Trump diz que fechou acordo para EUA controlarem segurança da Groenlândia ‘para sempre’
‘Eu quero a Groenlândia’: por que Donald Trump quer ampliar presença americana no Ártico
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (18) um acordo com a Dinamarca e a Groenlândia que, segundo ele, dará aos americanos controle permanente sobre a segurança e outras necessidades relacionadas à defesa da ilha.
Em uma publicação, Trump afirmou que o acordo garante aos Estados Unidos a capacidade de “para sempre” fazer o que for necessário para proteger a Groenlândia e os próprios EUA.
Os EUA já demonstraram interesse em controlar ou adquirir a Groenlândia no passado, principalmente por razões de segurança.
O assunto voltou a ganhar força no ano passado, quando Trump começou a defender a anexação da Groenlândia pelos EUA.
Atualmente, os norte-americanos mantêm uma base militar na região.
Segundo Trump, o acordo fechado determina que nenhum adversário dos EUA poderá manter uma base ou presença militar na Groenlândia, nem fazer investimentos considerados sensíveis no território, sem autorização do governo americano.
“Começaremos imediatamente o processo de desenvolvimento de uma grande presença militar na parte apropriada da Groenlândia, que possui muitas dessas áreas”, afirmou.
Na publicação, Trump disse que o acordo representa um “sonho realizado” para os Estados Unidos e classificou o anúncio como “histórico” e “especial”. Segundo ele, o acordo é “infinito” e não tem prazo para acabar.
Até a última atualização desta reportagem, Dinamarca e Groenlândia não haviam se pronunciado sobre o acordo. No passado, os governos dos dois territórios afirmaram que a ilha não estava a venda.
Interesse na Groenlândia
Vista de Nuuk, capital da Groenlândia, em 9 de fevereiro de 2025
Sarah Meyssonnier/Reuters
Os Estados Unidos consideram a Groenlândia um território estratégico para a segurança nacional. A ilha poderia abrigar sistemas de defesa capazes de interceptar mísseis vindos da Europa ou do Ártico.
A região também é rica em minerais, petróleo e gás natural.
No entanto, a extração mineral enfrenta oposição de povos indígenas e restrições do governo local.
Já a exploração de petróleo e gás é proibida por razões ambientais.
A Groenlândia está geograficamente localizada no continente norte-americano, mas mantém fortes vínculos com a Dinamarca. A ilha, que foi uma colônia dinamarquesa, passou a integrar o Reino da Dinamarca em 1953 e segue a Constituição dinamarquesa.
Em 2009, a Dinamarca autorizou a Groenlândia a formar um governo próprio e autônomo, abrindo a possibilidade de uma declaração de independência por meio de referendo.
A população da Groenlândia poderia votar pela independência e aprovar, em referendo, uma associação aos Estados Unidos. Especialistas avaliam que a probabilidade de isso ocorrer é baixa.
Acordo
O anúncio de Trump ocorre após meses de tensão e negociações sobre o futuro da segurança da Groenlândia. O presidente dos EUA insistiu por várias vezes que os norte-americanos deveriam controlar o território e chegou a afirmar que poderia usar a força para isso.
Trump também ameaçou a União Europeia com tarifas caso a Dinamarca se recusasse a ceder a Groenlândia. As pressões causaram um racha entre os Estados Unidos e o bloco.
No início desde ano, no Fórum Econômico Mundial, em Davos, Trump chamou a Dinamarca de “ingrata” e afirmou que “a Europa não está indo na direção correta”. Ele também se referiu à Groenlândia várias vezes como “um pedaço de gelo”.
Ao fim do encontro, o presidente anunciou que o EUA e a Otan haviam desenhado a estrutura de um possível acordo envolvendo a Groenlândia e toda a região do Ártico.
O presidente também afirmou que há discussões adicionais em andamento sobre o chamado “Domo de Ouro” em relação à Groenlândia, sem fornecer mais informações sobre o projeto.
👉 O Domo de Ouro é uma estrutura militar planejada pelos EUA para interceptar mísseis lançados contra o território norte-americano.g1 > Mundo Read More


