Sharapova celebra volta ao Brasil no SP Open, fala sobre pós-carreira e revela distanciamento do tênis
Vencedora de cinco Grand Slams, Maria Sharapova está no SP Open
Maria Sharapova está de volta ao Brasil. Mais de uma década depois de suas última passagem pelo país, a ex-número 1 do mundo do tênis feminino chegou em São Paulo para acompanhar o SP Open, torneio de nível WTA 250 que acontece no Parque Villa-Lobos, e terá uma missão especial neste domingo (20): entregará o troféu à campeã da chave de simples.
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A final entre Nadia Podoroska e Kaitlin Quevedo acontecerá neste domingo, às 15h30 (horário de Brasília), com transmissão do sportv3 e da ge tv. Mais cedo, às 13h, a brasileira Luísa Stefani e a canadense Gabriela Dabrowski enfrentarão as americanas Anna Rogers e Allura Zamarripa na decisão do torneio de duplas.
Antes de cumprir seu objetivo principal, Sharapova concedeu entrevista exclusiva ao ge.globo. Aos 39 anos e aposentada desde 2020, a russa falou sobre a relação com o tênis após o fim da carreira competitiva. Ela revelou um distanciamento com a modalidade, além de abordar maternidade, saúde mental e o futuro do esporte feminino.
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Durante sua trajetória vitoriosa, Sharapova conquistou 36 títulos, sendo cinco Grand Slams, foi vice-campeã olímpica em Londres-2012 e ficou 21 semanas na liderança do ranking mundial. Desde que deixou as quadras, ela passou a se dedicar a negócios, projetos pessoais e à família. Mãe de Theodore, de quatro anos, admitiu que hoje não tem tanto contato com o tênis.
– Eu pego em uma raquete, mas não com tanta frequência quanto gostaria. Tenho um filho de quatro anos, então estou focada principalmente nele, na escola e em todas as atividades dele. Há tantas atividades. O tênis ainda não é uma delas. Às vezes eu tento, mas ainda não há tanto interesse. Mas temos tempo – contou Sharapova.
Maria Sharapova durante entrevista no SP Open 2026
Wesley Felix
O afastamento também se estende ao circuito profissional. Sharapova diz que não costuma acompanhar muitos torneios presencialmente. No último sábado, ela entregou o troféu do US Open à cazaque Elena Rybakina e, agora, se prepara para fazer o mesmo no SP Open. A ex-jogadora conta que mantém contato principalmente com um grupo de amigos que formou durante os anos de carreira e que hoje, com outros afazeres e responsabilidades, possuem rotinas diferentes.
– Eu não vou a tantos torneios. Eu estive no US Open e agora estou aqui em São Paulo, neste SP Open, então sinto que vi muito tênis nas últimas duas semanas, mas, em geral, eu não vou a tantos eventos. Tive muita sorte porque, ao longo dos anos jogando, formei um grupo muito próximo de amigos em casa, e agora temos filhos e agora temos prioridades diferentes. Então é sempre bom, agora eles dizem que eu viajo mais do que viajava quando jogava, mas eles continuam sendo muito importantes para mim – disse.
Maria Sharapova celebra título em Roland Garros
Clive Brunskill/Getty Images
Uma das tenistas mais carismáticas de sua geração, Sharapova soube aproveitar o sucesso esportivo para construir uma forte relação com grandes marcas. Após o fim da carreira, ampliou sua atuação no mundo dos negócios e se tornou uma empresária de destaque. Ela chegou a ser descrita pelo jornal britânico Daily Mail como uma “máquina de dinheiro” e acumulou um patrimônio estimado em mais de R$ 1 bilhão.
Embora nunca tenha disputado uma competição oficial no Brasil, a russa teve duas passagens pelo país durante a carreira, entre 2009 e 2012, para jogos exibições. Agora, o retorno acontece em uma parceria com um banco, que é o principal patrocinador do SP Open. Sharapova visitou o complexo do torneio pela primeira vez na sexta-feira e participou de uma sessão de autógrafos e fotos com fãs.
– Eu queria voltar ao Brasil. Estava procurando a oportunidade certa e recebi o convite. Então é ótimo estar de volta. Este é o segundo ano do SP Open. É maravilhoso ter um evento deste nível, para que os fãs do Brasil possam vir aqui e realmente assistir à fisicalidade das atletas e ao que elas passam, e não há nada como ver tênis pessoalmente, então estou muito feliz por também ter tido a chance de sentar no estádio e assistir a alguns jogos – falou.
Serena foi convidada para a entrada de Sharapova no Hall da Fama do tênis
REUTERS/Reba Saldanha
A saúde mental também foi tema da conversa. Campeã de Wimbledon 2004 com apenas 17 anos, Sharapova passou a conviver desde muito jovem com a exposição e a pressão do alto nível, e comentou sobre questões relacionadas ao início precoce. Ela também falou sobre o crescimento do tênis feminino no Brasil e sobre a importância de as atletas aproveitarem a visibilidade que conquistam dentro do esporte.
Confira a entrevista completa:
Você está de volta ao Brasil, depois de mais de dez anos. Como é estar de volta?
– É muito bom. Nós acabamos de fazer uma sessão de autógrafos e ver fãs que eu sei que me apoiaram por tanto tempo, muitos deles eu nunca conheci antes, eles acordavam no meio da noite para me apoiar e me assistir. Então, ter alguns minutos com eles, para agradecer e estar mais tranquila agora que não estou correndo para me recuperar para a próxima partida. É uma sensação muito boa.
Você está aqui em São Paulo e no SP Open para uma missão especial. Pode nos contar, por favor?
– Eu queria voltar ao Brasil e estava procurando a oportunidade certa, e recebi o convite. Então é ótimo estar de volta, e este é o segundo ano do SP Open. É maravilhoso ter um evento deste nível, para que os fãs do Brasil possam vir aqui e realmente assistir à fisicalidade das atletas e ao que elas passam, e não há nada como ver tênis pessoalmente, então estou muito feliz por também ter tido a chance de sentar no estádio e assistir a alguns jogos.
Você falou sobre as arquibancadas, mas está aqui no lounge das jogadoras. Isso traz alguma lembrança? Quero dizer, ver o lounge das jogadoras?
– Faz alguns anos que não estou no lounge das jogadoras, mas é sempre bom porque sempre eu penso na minha equipe, penso em me preparar para a minha partida e nos primeiros minutos antes de, eles te dão sua água, suas bebidas e sua bolsa e você entra em quadra e você trabalha tão duro como uma equipe, mas então você entra em quadra e tenta lutar durante essa partida sozinha e depois volta e então reavalia. Então definitivamente trouxe muitas lembranças.
O tênis feminino está crescendo tão rápido aqui no Brasil. Temos grandes nomes agora. O que você acha de termos essas atletas especiais e como isso é importante em um país tão grande como o Brasil?
– É claro que é incrível ter figuras que o país possa admirar, torcer por elas e admirá-las e vir a um evento como este e vê-las atuar e passar pelos altos e baixos dentro de uma partida. É muito inspirador. O tênis me ensinou tantas lições, e eu sempre, quando falo com meninas e meninos jovens, incentivo-os a praticar esportes, e se for tênis, isso me deixa muito feliz, mas há tantas lições que você aprende durante esses anos de desenvolvimento como uma jovem, que agora eu consigo aplicar em um segundo capítulo da minha vida. Então elas nunca são desperdiçadas, não importa em que nível você esteja no tênis.
A saúde mental é uma questão muito importante no esporte e você começa muito cedo. Você tinha 17 anos quando ganhou seu primeiro grande título. Como foi para você lidar com tanta atenção sobre você?
– Eu não pensava nisso como saúde mental. Eu pensava em encontrar maneiras de amar o que eu fazia. Eu amava treinar porque, para mim, eu sabia que, se trabalhasse nas coisas que potencialmente eram minhas fraquezas, isso poderia me tornar uma jogadora melhor. E então, quando trabalhava nelas, conseguia ver o resultado e isso me trazia alegria. Quando você, especialmente como mulher, trabalha em direção a algo que te torna ainda melhor e vê, de certa forma, o trabalho ganhar vida, isso me fazia feliz, mas também se cercar das pessoas certas no momento certo, saber quando é hora de mudar sua equipe porque o que você precisa quando é adolescente talvez não seja o que você precisa quando está no fim dos 20 anos. Então, apenas ter boas pessoas ao seu redor que sejam honestas e verdadeiras com você, que não amenizem as coisas, porque isso é muito importante. Você pode ter uma grande vitória, mas na semana seguinte chega a um torneio, perde na primeira rodada, e há muitos altos e baixos. Nós sempre dizemos que quarta-feira é como o dia do meio da semana. Se você consegue encontrar inspiração na quarta-feira, então vai ficar bem pelo resto da semana.
Falando sobre esportes femininos, os esportes femininos enfrentam tantas questões complexas atualmente. Quando você pensa em igualdade de gênero e e questões biológicas, quão importante é para as atletas usarem suas vozes nessas questões específicas?
– Desde jovem, entendi que era mais do que uma jogadora de tênis, que eu tinha uma plataforma e, no fim das contas, você é quase como uma artista. Você tem uma voz, certo? Você dá uma coletiva de imprensa depois de cada partida, e pode usá-la de maneiras que também te ajudam a crescer, seja na moda, seja em trabalhos de caridade. Há tantas coisas. Cada jogadora tem interesses e paixões diferentes e, ao ter essa plataforma como atleta, você também consegue crescer em outras áreas.
Sobre Los Angeles, isso remete às Olimpíadas para nós. O que você lembra olhando para Londres 2012? Como foi para você?
– Foram minhas primeiras Olimpíadas e as últimas, e foi interessante porque foram duas semanas depois de Wimbledon, então foi uma mudança muito rápida, mas realmente pareceu um evento completamente novo, mesmo no mesmo estádio, na mesma cidade. Na verdade, eu joguei contra a mesma jogadora para quem eu havia perdido, em Wimbledon, e depois vim para as Olimpíadas e consegui vencê-la no terceiro set. Então tenho lembranças incríveis. Eu jogo um esporte individual e raramente jogo duplas, mas fazer parte de uma equipe olímpica e simplesmente ver o apoio que você recebe é algo muito especial e especial também para a minha família.
Falando sobre o circuito, você tem amigos próximos com quem costuma conversar ou atletas profissionais? Como é para você a relação com o circuito hoje em dia?
– Eu não vou a tantos torneios. Eu estive no US Open e agora estou aqui em São Paulo, neste SP Open, então sinto que vi muito tênis nas últimas duas semanas, mas, em geral, eu não vou a tantos eventos. Tive muita sorte porque, ao longo dos anos jogando, formei um grupo muito próximo de amigos em casa, e agora temos filhos e agora temos prioridades diferentes. Então é sempre bom, agora eles dizem que eu viajo mais do que viajava quando jogava, mas eles continuam sendo muito importantes para mim.
Você pega numa raquete ou isso é coisa do passado?
– Eu pego, mas não com tanta frequência quanto gostaria. Tenho um filho de quatro anos, então estou focada principalmente nele, na escola e em todas as atividades dele. Há tantas atividades. O tênis ainda não é uma delas. Às vezes eu tento, mas agora não há tanto interesse. Mas temos tempo. geRead More


