Veja sete estádios que já receberam a Seleção e estão abandonados ou sofrem com a falta de jogos
Estádios que já receberam a Seleção e estão abandonados ou em desuso
A seleção brasileira já comemorou títulos no Maracanã, fez jogos históricos no Morumbis e viveu o vexame do 7 a 1 no Mineirão, mas nem só de grandes arenas e palcos atemporais é feita a história do time pentacampeão mundial.
Desde sua primeira partida oficial, em 1914, o Brasil passou por dezenas de estádios pelo país, alguns dos quais encontram-se abandonados ou sofrem com a falta de jogos.
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Ao longo de sua história centenária, a Seleção passou por 21 estados brasileiros, além do Distrito Federal. Alguns recebem jogos com maior frequência, enquanto outros ficam longos períodos sem ver de perto o time que representa o país.
Estádio Olímpico, em Porto Alegre
Wesley Santos/Drone Porto Alegre
Pode-se dizer que o mesmo vale para os estádios, alguns dos quais, por um motivo ou outro, jamais sediarão novamente uma partida do Brasil.
Veja abaixo sete estádios que já receberam a Seleção e hoje lutam contra o esquecimento:
Arruda
A relação da seleção brasileira com o Arruda, no Recife, foi contada ao longo de 34 anos e dez partidas. E é carregada de muita história. Em 1993, na goleada do Brasil sobre a Bolívia por 6 a 0, pelas eliminatórias da Copa do Mundo, foi registrado o maior público da história da casa do Santa Cruz: 96.990 pessoas.
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No ano seguinte, com direito a Maradona no banco de reservas, o Brasil venceu a Argentina por 2 a 0 em amistoso que marcou a estreia de Ronaldo com a camisa da Seleção. Já na última vez que o time pentacampeão mundial esteve no estádio, Neymar anotou o primeiro de seus três hat-tricks com a camisa amarela e verde na goleada por 8 a 0 sobre a China.
Apesar de ser o segundo maior estádio privado do Brasil, o Arruda não recebe jogos oficiais desde julho de 2025. Abandonado, o local aguarda um investimento milionário para viabilizar uma reforma custeadas pela futura SAF do Santa Cruz que, enquanto isso, manda seus jogos na Arena de Pernambuco.
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Arquivo/ge
Caio Martins
Casa do Botafogo entre as décadas de 1980 e 2000, o estádio Caio Martins, em Niterói, foi palco para o Brasil uma vez. Foi em 1978, em amistoso preparatório para a Copa do Mundo da Argentina, que o time comandado por Zico goleou a seleção do interior do Rio de Janeiro por 7 a 0. O Galinho de Quintinho marcou nada menos que cinco vezes na ocasião, enquanto Nunes e Rivellino completaram o marcador.
Novidade sobre o estádio Caio Martins
O local não recebe jogos oficiais desde 2004, quando o Glorioso passou a priorizar outros estádios até migrar em definitivo para o Engenhão, atual Nilton Santos, em 2007. Apesar disso o clube seguiu administrando o espaço até devolvê-lo ao governo, em 2021.
Recentemente, o governo cedeu à Prefeitura de Niterói uma área de 25 mil metros quadrados do estádio na qual serão construídos um reservatório e um parque. O objetivo é reduzir os alagamentos que acontecem nas proximidades.
Caio Martins não recebe jogos de 2004 e vai virar reservatório
Raphael Zarko
Morenão
Maior estádio do Mato Grosso do Sul, com capacidade para 45 mil pessoas, o Morenão recebeu a Seleção em duas oportunidades: no empate com o Paraguai, em amistoso disputado em 1991 (com gol marcado por Neto) e, em 2009, pelas eliminatórias da Copa do Mundo da África do Sul, quando não saiu do 0 a 0 com a Venezuela.
Imagens de drone do Morenão em março de 2026
O estado não tem um time na Série A há 40 anos, mas mesmo assim, o Morenão recebeu jogos da principal divisão do Campeonato Brasileiro depois disso. O último deles foi a goleada de 4 a 0 da Portuguesa sobre o Corinthians, em 2013.
Em estado de abandono, o Morenão não recebe jogos oficiais há mais de quatro anos. Agora, porém, vê uma luz no fim do túnel: o governo sul-mato-grossense abriu uma licitação para reforma. A proposta é de uma obra de seis meses para tornar o local apto a receber jogos em 2027. O investimento previsto é de cerca de R$ 18 milhões para liberar um espaço com capacidade para 12 mil pessoas.
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Agência O Globo
Olímpico
A antiga casa do Grêmio sempre deu sorte à seleção brasileira, que tem 100% de aproveitamento em quatro jogos no Olímpico: vitórias em amistosos contra Bulgária (3 a 0, em 1981), Paraguai (1 a 0, em 1987) e Iugoslávia (1 a 0, em 1994), além de mais um triunfo contra o Paraguai (2 a 0, em 2001), desta vez pelas eliminatórias da Copa do Mundo da Coreia e do Japão.
Felipão, Mazaropi e Paulo Nunes se despedem do Estádio Olímpico
Com a construção da Arena do Grêmio, inaugurada em 2013, o Tricolor passou a mandar seus jogos no novo estádio e o Olímpico caiu em desuso. A última partida disputada no local foi a vitória gremista sobre o Veranópolis, no dia 17 de fevereiro daquele ano.
Desde então, um imbróglio tem impedido a demolição do estádio: o Grêmio não tem conseguido entrar em acordo com as empresas envolvidas na troca de propriedades, o que estava previsto no projeto da construção da arena. Sem um acordo, o espaço segue completamente abandonado, tomado pelo mato.
Árvore cresce dentro do Olímpico
Esther Fischborn
Pinheirão
Por mais de 20 anos, entre 2003 e 2024, a última lembrança que os curitibanos tinham da Seleção atuando na cidade remetia ao Pinheirão. Ao todo, o Brasil fez quatro jogos no estádio — e com um retrospecto um tanto quanto modesto: empates com Chile (1 a 1, em 1986) e Argentina (1 a 1, em 1991) e uma vitória sobre Camarões (2 a 0, em 1996) em amistosos. Pelas eliminatórias da Copa do Mundo da Alemanha, o time comandado por Carlos Alberto Parreira empatou por 3 a 3 com o Uruguai, em 2003, com gols de Ronaldo (2) e Kaká.
Pinheirão completa 19 anos sem jogos e vive impasse judicial
O Pinheirão foi casa do Athletico (entre o fim dos anos 1980 e início da década seguinte) e do Paraná, que alugavam o espaço. Depois disso, caiu no esquecimento e viu uma partida oficial pela última vez em 2007. Triste fim para um projeto ambicioso (não concretizado), que mirava ser o segundo maior estádio do mundo com capacidade para mais de 100 mil pessoas, chegando a ser apelidado de “Maracanã de Curitiba”.
Após o fechamento, o Pinheirão foi a leilão e acabou arrematado em 2012 pelo empresário João Destro. Hoje, é alvo de disputa judicial, uma vez que o governo estadual do Paraná deu início ao processo de desapropriação e discute com o dono sobre o valor a ser pago. Enquanto o estado avaliou em cerca de R$ 65 milhões, o proprietário pede mais de R$ 350 milhões.
Sem jogos há quase 20 anos, Pinheirão é alvo de disputa judicial
Reprodução/RPC
Serra Dourada
De longe o estádio da lista mais utilizado pela Seleção, o Serra Dourada sediou nada menos que 14 jogos do Brasil entre 1978 e 2014. Foi o palco de jogos históricos, como em amistosos goleadas contra Paraguai (6 a 0 contra o Paraguai e 5 a 0 contra Venezuela e Equador, na década de 1980) e 6 a 0 diante da Bolívia em 2002, ano do penta. Já em 2012, o Brasil venceu a Argentina por 2 a 1 no Superclássico das Américas. A última vez foi em 2014, em goleada por 4 a 0 sobre o Panamá em amistoso.
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Muito utilizado por Atlético-GO, Goiás e Vila Nova ao longo dos anos, o Serra Dourada pertence ao governo estadual. Pouco a pouco, foi deixando de receber jogos do trio da capital, que preferiu os estádios particulares: o Antônio Accioly, do Dragão, a Serrinha, do Esmeraldino, e o OBA, do Tigre.
Desde 2023, o principal estádio goiano recebeu somente sete jogos oficiais — o último deles o empate entre Goiás e Cruzeiro, pela quinta fase da Copa do Brasil, em abril deste ano. Já no segundo semestre, o local foi fechado para reforma, que está em andamento e tem previsão para voltar a receber jogos em julho de 2028.
Neymar marcou em goleada na última vez que o Brasil jogou no Serra Dourada
Bruno Domingos/Mowa press
Teixeirão
Uma das raras aparições da seleção brasileira pelo interior paulista aconteceu há 30 anos. Foi no Teixeirão, em São José do Rio Preto, em março de 1996 que o Brasil atropelou Gana em um amistoso: 8 a 2, com gols de Marques (3), André Luis, Luizão, Sávio, Rivaldo e Zé Maria (assista abaixo).
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De propriedade do tradicional América-SP, o estádio já foi palco de título brasileiro, comemorado pelo Santos, em 2004, com vitória sobre o Vasco. Na ocasião, o Peixe foi punido pelo STJD e teve de mandar jogos a mais de 150 quilômetros da Vila Belmiro. O Teixeirão, porém, foi perdendo espaço à medida que o seu clube mergulhava em uma profunda crise.
Prestes a completar 20 anos longe da elite estadual, o América amargou inúmeros rebaixamentos e parece, enfim, estar se reerguendo, com um acesso recente — que o fez deixar a última divisão do estado. Embora nunca tenha fechado as portas efetivamente, conviveu com anos de depredação e vive longe dos holofotes e das principais competições. Somente em 2026, após mais de uma década de ausência, o Teixeirão voltou a ser uma das sedes da Copa São Paulo de Futebol Júnior.
No mais recente laudo da Federação Paulista de Futebol, o estádio foi aprovado com restrições, com diversos problemas apontados, incluindo a potabilidade da água das torneiras.
A FPF liberou apenas três setores do Teixeirão para receber público, reduzindo a capacidade para 16,2 mil torcedores, menos da metade do total.
Estádio Teixeirão, em São José do Rio Preto
Arcílio Neto geRead More


