguir o que chamou de “interferência externa” no Hemisfério Ocidental e que pode utilizar o poderio militar norte-americano para isso, em discurso nesta terça-feira (22) na Assembleia Geral da ONU, em Nova York.
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Trump, que busca dominar e expulsar a presença dos rivais China e Rússia do Hemisfério Ocidental, disse em seu discurso que busca “acabar com décadas de violência, instabilidade e interferência estrangeira” na região, e que utilizará “poderio militar incomparável” para atingir esse objetivo —utilizando a operação contra Nicolás Maduro como exemplo.
“Nossas ações na Venezuela são uma prova de que não permitiremos mais que ameaças contra os Estados Unidos criem uma base de apoio em qualquer lugar do Hemisfério Ocidental e, se necessário, usaremos nosso poderio militar incomparável para proteger nossos interesses nacionais vitais”, afirmou.
O presidente norte-americano também comparou os cartéis de drogas ao grupo terrorista Estado Islâmico e afirmou que esses “grupos e gangues sangrentos” não afligirão mais os países do Ocidente.
“Lançamos o poder das Forças Armadas dos EUA para eliminar gangues e cartéis de drogas sangrentos. (…) Os cartéis são o Estado Islâmico do Hemisfério Ocidental. São inimigos em guerra contra a civilização, usando assassinato, estupro, tortura e extorsão como instrumentos de terror, e por isso eles devem ser mortos, exilados ou detidos”, afirmou Trump.
O discurso de Trump ocorre em meio a uma grave crise enfrentada pela ONU, em parte incentivada pelo próprio líder norte-americano. Desde que ele retornou à Casa Branca, em janeiro de 2025, Trump não apenas criticou a instituição multilateral em diversas ocasiões como também criou um órgão internacional para rivalizar com a ONU, o “Conselho da Paz”.
O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas na sede da ONU, na cidade de Nova York, EUA, em 22 de setembro de 2026
Mike Segar/Reuters
Trump x Lula
O presidente Lula, que discursou antes de Trump, afirmou disse que o Brasil “não é quintal de ninguém” e não vai “terceirizar a responsabilidade” de combater os grupos criminosos brasileiros —em referência à pressão da Casa Branca contra o PCC e o CV— e afirmou que entregou uma proposta ao presidente dos EUA sobre o assunto. “Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas”, afirmou.
No discurso na Assembleia Geral do ano passado, Trump revelou que se encontrou brevemente com Lula e disse que teve uma “química excelente” com o presidente brasileiro —relembre esse momento.
A situação diplomática entre Brasil e EUA, inclusive, “virou do avesso” nesse meio tempo por conta de investidas do governo Trump para influenciar as eleições presidenciais brasileiras, que ocorrerão em outubro.
‘O Brasil não cabe no quintal de ninguém’, diz Lula em discurso na ONU
Ataque à ONU, ameaças ao Irã e acordo pela Groenlândia
O presidente norte-americano também criticou a ONU e suas agências. Ele chamou o Tribunal Penal Internacional (TPI), da ONU, de “fora de controle” e “maléfico” e pediu que todos todos os países-membros esvaziem a instituição.
Ele também acusou “os principais funcionários de Direitos Humanos da ONU” de criticar os EUA em busca de “mutilar crianças para as tornar transgêneros” e as políticas de imigração do governo Trump.
Durante sua fala, Trump também exaltou a situação interna dos EUA durante seu governo e afirmou que “o mundo inteiro está sendo levantado por um EUA energizados e mais poderosos do mundo”.
Ele defendeu a guerra no Oriente Médio e reiterou que o Irã “nunca terá uma arma nuclear”. Ele também ameaçou “aniquilar o Irã para o inferno” caso não haja acordo de paz após os midterms.
Trump também anunciou a construção de duas grandes bases militares dos EUA na Groenlândia após ter chegado a um acordo com a Dinamarca, que foi assinado no início da tarde desta terça.
“Ampliamos a presença dos EUA no Ártico e no Atlântico Norte, em um acordo que também protege muito a Europa e deixa a Otan mais forte do que nunca”, afirmou Trump.
Crise institucional da ONU
ONU se prepara para a 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas
David Dee Delgado/Reuters
A Organização das Nações Unidas (ONU) enfrenta atualmente constates ataques contra sua legitimidade, cortes de verba e uma crise geral de credibilidade.
A crise, inclusive, tem até sugestões de dentro da própria ONU para que o órgão multilateral seja encolhido e “volte ao básico” para continuar existindo.
Diante do cenário, a ONU usará sua 81ª Assembleia Geral para fazer um apelo pela sua própria sobrevivência.
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