Casa de apostas que patrocina atletas brasileiros mantém acesso ilegal a clientes do país
Ministério pede o bloqueio de 13,2 mil bets ilegais; especialistas alertam para golpes
A Stake, operadora de apostas que atuou no Brasil legalmente até a edição da Medida Provisória que proibiu as bets no país, no dia 25 de setembro, mantém há duas semanas acesso à sua plataforma de maneira ilegal.
A empresa já foi patrocinadora do Juventude na Série A e ainda apoia atletas brasileiros do MMA, como Alex Poatan e Caio Borralho. Na última semana, o grupo chegou a conseguir uma liminar na Justiça Federal que o autorizou a voltar ao ar até o dia 25 de outubro. No dia seguinte, uma nova decisão, do Tribunal Regional Federal, derrubou a liminar.
A Stake, porém, não deixou de oferecer seus serviços a clientes brasileiros.
Reprodução da página da stake.com feita nesta segunda-feira, às 13h51
Reprodução
Nesse período, tem operado no endereço stake.com, com uma versão em português de seu site – as empresas regulamentadas no Brasil só podiam operar no domínio bet.br, uma forma de deixar claro aos apostadores que se tratava de uma casa de apostas legalizada.
Segundo fontes do mercado, o endereço stake.com sempre esteve bloqueado a brasileiros durante o tempo em que a empresa atuou legalmente.
A reportagem do ge conseguiu acessar o site da Stake normalmente nos últimos dias, inclusive com a criação de um cadastro com endereços e documentos brasileiros realizado no dia 8 de outubro.
E-mail de confirmação de cadastro no stake.com
Reprodução
Não foi possível carregar o saldo de carteira com moeda local, mas a empresa oferece a opção de usar criptomoedas – o que sempre foi proibido durante o período em que o mercado esteve regulamentado no Brasil.
Durante esses dias, o site ofereceu apostas em partidas da 29ª rodada do Brasileiro – em que os clubes foram obrigados a jogar sem a marca das bets que os patrocinam – e em eventos em tempo real, como partidas de tênis.
Procurada, a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda enviou nota na última quinta-feira em que reforça a proibição da oferta de apostas desde o dia 25 de setembro, mas não respondeu ao questionamento do ge sobre a atuação específica da Stake durante as últimas semanas.
Veja abaixo:
“A Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA/MF) informa que, desde a publicação da Medida Provisória nº 1.394/2026, a oferta de apostas de quota fixa passou a ser considerada ilegal em todo o território nacional, inclusive por empresas anteriormente autorizadas a operar no país.
A SPA mantém as ações de fiscalização e enfrentamento ao mercado ilegal de apostas, que incluem a identificação e o encaminhamento de sites clandestinos para bloqueio, além da verificação dos meios de pagamento utilizados nessas operações”.
Nesta terça-feira, o site ilegal permanece tno ar. Já o domínio stake.bet.br, que era o endereço da operadora enquanto durou a regulamentação no Brasil, redirecionava para uma página com um comunicado sobre a suspensão das atividades da empresa no Brasil.
Reprodução do domínio stake.bet.br nesta segunda-feira
Reprodução
Desde a proibição, clientes brasileiros receberam com regularidade e-mails da empresa com promoções e bônus.
Veículos especializados do mercado citam a Stake como uma das maiores operadoras do mundo, especialmente entre as que trabalham com criptomoedas.
A reportagem fez contato com dois executivos da Stake no Brasil, João Pedro Teixeira, diretor jurídico e de compliance, e Andrea Di Nizo, country manager da empresa. As mensagens não foram respondidas.
Stake.com ofereceu apostas em jogos da 29ª rodada do Brasileirão
Reprodução
Nas últimas semanas, entidades ligadas a operadoras e clubes de futebol acionaram o Supremo Tribunal Federal para tentar a suspensão da Medida Provisória. O caso está com o ministro Luiz Fux, que ainda não se manifestou.
Entre dirigentes de futebol, há a expectativa de que Fux dê uma liminar que suspenda a medida para que ela seja discutida no Congresso. geRead More


