RÁDIO BPA

TV BPA

Seleção jogou mal tentando fazer as mesmas coisas que não conseguia fazer antes da Copa do Mundo

Seleção jogou mal tentando fazer as mesmas coisas que não conseguia fazer antes da Copa do Mundo

Diante de tantas frustrações recentes, não seria um empate com a Austrália que nos apresentaria a novos sintomas de desencanto e frustração profunda. Então, não se trata do resultado em si, mas da sensação de que a seleção brasileira sai do primeiro amistoso do novo ciclo sem ter apresentado ao público o início de um novo caminho. Era possível, e até natural, jogar mal. Desde que o jogar mal fosse o preço pago por fazer experiências, testes de nomes e sistemas. Mas o Brasil jogou mal tentando fazer as mesmas coisas que não conseguia fazer antes da última Copa do Mundo.
É de se imaginar que Ancelotti tenha estabelecido com sua comissão técnica um planejamento para os 4 anos que terá até 2030. E não seria racional exigir que surgisse agora uma equipe nova, uma escalação que indicasse quais são, hoje, os preferidos do treinador. O momento seria para incorporar novas alternativas ao que convencionamos chamar de “radar” da seleção brasileira.
Austrália 1 x 1 Brasil | Melhores momentos | Amistoso Internacional
Pois a seleção entrou em campo com 7 titulares que estiveram na última Copa do Mundo, sem contar Estevão, que só não foi porque se lesionou. Claro que a proposta aqui não é desfigurar o time, o que prejudicaria até mesmo os testes com as caras novas. No entanto, dos dez jogadores de linha que jogaram na Austrália, 8 já são íntimos de Ancelotti. Pareceu um tanto conservadora a escalação. Além disso, a formação inicial jogou por quase 65 minutos sem qualquer substituição. Douglas Luiz foi observado por menos de meia hora, Samuel Lino e Pedro por 25 minutos, enquanto Mauro Junior teve 15 – Rayan, que também entrou, foi ao Mundial.
Lógico que haverá outros jogos nesta longa data Fifa em que, espera-se, Ancelotti dará oportunidade a outros. Mas, neste primeiro amistoso, ficou a sensação de que havia algum tipo de preocupação com o resultado.
Outro tema é que o próprio treinador admitira, em entrevistas recentes, que a prioridade era encontrar meio-campistas. E, de forma coerente com o discurso, a convocação teve mais meias do que o habitual. A tal ponto que o atacante João Pedro, lesionado, acabou substituído por Martinelli, outro nome para o centro do campo.
Mas causou certa surpresa que Ancelotti tenha optado pelo mesmo sistema anterior ao Mundial. Jogaram Bruno Guimarães e Danilo, e quatro atacantes na frente. Por mais que Raphinha pudesse fazer a função do “camisa 10”, ele passou mais tempo junto a Endrick do que recuando para compor o meio. Tudo isso sem contar que Bruno e Danilo estiveram na Copa, são nomes testados. Nas substituições, Douglas Luiz foi o único meia lançado. Andrey Santos, Bidon, Bontempo e Martinelli vão esperar um pouco mais.
Enfim, se as experiências são o ponto fundamental deste giro pela Oceania, a atuação era o menos importante neste primeiro jogo. Mas, de todo modo, com uma proposta semelhante à de boa parte do trabalho com Ancelotti até a última Copa, a seleção apresentou problemas parecidos. Um time quase sempre disposto a acelerar, com muitos jogadores atacando a linha defensiva rival e pouquíssima articulação, e uma tendência a forçar bolas em profundidade a todo instante. Além disso, a cada perda de bola, um meio-campo despovoado fazia o Brasil sofrer nos contra-ataques. Quando tentava pressionar, a seleção também o fazia sem articulação.
Era utópico imaginar que o time apresentasse, já em sua primeira aparição pós-Copa, uma grande mudança. O mais incômodo, no entanto, foi ver a seleção tentar fazer as mesmas coisas que fazia antes. geRead More