Análise: bola parada vira fantasma e abala confiança do Athletico na reta final do Brasileirão
Grêmio 2 x 0 Athletico-PR | Melhores momentos | 33ª rodada | Brasileirão 2026
A derrota por 2 a 0 para o Grêmio, em Porto Alegre, tirou o Athletico do G-4 do Campeonato Brasileiro e ampliou para três jogos a sequência sem vitórias na competição. Mais do que o resultado, o desempenho voltou a expor uma dificuldade que tem custado caro ao Furacão: a vulnerabilidade nas bolas paradas.
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Os dois gols sofridos na Arena do Grêmio nasceram desse tipo de jogada e reforçaram um problema que, segundo o técnico Odair Hellmann, já ultrapassa a questão tática e interfere diretamente na confiança da equipe. Ao todo, são 19 gols sofridos em lances de bola parada.
O primeiro gol veio em uma cobrança de falta de longa distância de Marlon. A bola quicou à frente de Mycael e entrou. Depois, em escanteio pelo lado esquerdo, Balbuena ganhou de Aguirre pelo alto e completou para a rede. Em duas situações diferentes, o Athletico voltou a ser castigado pelo mesmo fundamento.
Carlos Vinicius disputa a bola pelo alto contra Esquivel no jogo Grêmio x Athletico
Roberto Vinicius
Odair não trata o problema como um detalhe. O treinador lembra que as bolas paradas podem ser determinantes em 30% a 35% dos resultados de um campeonato. O diagnóstico está feito, mas o desafio agora é transformar essa percepção em correções dentro de campo.
No Athletico, a dificuldade de defender esse tipo de jogada ganhou uma dimensão maior. O problema deixou de ficar restrito ao posicionamento ou à disputa pelo alto e passou a interferir no comportamento da equipe.
A insegurança diante de uma cobrança de falta ou de um escanteio pode comprometer a organização, dificultar a retomada do controle da partida e afetar a capacidade de impor o próprio jogo.
Foi um cenário que voltou a aparecer diante do Grêmio. A equipe precisa não apenas corrigir os erros defensivos, mas também evitar que cada lance de bola parada comprometa o restante da atuação.
Mesmo entre os cinco primeiros colocados, o Furacão tem cometido vacilos que podem custar pontos importantes na disputa por uma vaga direta na fase de grupos da Libertadores de 2027.
A busca por soluções passa pela revisão dos posicionamentos, pelo treinamento de situações de jogo e, principalmente, pela recuperação da confiança dos jogadores. Não se trata de encontrar um único culpado, mas de corrigir uma dificuldade coletiva que exige resposta imediata nesta reta final.
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Posse de bola sem efetividade
Contra o Grêmio, o Athletico terminou a partida com aproximadamente 70% de posse de bola. O time paranaense teve mais a bola e conseguiu empurrar o adversário para o campo defensivo, mas não transformou o volume em chances claras e gols.
O Grêmio apostou principalmente nas bolas longas em direção ao centroavante Carlos Vinícius e nas jogadas de bola parada. Depois de abrir o placar, conseguiu se fechar em um sistema defensivo com cinco jogadores na última linha e outros quatro à frente, reduzindo os espaços para a construção rubro-negra.
O Athletico teve dificuldade para encontrar precisão no penúltimo passe e nas finalizações. Com o adversário mais protegido, passou a depender de combinações e decisões técnicas que não apareceram com a qualidade necessária para furar o bloqueio gremista.
Os erros de passe e os escanteios cedidos também contribuíram para o cenário. Além de não conseguir transformar a posse em vantagem no placar, o Furacão ofereceu ao Grêmio oportunidades de explorar justamente o fundamento em que tem demonstrado maior fragilidade.
Aí está uma das contradições da atuação: ter a bola e ocupar o campo ofensivo não têm sido suficientes para garantir o controle efetivo das partidas. Quando não transforma a posse em gols, o Athletico fica mais exposto às situações de bola parada — e, nesse momento, o problema defensivo volta a aparecer.
A sequência de três jogos sem vencer e a saída do G-4 deixam evidente a queda de rendimento do Athletico na reta final do Brasileirão.
O time precisa recuperar a efetividade no ataque, mas também resolver uma fragilidade que tem se repetido e afetado seu desempenho. Caso contrário, a oscilação pode custar o lugar entre os quatro primeiros e, consequentemente, a classificação direta à fase de grupos da Libertadores.
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Odair Hellmann, técnico do Athletico
Maxi Franzoi
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