RÁDIO BPA

TV BPA

Scott Coker garante vinda ao Brasil em 2027 com nova organização: “Um dos berços do MMA”

Scott Coker garante vinda ao Brasil em 2027 com nova organização: “Um dos berços do MMA”

Melhores momentos do Oktagon 93
Uma nova organização de MMA foi lançada nesta última segunda-feira, em Nova York, sob a liderança do experiente dirigente Scott Coker. O “Ki MMA” (que pronuncia-se Key MMA, em inglês) tem previsão de início no primeiro trimestre de 2027. Um dos primeiros anúncios é um torneio Grand Prix com 32 lutadores de todo o planeta, e com eventos em quatro diferentes continentes.
🔍 Adicione o ge nas suas fontes favoritas do Google
Horas antes da coletiva nos EUA, Coker conversou com exclusividade com o Combate.com, onde garantiu a presença do novo evento no Brasil já no próximo ano. O torneio, conforme revelado no evento, será no peso-pena (até 65,8kg) para os 32 lutadores participantes. Outra novidade é que as lutas serão num ringue.
– Estamos conversando com muitos empresários e lutadores e falando com promotores, e a boa notícia é que vamos para o Brasil, e vamos várias vezes em 2027. O Brasil sempre foi bem representado no passado com muito mais atletas surgindo, agora vamos buscar as novas estrelas e trazê-las para a nossa empresa. Estou animado com o Brasil porque sempre senti que era um dos berços das artes marciais mistas. É um dos lugares que digo que tem alma para as artes marciais mistas, incluindo o Japão. Vamos para o Brasil e vamos fazer eventos ao vivo e procurar novas estrelas. Sei que há muitos lutadores e mal posso esperar para vê-los. Royce Gracie me disse há cerca de uma semana: “por favor, vá ao Brasil e veja os lutadores porque há muitos”, e eu disse: “Royce, nós não vamos apenas olhar, vamos lá e vamos fazer lutas em vários locais. Tenha paciência, vamos fazer isso”. Estou animado em dizer que estamos indo para o Brasil e vamos chegar de uma grande forma. Isso é algo que eu queria fazer no Bellator, mas acabamos ficando sem tempo. Agora, vou apenas retomar de onde parei e levar minhas malas para lá.
Scott Coker está à frente do Ki MMA
Reprodução/Ki MMA
Entre os nomes presentes ao evento em Nova York, destacava-se a brasileira Cris Cyborg, com quem Coker já trabalhou no Strikeforce e no Bellator, onde ela foi campeã. Após finalizar seu contrato com a PFL ao lutar no mês passado, Cyborg se tornou um agente livre, e o dirigente revelou que teria conversas com quem chamou de ” maior lutadora feminina de todos os tempos”.
– Cris Cyborg e eu não nos falamos desde que ela teve sua última luta. Não sei quais são as obrigações contratuais, mas ela está vindo para nosso evento de lançamento em Nova York e vamos ter uma conversa logo depois. Estou animado para falar com ela, ver quais obrigações ela tem e ver quais oportunidades podem surgir. Cris e eu trabalhamos juntos há muito tempo, são quase 20 anos. Sei que ela foi lutar em diferentes lugares, mas, na maioria das vezes, sempre permanecemos conectados. Sempre tivemos um ótimo relacionamento e acho que ela realmente gostou de lutar comigo e pelas empresas que eu tinha. Para mim, ela é a maior lutadora feminina de todos os tempos, ponto final. Seu histórico brilha mais que qualquer outra pessoa que consigo pensar agora, e eu promovi todas elas. Promovi todas as garotas e começamos a divisão feminina no Strikeforce. Então, quando penso na Cyborg, ela tem um lugar muito especial em nossa empresa e em meu coração. Ela fez um trabalho incrível para nós nas empresas quando a tivemos lutando.
Tom Aspinall abandona o título de peso-pesado do UFC: “Um verdadeiro pesadelo”
Oktagon 93: lutadores tchecos são derrotados em casa nas lutas principais
Cris Cyborg e Scott Coker Bellator 279
Bellator MMA
Scott Coker também destacou o lema “fighter-first”, ou “lutador primeiro”, na tradução literal. O americano de 63 anos ressaltou que sua relação com os atletas nas empresas pelas quais passou foi sempre pautada pelo respeito, e que aprendeu com o dono do lendário evento japonês K1 a respeitar as estrelas do show.
– “Lutadores em primeiro lugar” significa muitas coisas, mas a única coisa que acho quando falo com atletas e trato com empresários e lutadores por todo o mundo, é que eles precisam sentir um certo conforto porque o dinheiro é o dinheiro, certo? Qualquer que seja o valor que você concorde, precisa cumprir, mas como você os trata ao longo do caminho, sabe? E que tipo de oportunidades você lhes oferece? Quando você fala com os lutadores que trabalharam comigo no passado, acho que vai encontrar uma coisa em comum: sou muito respeitoso com eles. A empresa sempre foi muito boa com eles, o melhor que podemos ser. Falei com alguns lutadores na noite passada que disseram que nunca foram tratados tão bem como quando eu estava nos negócios. “Estamos felizes por ter você de volta aos negócios”. Quando falamos sobre “lutadores em primeiro lugar” é porque para mim eles são as estrelas do show, o lutador é que está entrando no ringue. São eles que colocam seus corpos e sua saúde em risco e é nosso trabalho apoiá-los, promovê-los e desenvolvê-los. É por isso que eles merecem o respeito que recebem de mim e de minhas empresas. Eles são os que têm o espírito de Bushido. Aprendi isso no K1, foi o sr. (Kazuyoshi) Ishii, o dono do K1, que me disse uma vez: “não pense que é sobre você. É sobre eles e são eles que estão entrando no ringue. Eles são os que têm o espírito de Bushido e devem ser respeitados e honrados”, e eu disse “você está certo”. Foi aí que aprendi essa filosofia e estou muito feliz que ele me mostrou o caminho anos atrás. Se você for falar com os lutadores, Cris Cyborg, com Fedor Emelianenko, com Royce Gracie, os tratamos como família tanto quanto podemos.
O torneio do Ki MMA passará pela América do Norte, América do Sul, Ásia e Europa. Coker afirma que se inspirou no Pride e no K1 para ressaltar a importância do formato para a construção de estrelas mais rapidamente. E lembrou que o UFC começou do mesmo jeito, quando Royce Gracie venceu três dos quatro primeiros eventos daquela organização.
– Isso realmente remonta às raízes do Pride e os velhos tempos em que era um torneio de um ano, assim como o K1, assim como a Era Pride. O UFC era um torneio de artes marciais e isso é algo que eu realmente acho que estava faltando. Acho que se você olhar para o torneio de peso pesado do Strikeforce e todos os torneios que fizemos no Bellator, acho que fizemos alguns torneios realmente empolgantes ao longo do caminho. O formato do torneio cria novas estrelas e você pode fazer isso muito rapidamente porque, ao final de cada ano, o K1 tinha um campeão de torneio de peso-pesado e eles se tornavam grandes estrelas, a mesma coisa com o Pride, e a mesma coisa com o UFC, quando Royce Gracie se tornou um sucesso imediato em uma noite ao vencer o primeiro torneio. Acho que as pessoas meio que se afastaram disso e acho que as outras empresas não estão tentando fazer isso. São muitas categorias de peso, muitos eventos, muitas lutas ao longo de muitas semanas. E ter uma noite de finais com cinco campeões diferentes é demais. Quando entrei no Bellator, também era um torneio. Quando você faz um torneio de peso-pena como estamos fazendo ao longo de um ano, vamos encontrar alguns talentos incríveis e você vai vê-los em várias lutas ao longo de vários meses ao longo do ano. Você verá o mesmo lutador repetidamente e depois uma grande narrativa. Para mim, essa é a diferença, é que vamos ser ótimos contadores de histórias. Amo o formato de torneio. Estou feliz que estamos fazendo isso. Vamos construir a próxima superestrela do esporte.
Na coletiva, os organizadores garantiram que terão lutas em outras categorias além do peso-pena e fora do GP, mas a direção quer o foco no torneio, que deverá corresponder a cerca de 30% das lutas promovidas pela organização.
O ringue do Ki MMA
Reprodução/Youtube
Com a experiência de muitas décadas à frente do Strikeforce – comprado pelo UFC – e do Bellator – comprado pela PFL -, Scott Coker garante que sua operação financeira, com cerca de US$ 60 milhões num investimento inicial, pode ser rentável em poucos anos.
– Quando você olha as finanças dentro da empresa, eu disse três anos (para se tornar rentável), mas sei que em dois anos poderíamos atingir nossos números, é o que estamos fazendo. Temos números muito modestos também. Não é algo que esteja realmente fora da realidade, esses são números muito modestos e são números que tiramos do Bellator quando eu estava no comando, e do que as escalas de pagamento dos lutadores são atualmente com todas as diferentes ligas. Não vamos apenas estar no negócio de construção de torneios, também vamos estar no negócio de agentes livres e não há nenhum agente livre que não possamos pagar. Vamos falar com todos e, se fizer sentido, se fizer sentido comercial, vamos assinar com eles. É assim que funciona. Estamos no negócio de esportes de combate e temos que operar como um negócio. O torneio é parte disso e os agentes livres são a outra parte disso.
O dirigente também evitou colocar o Ki MMA numa posição de enfrentamento com o UFC. Ele acredita que ter o Ultimate na posição de liderança também é importante para os negócios do setor, e que podem coabitar.
– Fosse Strikeforce ou Bellator, nossa ideia era adicionar uma marca ao mercado. Eles estão comandando o negócio deles, e nosso negócio não vai interferir no negócio deles. Vamos estar no ramo de torneios e vamos estar na divisão de classe única. E vamos construir estrelas e isso vai ser bom para o esporte e para nosso retorno aos negócios. É bom para o esporte. Então, para mim, não é como se quisesse…Por que alguém gostaria de derrubar o número 1? Porque se eles saírem do mercado, o que isso diz sobre a indústria como um todo? Não é bom, não é saudável. Vejo isso como poder ter uma Pepsi e poder ter uma Coca-Cola, o que você quiser beber.
Alex Poatan e Ciryl Gane 2? Mundo da Luta analisa possível revanche
Coker esteve à frente do Bellator por 20 anos, até que a empresa foi comprada pela PFL e ele deixou o cargo de CEO. E por que, depois de tantos anos num mercado, digamos, complicado, retornar em nova empreitada? As perguntas, ele admite, foram muitas após revelar que estava de volta ao mercado.
– Ah, foi uma ampla gama de, digamos, perguntas e diferentes emoções. Desde repórteres me perguntando: “este é um negócio tão louco, porque você quer voltar para isso?”, a coisas como: “você não acha que deveria talvez simplesmente relaxar e apenas não fazer nada? Sinto que isto é algo que ou você tem a vontade de fazer ou não tem, e algo em que somos muito bons. Acho que fizemos uma grande diferença no esporte ao longo dos anos, vejo muitas outras empresas por aí fazendo o que fazem, o que é ótimo, mas vamos fazer isso em um nível realmente grande e vamos fazer de um jeito que acho que vai ser muito amigável para os lutadores e será bom para eles. Falei com as academias hoje e com os treinadores e eles estão animados porque sabem que vamos trazer uma cultura de volta para o negócio que simplesmente não está lá agora. geRead More