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Série ‘Quem Comanda’: Wilsomar Sena aposta em gestão humana para reerguer o Interporto

Série ‘Quem Comanda’: Wilsomar Sena aposta em gestão humana para reerguer o Interporto

Wilsomar Sena treinou os principais clubes do estado
Arquivo pessoal
A série ‘Quem Comanda’, do ge, entrevista os treinadores dos clubes participantes da Segunda Divisão Tocantinense. O personagem da vez é o técnico Wilsomar Sena, natural de Peixe, que assume o comando do Interporto com a missão de reconduzir o tradicional clube de Porto Nacional à Primeira Divisão do futebol estadual.
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Conhecido por revelar talentos e montar equipes competitivas, o experiente treinador projeta uma campanha de regularidade e imposição tática para atingir o principal objetivo do Tigre na temporada.
A relação de Wilsomar Sena com o futebol começou cedo, impulsionada pela paixão de infância pelo esporte. Ele chegou a tentar a carreira como jogador profissional, mas logo percebeu que sua verdadeira vocação estava na beira do campo, na gestão e no estudo do jogo.
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Para o treinador, a experiência prática nos gramados moldou sua sensibilidade para lidar com o lado humano dos atletas e ajudar no desenvolvimento deles como cidadãos.
— Minha vivência dentro do futebol me ajudou a entender que cada jogador possui uma história, uma personalidade e uma maneira diferente de aprender e evoluir. Procuro entender o jogador não apenas como atleta, mas como pessoa. Sei que existe pressão, cobrança e momentos difíceis na carreira. Por isso, acredito muito na proximidade e na liderança.
Com o passar dos anos, Wilsomar consolidou um estilo flexível e pautado pela intensidade coletiva. Adepto de esquemas como o 4-3-3, o 3-5-2 e o 4-2-3-1, ele considera a tática um recurso de adaptação, ao declarar que o sistema de jogo é uma ferramenta e não uma prisão.
Para ele, o mais importante no time são os princípios de jogo, como a organização, intensidade, ocupação dos espaços, capacidade de pressionar e coragem para jogar.
Na trajetória como treinador, Wilsomar destaca duas passagens marcantes como verdadeiros divisores de águas na carreira: o trabalho no Batalhão FC e a sequência no Capital FC. À frente do Batalhão, o técnico conquistou o título da Segunda Divisão em 2023 e, no mesmo ciclo, faturou o vice-campeonato estadual Sub-20 com um elenco formado majoritariamente por garotos abaixo da idade limite da categoria.
— O importante foi entender que o trabalho não se limitou aos resultados dentro de campo. Deixamos um legado para o clube, que abriu portas para oportunidades como a Copa São Paulo e a Copa do Brasil.
Wilsomar Sena destaca o lado humano em seus trabalhos
Arquivo pessoal
Neste ano, no Capital FC, o comandante levou essa mesma proposta de valorização ao futebol profissional. Com uma equipe de média de idade inferior aos 21 anos, e considerada candidata ao rebaixamento, o time alcançou as semifinais do Campeonato Tocantinense e disputou a Copa do Brasil diante do Manaus.
— Quando olho para esses trabalhos, vejo uma linha clara da minha carreira, de desenvolver jogadores, construir equipes competitivas e deixar um legado. Saber que você passou por um clube, desenvolveu pessoas, abriu portas e deixou algo que continua depois da sua saída é ainda mais significativo.
Quando questionado sobre as mudanças desde o início da carreira de técnico, Sena destaca que hoje está mais consciente de que o resultado no jogo é consequência do processo. Além disso, acredita que o treinador precisa ser adaptável às diferentes realidades que encontra durante a carreira, sem abrir mão dos seus princípios.
Mesmo com o título da Segunda Divisão Tocantinense de 2023, o técnico evita apontar o troféu como seu maior orgulho, colocando o título do Tocantinense Sub-20 de 2014 como a certeza necessária para seguir na profissão, além de celebrar a formação de atletas que superaram expectativas na vida.
Ao revisitar as partidas mais emblemáticas à beira do gramado, Wilsomar relembra um dos momentos mais marcantes da história das categorias de base do Tocantins: o triunfo por 2 a 1 do próprio Interporto sobre o Fluminense, pela Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2017.
Wilsomar guarda postagem da repórter Lívia Laranjeira sobre o confronto contra o Fluminense
Reprodução/Rede Social
O treinador guarda até hoje uma publicação da repórter Lívia Laranjeira (Globo/sportv) em uma rede social elogiando a vitória sobre o Tricolor Carioca e recordando sobre a dificudade que a equipe passou para disputar o torneio (veja acima). Ele recorda que essa competição o marcou profundamente por conta de seu pai, que estava acamado na época e faleceu no mesmo ano, mas de quem sentia receber forças à distância.
Outro duelo marcante foi pelo Capital, contra o Corinthians, quando sua equipe perdia por 3 a 0 e buscou uma reação imponente até o placar final de 3 a 2. No profissional, o treinador também guarda com carinho a vitória do Palmas FR por 1 a 0 diante do tradicional Remo -PA, na Série D do Brasileiro de 2015.
— Esses jogos me ensinaram que, enquanto houver tempo e organização, nunca podemos deixar de acreditar. Quando você trabalha com atletas jovens e coloca esse grupo para enfrentar equipes mais experientes, existe um trabalho diário de convencimento, cobrança, orientação e construção de confiança. Antes de ganhar um jogo, muitas vezes você precisa fazer o jogador acreditar que ele é capaz.
Em 2018, à frente do Interporto, o treinador viveu um episódio emocionante que foi muito além das quatro linhas. Os atletas do elenco Sub-20 fizeram uma surpresa ao técnico e rasparam a cabeça em homenagem à esposa do treinador, que enfrentava um tratamento contra o câncer na época.
Interporto presta homenagem à esposa do técnico
Arquivo Pessoal/Divulgação
A trajetória de Wilsomar é registrada por desafios nos bastidores e momentos de superação pessoal. Nos primeiros passos da carreira no São José, em 2009, vivenciou a realidade do ‘futebol raiz’ em diversas funções simultâneas, atuando como auxiliar técnico, preparador físico e treinador de goleiros, contando com o apoio da esposa para datilografar os contratos dos atletas em uma máquina de escrever. Naquela Segundona, o São José conquistou o acesso e decidiu o título contra o próprio Interporto, ficando com o vice-campeonato.
Longe dos gramados, Wilsomar se descreve como uma pessoa calma, apegada à família e que busca o equilíbrio fora de campo para tomar decisões lúcidas à beira do gramado. O técnico agradece o apoio que teve da família e dos amigos Richard Sanches, Tomaz Abreu e Tita.
Sobre a torcida, o treinador enxerga que os torcedores acompanham somente os 90 minutos de jogo, desconhecendo todo o planejamento que envolve um campeonato. De forma quase unânime na profissão, ele declara que o maior desafio é administrar pessoas.
— O treinador trabalha com sonhos, expectativas, egos, frustrações e momentos diferentes de cada atleta. Você precisa cobrar sem perder a confiança do jogador, tomar decisões que nem sempre vão agradar e, principalmente, manter o grupo unido quando as coisas não acontecem como planejado.
O trato com jogadores de personalidades diferentes também é apontado com frequência nas dificuldades, mas Wilsomar declara que o segredo é conhecer as pessoas, estabelecer regras e ser justo.
Nas histórias de vestiário, ele equilibra acolhimento e exigência. Em uma semifinal Sub-20 em 2025, vivenciou os dois extremos no mesmo dia. Antes de a bola rolar, emocionou o elenco ao exibir vídeos com homenagens dos pais; no intervalo, ao ver o time confortável com a vantagem de 2 a 0, cobrou os jogadores com veemência.
— Entrei gritando e dando bico na bola, e a garotada assustou. Conseguimos voltar e elevar o nível de competitividade. Mas antes disso, no início do jogo, fiz os garotos chorarem com as homenagens dos pais.
Wilsomar acumulou funções no São José, em 2009
Arquivo pessoal
Para a disputa da Segunda Divisão de 2026, Wilsomar projeta uma caminhada equilibrada e traça como meta principal o retorno do Tigre de Porto Nacional à Primeira Divisão. O treinador não enxerga muita diferença técnica entre as equipes, mas acredita que é necessário muito trabalho para conseguir o objetivo.
— A expectativa é muito grande. É uma competição em que concentração, organização, preparação e regularidade fazem muita diferença. O torcedor pode esperar uma equipe organizada, competitiva, intensa e que não abra mão de jogar futebol. Quero uma equipe que saiba competir, mas que também tenha coragem para jogar.
O treinador reforça o peso do trabalho coletivo para que o acesso aconteça, sendo uma conquista que envolve atletas, comissão, diretoria, funcionários e torcida. Pensando no futuro, ele espera que uma próxima entrevista seja para contar uma história de sucesso e celebrar a conquista de um eventual acesso.
Ao avaliar o cenário esportivo regional, o comandante defende maior integração e planejamento contínuo para impulsionar os talentos locais.
— O Tocantins tem potencial e bons profissionais. Precisamos de união entre clubes, Federação, poder público e iniciativa privada para investir na base, melhorar estruturas e garantir um calendário anual que permita aos profissionais trabalhar mais tempo. O próximo passo é criar um ambiente para que esse talento consiga permanecer e crescer aqui.
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