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Os “donos” da bola: quem são os bilionários por trás das SAFs no futebol brasileiro

Os “donos” da bola: quem são os bilionários por trás das SAFs no futebol brasileiro

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Rubens Menin, Pedro Lourenço e Marcos Lamacchia integram uma lista de bilionários que decidiram colocar parte de seu patrimônio no esporte. Enquanto Menin e Pedrinho já são oficialmente acionistas ou donos de Atlético-MG e Cruzeiro, respectivamente, Lamacchia está próximo de comprar a Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Vasco.
Ao longo dos anos, o futebol brasileiro registrou um histórico de mecenas e empresas que injetaram dinheiro nas equipes. Foi assim com a Parmalat (Palmeiras, Juventude e Paulista de Jundiaí), a MSI (rapidamente no Corinthians) e a ISL (Flamengo), entre outras, mas em um formato diferente do atual.
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Empresários bilionários que estão por trás das SAFs do Brasil
Infoesporte
Naquela época, as marcas bancavam grandes contratações, mas não assumiam a gestão administrativa e esportiva por completo. Agora, esse cenário mudou e os empresários tomaram à frente das gestões dos clubes.
Outros empresários ficaram conhecidos por empréstimos, patrocínios e até doações feitas aos times do coração, como Paulo Nobre no Palmeiras, Delcir Sonda no Internacional, a família Klein no São Caetano e Luciano Hang no Brusque. Abaixo, o ge lista os empresários que compraram ou pretendem adquirir clubes brasileiros e o tamanho de suas fortunas.
Pedro Lourenço – Cruzeiro
Pedro Lourenço de Oliveira, de 70 anos, é fundador de uma rede de supermercados com forte atuação em Minas Gerais e no Espírito Santo. Nascido em Paineiras, no interior mineiro, ele completou o ensino fundamental antes de arriscar a vida na capital. Aos 18 anos, chegou a Belo Horizonte para trabalhar no setor varejista.
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Aos poucos, subiu de cargo até montar uma mercearia, que hoje se transformou em uma rede com mais de 400 lojas. Com faturamento na casa dos R$ 26 bilhões no último ano, a empresa liderada por Pedrinho tornou-se a quarta maior varejista do Brasil.
Antes de comprar a SAF de Ronaldo Fenômeno, Pedro Lourenço fez diversos investimentos e empréstimos ao Cruzeiro, desde a era dos irmãos Alvimar e Zezé Perrella. Tornou-se conselheiro e passou a se envolver politicamente na instituição.
Pedro Lourenço comprou o Cruzeiro de Ronaldo em 2024
sportv
Entre os aportes feitos antes de assumir o controle, destaca-se o empréstimo de R$ 6 milhões para a compra do meia Arrascaeta, junto ao Defensor (Uruguai), em 2015. Cruzeirense e conselheiro nato, ele também é credor da associação, com mais de R$ 28 milhões a receber na Recuperação Judicial.
Para adquirir 90% das ações da SAF celeste (os 10% restantes seguem com a associação), Pedrinho desembolsou cerca de R$ 600 milhões. Desse montante, R$ 100 milhões em dívidas do clube com o empresário foram convertidos em ações; R$ 150 milhões foram pagos ainda em 2024; e os R$ 350 milhões restantes serão quitados ao longo de dez anos.
Nesta temporada, a Raposa investiu mais de R$ 300 milhões em reforços e possui uma das folhas salariais mais altas do país, estimada em R$ 30 milhões mensais. A fortuna total acumulada por Pedro Lourenço não é calculada por publicações especializadas.
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Rubens Menin – Atlético-MG
Rubens Menin Teixeira de Souza, de 70 anos, é formado em engenharia civil pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O empresário possui uma vasta gama de negócios, com atuação na construção civil, no mercado financeiro e em telecomunicações.
Atualmente, ele é sócio da SAF do Atlético-MG, com 41,8% das ações. Em 2023, o grupo liderado por ele e outros três empresários (seu filho Rafael Menin, Ricardo Guimarães e Renato Salvador) — conhecidos como os 4 R’s — comprou 75% da operação por cerca de R$ 913 milhões. O montante final teve o abatimento de dívidas do clube referentes a empréstimos contraídos com os próprios investidores ao longo dos anos.
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Para este ano, Rubens e Rafael Menin estimam aporte de R$ 500 milhões no Galo, focado na quitação de débitos bancários. Segundo o último balanço financeiro, a dívida atleticana é de R$ 1,8 bilhão, sendo que as pendências com bancos representam a maior fatia: cerca de R$ 941 milhões.
O cenário societário também envolve Daniel Vorcaro, que detém cerca de 20% da SAF após realizar aportes de R$ 100 milhões e R$ 200 milhões. O banqueiro, no entanto, foi afastado do Conselho de Administração após ser preso por suposto envolvimento no caso do Banco Master.
Rubens Menin, dono da SAF do Atlético-MG
Gilson Lobo/AGIF
Com a nova injeção de capital dos Menin, a participação de Vorcaro cairá para algo entre 4% e 5%. Internamente, o clube vê essa diluição como mais um motivo estratégico para o aporte.
Segundo a revista Forbes, Rubens Menin ocupa a 36ª colocação entre os mais ricos do Brasil, com fortuna estimada em R$ 9,2 bilhões.
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Marcos Lamacchia – Vasco
Aos 47 anos, Marcos Lamacchia pode ser o próximo bilionário a se tornar dono de um clube brasileiro. Formado em administração, com especialização em contabilidade e direito empresarial, ele seguiu carreira no mercado financeiro por herança familiar.
É filho de José Roberto Lamacchia, dono da Crefisa, com a banqueira Junia Faria, herdeira de Aloysio de Andrade Faria (fundador do Banco Real e do conglomerado Alfa). Atualmente, seu pai é casado com Leila Pereira, presidente do Palmeiras.
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A proposta de Lamacchia pelo Vasco prevê R$ 500 milhões em aportes diretos no futebol, o perdão de uma dívida de R$ 80 milhões (referente a um empréstimo) e R$ 150 milhões para o centro de treinamento. O projeto também engloba o pagamento das dívidas concursais e extraconcursais (aproximadamente R$ 1,3 bilhão) e a cobertura de todo o déficit de caixa dos próximos cinco anos — hoje estimado em R$ 300 milhões anuais, totalizando R$ 1,5 bilhão.
Nas contas do clube e do empresário, o pacote global supera a casa dos R$ 3 bilhões.
Apesar de ainda não ser dono da SAF do Vasco, Marcos Lamacchia tem feito empréstimos ao clube e aportes antes mesmo de assumir a gestão do clube.
Marcos Lamacchia é principal candidato a comprar a SAF do Vasco
Thiago Ribeiro/AGIF
A venda da SAF cruz-maltina, no entanto, ainda não está concluída. A Almirante Participações S/A, empresa de Marcos Lamacchia, venceu leilão para a compra da SAF. Agora, a diretoria administrativa do Vasco encaminhou oficialmente a proposta aos conselhos do clube.
Em ofício assinado pelo presidente Pedrinho, os presidentes do Conselho Deliberativo, do Conselho de Beneméritos, do Conselho Fiscal e da Assembleia Geral receberam a documentação detalhada sobre a proposta vencedora do leilão judicial.
Atualmente, a SAF vascaína está sob controle administrativo do clube associativo, presidido por Pedrinho. A estrutura acionária, porém, segue dividida: a 777 Partners possui 31%, o Vasco mantém 30%, e os 39% restantes estão em disputa na câmara de arbitragem.
Não há dados públicos exatos sobre a fortuna individual de Marcos Lamacchia. Seu pai, por exemplo, acumula um patrimônio de cerca de R$ 8,8 bilhões em conjunto com Leila Pereira.
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Outros casos
Em diferentes modelos de negócio, outros empresários passaram a ter participação direta na vida política e financeira de clubes brasileiros. Roberto Graziano, por exemplo, deve ser o próximo a ter um time tradicional para chamar de seu. Dono do Grupo Magnum — uma das maiores empresas de joias e relógios do país — e atual proprietário do São Bernardo, ele é o principal interessado na compra da SAF do Guarani.
Graziano já é dono do estádio Brinco de Ouro da Princesa, arrematado por ele em leilão por R$ 44 milhões. Agora, o objetivo é assumir o Bugre por completo. A proposta avaliada pelo conselho alviverde prevê uma operação de R$ 750 milhões, com gatilhos que podem elevar o montante a R$ 1,075 bilhão.
Conselho do Guarani avalia proposta da SAF de R$ 750 milhões
O modelo inicial estabelece R$ 400 milhões em investimentos no futebol ao longo de 20 anos, além de R$ 350 milhões destinados ao pagamento de dívidas. O negócio ainda aguarda definição. Enquanto isso, o empresário segue à frente do São Bernardo na Série B do Brasileiro.
No Sul, outro empresário que ajudou o time do coração foi Marcelo Marques. Ele desembolsou R$ 145 milhões para adquirir a gestão da Arena do Grêmio junto à Arena Porto-Alegrense (empresa ligada à antiga construtora), além de assumir dois terços da dívida de construção do estádio, que estavam nas mãos do fundo de investimentos Reag e da Revee, empresa dedicada à infraestrutura e eventos.
Após o acordo, o empresário repassou a administração do estádio ao Grêmio. Com a incorporação, o Tricolor gaúcho passou a gerir integralmente as receitas e despesas do local. Marcelo Marques chegou a lançar candidatura à presidência do clube, mas desistiu alegando motivos políticos e pessoais.
Grêmio e Marcelo Marques oficializam repasse da Arena
O rival Internacional recebeu doação de R$ 20 milhões do empresário Delcir Sonda para a quitação de salários atrasados com o elenco. Dono do Grupo Dis, com forte atuação no agenciamento de jogadores, Delcir usou parte de sua fortuna para ajudar pontualmente o Colorado.
Entre 2013 e 2016, Paulo Nobre presidiu o Palmeiras e contraiu empréstimos acima de R$ 100 milhões em seu próprio nome para ajudar o clube. O ex-presidente é um dos herdeiros do banco Itaú, com fortuna estimada em mais de R$ 4 bilhões. O Palmeiras não deve mais nada a Paulo Nobre.
Presidente do Bahia entre 2018 e 2023, o empresário Guilherme Bellintani atualmente comanda uma empresa dona de uma rede multiclubes, em modelo parecido ao do Grupo City, dono do time baiano. Bellintani é dono do Londrina, time que atualmente disputa a Série B do Brasileiro e a elite do Campeonato Paranaense, e do Linense, time da Série A2 do Campeonato Paulista.
O São Caetano, tradicional time da Grande São Paulo e que foi vice-campeão da Libertadores e duas vezes brasileiro no início dos anos 2000, atualmente tem o empresário Jorge Machado como dono. Ele foi agente do técnico Felipão, do ex-meia Rivaldo e diversos outros grandes nomes do futebol brasileiro.
Dono de plataforma multiclubes, Guilherme Bellintani avalia SAFs no Brasil
Recentemente, em entrevista ao ge, ele calculou ter colocado mais de R$ 30 milhões do próprio bolso no clube, que atualmente está na quarta e penúltima divisão do futebol paulista.
– O São Caetano tinha e tem uma dívida de aproximadamente R$ 72 milhões. Foi assim que peguei o clube. Nesse período de quatro anos, já foram colocados em torno de R$ 25 milhões a R$ 30 milhões, sem mexer nessa dívida principal. Esse dinheiro foi usado para o movimento do próprio clube, pagamento de advogados e para curar “fraturas expostas” que tínhamos no andamento das coisas, até chegarmos à Recuperação Judicial.
Jorge Machado, empresário dono do São Caetano
Emilio Botta
– Como diz o Petraglia no Athletico-PR: se não fosse por ele, o clube não viveria. O maior exemplo disso é o que o Seu Wilson de Barros fez pelo Mogi Mirim. Era um clube que tinha três CTs, um prédio comprado na cidade para alojar jogadores emprestados — o cara só trazia a roupa do corpo — e um departamento médico excelente. Eu participei disso. Vendíamos quatro, cinco jogadores. Com o falecimento do Seu Wilson, o Mogi Mirim praticamente fechou as portas. Tenho certeza absoluta de que, sem mim, o São Caetano não existiria mais – disse Jorge Machado.
Outra SAF em curso que deve ter donos com grandes fortunas é a Inter de Limeira, que será comandada por um grupo de investidores que conta com Ronaldo e Roberto Carlos. O acordo é para a compra de 80% das ações da SAF, com investimentos de até R$ 454 milhões ao longo de dez anos – o valor não representa um aporte garantido, mas sim de uma projeção financeira vinculada ao crescimento da empresa e ao cumprimento das metas estabelecidas. geRead More