“Zidanilton” no Vasco: golaço contra o Vitória, voo perdido e até banco a pedido da esposa
Ex-Vasco, Nílton relembra gol de falta contra o Vitória em 2009
Depois de vencer por 1 a 0 em São Januário, o Vasco decide a vaga na semifinal da Copa do Brasil nesta quarta, contra o Vitória, no Barradão. A equipe tenta repetir o feito de 2009, quando eliminou a equipe baiana. Aquele confronto não sai da cabeça do ex-volante Nilton pelo que fez dentro e fora de campo.
No jogo de ida, em São Januário, ele fez um belo gol de falta na goleada vascaína por 4 a 0 e também participou do empate em 1 a 1 no Barradão. Mas um acontecimento inusitado que marcou sua passagem pela Colina não sai da lembrança.
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Feliz com a classificação, Nilton resolveu comprar um presente para a esposa Karin no aeroporto de Salvador, mas acabou se distraindo e não viu que os companheiros já haviam embarcado. Resultado: perdeu o voo e enfureceu o então diretor de futebol Rodrigo Caetano, que aplicou uma multa de 10% do salário.
— De repente, só ouço o anúncio: “Nilton Ferreira Junior, última chamada para o embarque”. Quando eu cheguei já tinha desacoplado. Eu falei: “Moço, abre a porta que eu pulo”. Só sei que o Rodrigo Caetano me ligou e perguntou se eu estava do lado de fora. Eu falei para ele que estava no banheiro, que deu dor de barriga. Ele só disse: “Nilton, no Rio a gente conversa”. Eu falei: “Caetano, vai devagar. A gente não está tão em dia assim para você multar”. Ele disse que não queria saber — contou, aos risos.
A história ficou famosa em São Januário na época, e nem o técnico Dorival Júnior perdeu a oportunidade de tripudiar.
— Ele falou: “Meu cão de guarda, meu pitbull, se lascou dessa vez”.
Essa foi só uma das histórias emblemáticas da passagem de “Zidanilton” pelo Vasco. E em muitas outras sua esposa Karin também foi protagonista.
Ex-Corinthians, Cruzeiro e Vasco, Nilton trabalha no ramo de construção civil
Reprodução
O dia em que Nilton foi barrado do time pela esposa
Muito participativa na carreira de Nilton, Karin era atenta a todos os detalhes, desde a alimentação e descanso até questões diretamente ligadas ao jogo. Ela conta que em uma vez pediu para o técnico Dorival Júnior dar uma lição ao marido e tirá-lo do time.
— Eu cheguei no Dorival e falei: “O Nilton precisa pegar banco. Ele está com o rei na barriga. Eu chego em casa e ele não me respeita”. Eu tinha uma intimidade com o Dorival, conhecia a esposa dele… Então, falei para deixar no banco para ele sentir que não era o cara. Se ele ver que tem disputa, ele vai se ligar — contou.
O pedido deu certo, de acordo com relato de Nilton. Hoje, ele conta com bom-humor, mas na época ficou furioso com o fato de ter sido colocado no banco de reservas na partida seguinte, contra o Atlético-GO.
— O Dorival me falou: “Nilton, você vai começar no banco porque a “a Dona Onça” falou que você tem que ir para o banco. E eu acho também. Eu nem liguei para ela porque estava com raiva. Ela me botou no banco, não foi nem o Dorival. O time não estava indo bem, aí ele chegou para mim e falou: “Vai jogar hoje?”. Falei com ele que poderia me colocar que ele ia ver a raiva que eu ia entrar. Fiz um baita jogo e ele disse: “Esse é o Nilton”.
Nilton em ação pelo Vasco em 2011
Agif
Dicas de posicionamento da esposa renderam gols
Karin era tão participativa que ela própria estudava os adversários do Vasco e compartilhava suas observações. O casal acredita que um detalhe observado por ela foi determinante para Nilton conseguir fazer mais gols em cruzamentos na área.
Na estratégia montada por Dorival Júnior, Nilton era quem ficava mais próximo da segunda trave, mas Karin acreditava que o mais eficiente seria ele tentar surpreender com outro tipo de movimentação.
— Ela perguntou porque eu sempre ia para trás. Eu dizia que era o combinado. Na frente já tinha Alecsandro… “Mas vai mesmo assim”. Eu falei: “Tá bom”. Em um jogo contra o Palmeiras (relembre o gol no vídeo abaixo), em São Januário, eu olhei e consegui visualizar. Vou fazer isso aí, vou puxar no primeiro pau.
— Tenho certeza de que foi uma transmissão de pensamento. Eu ficava “Vai, Nilton. Pelo amor de Deus”. Do mesmo jeito que eu estudava os jogos dos adversários, tenho certeza de que os outros clubes sabem. Ele fez que ia para o segundo, foi para o primeiro, deu a casquinha e fez o gol. Foram três gols assim seguidos. Até que descobriram a minha técnica — disse Karin.
Mas e o técnico? Não se incomodou?
— Falou alguma coisa? Nada! — disse Nilton.
Vasco 3 x 1 Palmeiras | Gols | 24ª rodada | Brasileiro 2012
Dos gramados para a construção civil, mas sempre com o Vasco
Aposentado desde 2021, Nilton atualmente mora em São Paulo e atua na área da construção civil. A identificação com o Vasco permanece. Foram 157 jogos disputados, 17 gols marcados e a conquista do título da Copa do Brasil.
— Só quem vestiu a camisa do Vasco sabe o que eu estou falando. A energia… o que eles sofrem para estar ali. Hoje eu sofro junto. Tenho um carinho imenso pelo que o Vasco me proporcionou — afirma o ex-jogador.
O período intenso na Colina fez Karin também virar uma torcedora vascaína. Ela acompanha o time até hoje.
— Aprendi a amar o clube, gosto muito até hoje. Me tornei vascaína pela força que eu entendi que os jogadores precisam ter para estar lá dentro. O Vasco é como uma faculdade. Se passar por ali, está preparado para o futebol — afirmou.
Como venceu por 1 a 0 o jogo de ida, em São Januário, o Vasco joga por um empate nesta quarta-feira, no Barradão, para se classificar para a semifinal da Copa do Brasil.
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