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Corinthians: Seedorf terá de provar que é mais do que pensamento mágico

Corinthians: Seedorf terá de provar que é mais do que pensamento mágico

Corinthians 1 x 1 Vitória | Melhores momentos | 31ª rodada | Brasileirão 2026
Durante bastante tempo, o time corinthiano vinha conseguindo desviar da desordem reinante no ambiente político e administrativo do clube. Assim, esgueirando-se, conseguiu ser campeão da Copa do Brasil do ano passado. Mas tanto o caos se alastrou que em algum momento alcançaria também o campo.
Em meio à bagunça do clube, agora o time se vê roçando a zona de rebaixamento. E o empate de ontem à noite, diante do Vitória, tornou-se mais um capítulo desse embate do Corinthians contra o efeito da gravidade, que costuma ser implacável com camisas pesadas que se aproximam do rodapé da classificação.
Havia condimentos para esperar o começo de uma reviravolta na noite de Itaquera. Impossibilitado de ficar no banco de reservas devido aos famigerados trâmites burocráticos, o recém-chegado Clarence Seedorf resolveu assistir ao jogo da arquibancada, com direito a “poropopó” e tudo – “eu gosto disso, mais calor humano”, como já cantou Mano Brown.
Seedorf em Corinthians x Vitoria
Marcos Ribolli
O técnico holandês foi apresentado cinco dias atrás, depois de mais de sete anos sem comandar uma equipe. Seu último trabalho havia sido na seleção de Camarões, em 2019. Seria insanidade esperar que tivesse influência determinante no desempenho em campo. Mas, se ele foi contratado para gerar algum “fato novo”, tratou de promover mudanças desde o começo. Optou por um time com três atacantes, e na escalação inicial apareceram Angileri, Vitinho e Lingard, enquanto Matheus Bidu, Kaio César e Carrillo esperavam no banco. Memphis Depay estava suspenso.
A dinâmica da equipe mostrou algum frescor, com os pontas se movimentando para o meio e Yuri Alberto sendo assessorado no ataque. O Corinthians dominou o jogo, como era de se esperar, e sequer é possível dizer que teve um mau desempenho. Mas convém relativizar a boa notícia: a atuação na derrota contra o Inter, na última partida sob o comando de Fernando Diniz, já mostrava evolução comparada a jogos anteriores.
No entanto, outra questão herdada do trabalho anterior acabou tornando a noite mais difícil. A defesa voltou a vazar e permitiu que o Vitória saísse na frente com Renê, no fim do primeiro tempo. Com a montanha tendo duplicado de tamanho, a operação abafa surtiu efeito na metade do segundo tempo, quando André sofreu pênalti, convertido por Yuri Alberto.
Do canto com a torcida aos lances de jogo; confira reações de Seedorf no primeiro tempo
Apesar do esforço de todos os envolvidos, em campo e na arquibancada, é impressionante como a Neo Química Arena, antes terreno hostil para os visitantes, deixou de ser uma aliada corinthiana na busca por aquelas vitórias improváveis, conquistadas já no filtro do cigarro. Essa quebra de sintonia é mais um sintoma da crise que levou o Corinthians ao nono jogo seguido sem vencer no Brasileiro – dizer que ao menos o resultado melhorou, devido ao ponto conquistado, seria até uma piada de mau gosto com os alvinegros.
Entreverado na confusão em que se meteu, o Corinthians investiu no nome nada óbvio de Seedorf para evitar que o time continue despencando na tabela. A aposta é uma espécie de pensamento mágico que esbarra numa realidade bastante concreta: na classificação do segundo turno, o Corinthians é o último colocado. E, obviamente, é muito cedo para cobrar uma melhora significativa, que consiga aliar desempenho e resultado, mas o problema é que chegamos justamente naquele ponto do campeonato em que o tempo parece ter quatro pernas.
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