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Bellintani aponta principal erro do Londrina no rebaixamento e define prioridades para 2027

Bellintani aponta principal erro do Londrina no rebaixamento e define prioridades para 2027

Londrina é rebaixado para a Série C do Campeonato Brasileiro
Dono da SAF do Londrina, Guilherme Bellintani fez um balanço da temporada, apontou os erros que contribuíram para o rebaixamento à Série C do Brasileiro e definiu as prioridades para 2027.
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Em entrevista coletiva que contou com a presença de jornalistas e sócios-torcedores, o dirigente identificou a montagem do elenco como principal falha e destacou a necessidade de corrigir a rota para reconquistar a confiança da torcida.
Antes de responder as perguntas, Bellintani fez uma apresentação com o que a SAF considerou como os principais pontos da queda, além de detalhar os investimentos e os cinco focos para 2027.
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Guilherme Bellintani, dono da SAF do Londrina
Rafael Martins/Londrina EC
Montagem do elenco foi o principal erro
Na avaliação de Bellintani, o Londrina errou ao apostar em jogadores sem experiência na Série B e não conseguiu formar uma base consolidada para a competição. O dirigente também reconheceu falhas nas contratações e afirmou que parte dos reforços não correspondeu às expectativas.
— A gente apostou na ideia de ficar na Série B com jogadores que não eram de Série B, eram de competições menores, como Série C, Série D, que estavam no exterior, ou jovens que sequer tinham jogado a Série B. De fato, foi uma estratégia que não deu certo. Tinham poucos jogadores com vivência na competição, e esse foi o maior erro da gente – comentou Bellintani.
— Primeiro, a gente apostou em jogador consagrado que não performou. A gente apostou em jogador que nunca tinha jogado a Série B e que a gente achava que tinha potencial para jogar e não performou. E a gente apostou em jogador jovem que também não performou — reforçou.
O levantamento apresentado pelo presidente da SAF avaliou o desempenho dos 41 jogadores contratados em 2026. Segundo os dados, apenas cinco reforços superaram as expectativas, 11 ficaram dentro do esperado e 15 tiveram rendimento abaixo do previsto. Outros 10 não tiveram minutagem suficiente para serem avaliados.
— Um time que sobe da Série C para B, ele naturalmente tem uma quantidade de contratações maior do que o time que já estava na Série B, porque ele tem uma mudança de perfil de elenco. Mas a gente contratou demais, não tenho nenhuma dúvida disso. Foi sempre contratando, achando que ia corrigir o erro e aí cometendo outro erro — explicou.
— A gente achava que a forma de resolver um lateral-direito que não estava performando era trazer outro, e aí trouxemos os outros que não deram conta do recado — completou.
A limitação financeira também foi apontada como um obstáculo na montagem do grupo. Bellintani afirmou que o Londrina teve a segunda menor folha salarial da Série B, diante da capacidade de pagamento do clube.
Ele também citou o que chamou de inflação dos salários na competição, que teria sido impulsionada pelo dinheiro das ligas, das casas de apostas e das SAFs nos últimos anos.
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Os fatores que levaram ao rebaixamento
Além dos erros na montagem do elenco, Bellintani apresentou outros fatores que contribuíram para o rebaixamento. Para ele, o planejamento também foi afetado pelas mudanças no comando técnico, pelos resultados em campo e pelas dificuldades para repor peças importantes.
Para o dirigente, a saída de Roger Silva, no fim de dezembro, durante a pré-temporada, alterou o planejamento inicial. Allan Aal assumiu o comando no fim de dezembro, registrou o melhor início de temporada do clube em 30 anos, mas o vice do Paranaense, a queda na Copa do Brasil e a sequência negativa na largada da Série B custaram a demissão na sétima rodada.
— A gente tinha contratado jogadores para aquele treinador e para aquele modelo que a gente acreditava. A gente foi ao mercado e, com todo respeito ao treinador que contratou, não era o treinador e o modelo de jogo que a gente planejava – comentou Bellintani.
— A gente ter chegado a uma final do estadual ou passado por duas fases na Copa do Brasil não mostrava que o time estava bem. Eu não tinha ali uma segurança. Já via ali um movimento difícil. Não é culpa de Allan, ele pegou um elenco com características muito diferentes do modelo de jogo dele. Por que contratou? Era o melhor treinador disponível naquele momento – prosseguiu.
No balanço, Bellintani destacou que os resultados negativos na final do Paranaense e a eliminação na terceira fase da Copa do Brasil afetaram a confiança do elenco e da torcida no início da Série B. Ele citou ainda que o Londrina enfrentou uma sequência complicada nas primeiras rodadas.
Paulinho Mocelin jogador do Londrina durante a partida contra o Sport
Marlon Costa/AGIF
Sobre a contratação de Rogério Micale para substituir Allan Aal, Bellintani também ponderou que a decisão foi tomada a partir das opções disponíveis naquele momento e considerou a ligação do treinador com a cidade como um fator na escolha. Micale foi demitido na 32ª rodada, com seis vitórias, cinco empates e 13 derrotas.
— A gente olhando para trás, é fácil perceber que a vida de Micale não surtiu efeito esperado. Talvez, se a gente tivesse escolhido outro treinador, não tivesse sido rebaixado eventualmente ou tivesse disputando com mais força a competição. A gente entendeu que era o melhor treinador disponível. Fortaleceu o fato de ser ligado à cidade, uma história com Londrina, foi um ponto relevante, de desempate perante as alternativas que tínhamos — disse.
— Durante alguns momentos, principalmente no final do primeiro turno, acho que todo mundo achava que o trabalho de Micale seria o suficiente para o Londrina permanecer na Série B – prosseguiu.
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Outro problema foi a saída do artilheiro Bruno Santos, negociado com o Mirassol diante de uma multa contratual considerada baixa. A reposição não correspondeu ao rendimento esperado, com a SAF tendo dificuldades na janela de transferências.
— A gente perde nosso artilheiro. A culpa de não ter um centroavante que consiga performar, no nível que a gente precisa, é do treinador? Não é — comentou.
Bellintani ressaltou que o rebaixamento não foi resultado de um único episódio, mas da combinação de diferentes problemas ao longo da temporada.
— Nenhum time cai por um fator específico. É uma composição de fatores. A gente identificou esses fatores que, de certa forma, resultaram em uma performance ruim.
Bruno Santos e Lucas Marques comemoram gol do Londrina sobre o Avaí
Rafael Martins/Londrina EC
SAF defende controle financeiro
Durante a apresentação, Bellintani também contextualizou a queda com dados sobre a dificuldade de permanência na Série B. Segundo levantamento citado pelo dirigente, 17 dos 40 clubes que conquistaram o acesso à Segunda Divisão desde 2014 voltaram a cair nos dois anos seguintes.
O presidente também destacou o cumprimento das obrigações financeiras no futebol brasileiro. De acordo com os números apresentados, apenas seis clubes cumpriam os critérios mencionados de fair play financeiro, que incluem salários em dia, obrigações fiscais cumpridas e ausência de débitos com outras equipes.
A SAF defendeu a manutenção de despesas compatíveis com a capacidade financeira do clube, mesmo diante do rebaixamento. Bellintani afirmou que o projeto é de médio e longo prazo e que a permanência na Série B não deveria ocorrer à custa do acúmulo de dívidas.
— A gente acredita de forma muito consistente que, no médio prazo, é melhor você cair sem endividamento do que permanecer se endividando profundamente. Não digo que a gente quer cair ou que aceita numa boa a queda. Estou dizendo que, se for escolher entre ficar numa Série B se endividando ou voltar para a Série C com controle de gastos dentro das regras, a gente prefere cair cumprindo as regras.
— Nosso projeto não é de um ano, de seis meses. A gente não tem um presidente com contrato de três anos e que vai deixar dívidas. Se tem uma coisa que o Londrina está sofrendo hoje é porque é um clube que foi adquirido, entre aspas, em 2024, com R$ 22 milhões em dívidas e que já tem mais de R$ 10 milhões que apareceram e não estavam previstos em contrato.
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A apresentação apontou R$ 37 milhões em investimentos acumulados entre 2024 e 2026. Desse total, R$ 23,3 milhões correspondem a aportes da Squadra na operação, R$ 6,4 milhões foram destinados às obras do Estádio Vitorino Gonçalves Dias (VGD), R$ 4,2 milhões correspondem a um acordo de investimento e R$ 3,1 milhões foram aplicados no terreno do centro de treinamento.
Em relação às dívidas, a SAF informou ter pago R$ 10,5 milhões de um passivo de R$ 22,6 milhões identificado na aquisição. Outros R$ 16,2 milhões em dívidas foram descobertos posteriormente, segundo os dados apresentados.
Camisa do Londrina para o jogo contra o Cascavel
Rafael Martins/Londrina EC
Os cinco focos do Londrina para 2027
Para a próxima temporada, Bellintani estabeleceu cinco prioridades: reconquistar a confiança da torcida, montar um time competitivo para a Série C, avançar na construção do centro de treinamento, manter o controle financeiro e fortalecer o projeto de multiclubes da Squadra.
Reconquistar a torcida: o clube pretende recuperar o apoio dos torcedores. Segundo os dados apresentados, o público médio nos jogos em casa caiu 20%, para 4.509 pessoas, enquanto o número de sócios pagantes recuou quase 30%, chegando a 2.182.
Montar um time competitivo: a ideia é corrigir os erros nas contratações, buscar jogadores com experiência na Série C, aproveitar oportunidades de mercado na Série B e melhorar o desempenho defensivo.
Avançar no centro de treinamentos: com o terreno e o acordo de investimento concluídos, a previsão é entregar o primeiro campo e a estrutura básica em 2027. O segundo campo e as estruturas complementares ficariam para 2028.
Manter o controle financeiro: a meta apresentada pela SAF é limitar o custo do elenco a 80% da receita em 2027.
Fortalecer o projeto de multiclubes: a Squadra trabalha para concluir um negócio envolvendo um clube de Portugal. Bellintani prevê anunciar a operação até dezembro e considera o movimento importante para o projeto, inclusive como possibilidade de encaminhamento de atletas brasileiros para o exterior.
O objetivo esportivo é fazer uma campanha de protagonismo na Série C e lutar pelo retorno à segunda divisão nacional. Bellintani afirmou que o rebaixamento não fará a SAF abandonar o projeto de reconstrução do clube.
— A gente tem aqui um projeto de médio e longo prazo que não vai ser abandonado por conta do rebaixamento, não vai perder a confiança por isso. Ao contrário, a gente entra em 2027 com uma dívida com a torcida e com a cidade, mas é possível seguir na reconstrução de um clube, que tem potencial enorme e, neste momento, está fragilizado.
O dirigente também reforçou a importância de preservar as bases do planejamento da SAF para buscar a recuperação esportiva.
— Conseguindo manter os pilares do projeto, a gente tem totais condições de voltar.
Entre os passos para 2027, o Londrina definiu o novo treinador: Higo Magalhães, ex-Brusque e CSA, foi o escolhido para a próxima temporada.
Despedida da Série B
O Londrina tem mais três jogos até o fim da Série B, o primeiro deles contra o também rebaixado América-MG, domingo, às 16h, no VGD. Depois pega o Botafogo-SP, fora, e fecha a campanha contra o Náutico, em casa.
Agenda de jogos do Londrina
Londrina x América-MG: 01/11, domingo, 16h – VGD
Botafogo-SP x Londrina: 06/11, sexta, 19h30 – Arena Nicnet
Londrina x Náutico: 14/11, sábado, 16h30 – VGD
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