Rússia adverte Otan sobre uso de armas nucleares em meio ao aumento das tensões no Báltico
Rússia divulga vídeo de teste com armas nucleares em 22 de outubro de 2025
Ministério da Defesa da Rússia via Reuters
A Rússia advertiu a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) de que estaria pronta para usar armas nucleares caso a aliança militar tentasse isolar Kaliningrado, enclave russo às margens do Mar Báltico.
Em um documento enviado à Otan e obtido pela Reuters, Moscou acusou a aliança de seguir um “caminho perigoso e imprudente”, que poderia elevar os “riscos de eclodir um conflito armado direto”.
O texto afirma que, nesse cenário, poderiam ocorrer “ataques russos contra centros de tomada de decisão nos países membros da aliança logo no início do conflito”.
“A Rússia estará pronta para utilizar todo o arsenal de forças e recursos à sua disposição, incluindo armas nucleares, a fim de defender seu território caso os países da Otan empreendam qualquer tentativa destinada a isolar a região de Kaliningrado do restante do país”, afirma o documento.
O material é classificado como um “non-paper”, termo usado na diplomacia para documentos informais que não constituem uma comunicação oficial.
Rússia não está se preparando para uma guerra contra a Europa, diz Putin
Em resposta à carta russa, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, afirmou que a aliança é defensiva e pediu o fim das ameaças de uso de armas nucleares.
Representantes de países signatários da OTAN participam de encontro da Organização, em Washington, na quinta-feira (4)
Reuters/Joshua Roberts
Além do aviso enviado à Otan, as embaixadas russas em pelo menos três países europeus fizeram declarações nos últimos três dias acusando a aliança de aumentar as tensões com exercícios militares e planejamento de cenários envolvendo Kaliningrado.
A Rússia também rejeitou as alegações de países ocidentais de que representa uma ameaça à Europa.
Nos comunicados, Moscou afirmou que não pretende atacar países da Otan, mas alertou que qualquer agressão contra Kaliningrado seria recebida com a resposta “mais enérgica possível”. O território russo é fortemente militarizado e fica entre a Polônia e a Lituânia.
As declarações ocorrem em meio ao aumento das tensões entre a Rússia e países europeus. Governos do continente acusam Moscou de intensificar uma “guerra híbrida” na Europa, incluindo ações como sabotagem e incêndios criminosos.
A Rússia nega as acusações e também rejeita declarações recorrentes de políticos ocidentais de que estaria se preparando para um possível ataque militar contra um país da Otan.
A porta-voz da Otan, Allison Hart, confirmou que a Rússia enviou um documento informal à aliança, mas não divulgou seu conteúdo.
“Enviamos uma resposta, ressaltando que a Otan é uma aliança defensiva e que nenhuma de nossas atividades ou exercícios representa risco para qualquer parte da Rússia. Condenamos veementemente a ameaça de uso da força, incluindo qualquer retórica nuclear irresponsável. Exortamos a Rússia a pôr fim à sua guerra não provocada na Ucrânia”, afirmou.
Uma autoridade europeia de alto escalão da área de defesa disse que esta seria a primeira vez desde a Guerra Fria que a Rússia ameaça os países europeus dessa forma.
“Portanto, isso é grave”, afirmou.
Um diplomata da Otan classificou o documento russo como uma tentativa de intimidar os países europeus e disse que a resposta da aliança foi “firme e responsável”.
“(Ela) reafirma que não seremos dissuadidos de apoiar a Ucrânia”, afirmou.
O presidente russo Vladimir Putin discursa no 12º Fórum Internacional das Culturas Unidas de São Petersburgo, na Rússia
REUTERS/Anastasia Barashkovag1 > Mundo Read More


