Acidente entre trens na Espanha foi causado por falha no sistema de controle, diz governo
Colisão entre dois trens de alta velocidade na Espanha deixa mortos
O acidente entre dois trens de alta velocidade que colidiram na Espanha, causando ao menos 64 mortes nesta quarta-feira (28), foi causado por uma falha no sistema de controle, segundo o governo espanhol.
VÍDEO: imagens aéreas mostram dimensão do acidente
Em coletiva de imprensa, o ministro dos Transportes, Oscar Puente, revelou que houve um problema de comunicação no computador, que fez com que os trens fossem imediatamente parados e o erro ocorreu na retomada das operações.
“A decisão de reiniciar a viagem do trem não foi tomada como deveria, em um ritmo que permitisse a sua parada. Um sinal vermelho estava em vigor, proibindo qualquer movimento adicional. Apesar disso, o trem da Renfe recebeu ordem para retomar sua viagem e prosseguiu até a colisão”, declarou.
Segundo a porta-voz do governo local, da região de Castilla La Mancha, Ester Padilla, o trem da Renfe, com 397 pessoas a bordo, e o trem da Iryo, com 147 passageiros, colidiram pouco depois das 9h do horário local – 5h de Brasília -, entre as cidades de Mora e Orgaz, causando o descarrilamento de vagões.
Imagens aéreas mostram vagões descarrilados
Guarda Civil / Divulgação
Imagens da emissora regional Castilla La Mancha Television mostram o trem da Iryo descarrilado, com alguns vagões da frente ainda sobre os trilhos, enquanto metal retorcido, painéis quebrados e destroços podem ser vistos espalhados por um aterro abaixo da linha férrea.
Segundo uma fonte ouvida pela agência de notícias Reuters, o trem operado pela Iryo estava parado perto de Toledo por ordem da Adif, empresa gestora da infraestrutura ferroviária, devido a uma falha de sinalização, quando foi atingido pelo trem da Renfe.
As duas empresas ainda não responderam aos pedidos de comentários da Reuters, e a circulação ferroviária está interrompida entre Madrid, Ciudad Real e Andalucía.
Equipes resgatam vítimas de colisão entre trens de alta velocidade em Urda, na Espanha, no dia 28 de outubro de 2026
Juanma Jiménez/Europa Press/AP
Depoimentos mostram gravidade do acidente
Miguel, um passageiro que viajava com vários colegas no último vagão de um dos trens, descreveu à rádio COPE o momento do acidente:
“Ouvimos um estrondo enorme, um baque realmente gigantesco que durou 10 segundos, como se o trem estivesse prestes a descarrilar. Pela janela da direita, pudemos ver um trem destruído – imagino que deva ter sido o outro”.
Eduarda, passageira do trem Iryo, contou à rádio Cadena SER que sentiu um forte impacto que a jogou para a frente, fazendo-a pensar inicialmente que o trem havia feito uma parada de emergência. Ela só se deu conta da gravidade do acidente depois de ver pessoas feridas e ser orientada a evacuar o local.
“Eu vi pessoas mortas”, contou ela, ao relembrar que viu o que descreveu como uma cena catastrófica, com parte do trem pendurada na encosta e um incêndio em um dos vagões após descer um barranco em segurança.
Jesús Pérez Martín, prefeito da cidade vizinha de Los Yébenes, disse que a situação é “horrível” e a classificou como uma grave tragédia.
“Eles estão me contando sobre mutilações e ferimentos muito graves”, disse ele à RTVE.
Equipes resgatam vítimas de colisão entre trens de alta velocidade em Urda, na Espanha, no dia 28 de outubro de 2026
Javier Soriano/AFP
Autoridades se pronunciaram
Na rede social X, o primeiro-ministro, Pedro Sánchez, lamentou o acidente em um primeiro pronunciamento:
“Estou chocado com o grave acidente de trem em Toledo. Meu carinho, solidariedade e apoio a todas as vítimas e suas famílias”.
A ministra da Saúde, Mónica García, fez um apelo em uma publicação no X para que as pessoas doassem sangue.
O Rei da Espanha, Felipe VI, falou sobre o acidente enquanto participava de um ato nas proximidades de Valência:
“A primeira coisa é lamentar essa tragédia terrível. Transmitir às famílias os nossos pêsames, a nossa tristeza, o nosso apoio, o nosso carinho em um momento tão duro, tão difícil”.
Aviso de circulação interrompida após acidente de trem na Espanha
REUTERS/Susana Vera
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ao tomar conhecimento do acidente, afirmou que “hoje a Europa chora”.
O presidente francês, Emmanuel Macron, classificou a tragédia como um “terrível drama ferroviário”.
Manuel Galán, prefeito de Urda, cidade próxima a Toledo, na região central do país, disse que os serviços de emergência lhe pediram para preparar um ginásio poliesportivo para acomodar os feridos.
A agenda do dia do premiê, publicada no site do governo espanhol, foi cancelada. O Partido Popular, da oposição, também cancelou todos os eventos de campanha, segundo um porta-voz.
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil lamentou o acidente:
“O Brasil manifesta sua solidariedade ao povo e ao governo da Espanha, transmite suas sinceras condolências às famílias das vítimas e deseja pronta recuperação aos feridos. O Governo brasileiro está monitorando a situação por meio dos Consulados-Gerais do Brasil na Espanha, a fim de prestar a assistência consular cabível aos nacionais eventualmente afetados pela colisão dos trens”.
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